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10/10/2018
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Fusões e aquisições movimentam R$ 28,6 bi no 3º tri

O volume financeiro de fusões e aquisições no mercado brasileiro somou R$ 28,6 bilhões no terceiro trimestre de 2018, queda de 52,68% no valor total investido em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Segundo o Relatório Trimestral do Transactional Track Record, em parceria com a LexisNexis e TozziniFreire Advogados, foram registrados 263 negócios, representativos de uma baixa de 18% no período. As 12 transações de grande porte – maiores ou igual a R$ 500 milhões – anotadas de julho a setembro somaram R$ 20 bilhões.

Desde o início de 2018 foram realizados 773 anúncios de operações de compra e venda de participação envolvendo empresas nacionais, número 7% inferior às 840 registradas no mesmo intervalo de 2017. Das transações de 2018, 322 tiveram seus valores revelados, somando R$ 129,9 bilhões, queda de 11,29% face ao mesmo período do ano anterior.

Tecnologia segue como o subsetor mais ativo. Desde o início de 2018, já foram contabilizadas 156 operações no segmento, crescimento de 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O aumento dos aportes no setor acompanha a alta de 17,6% das aquisições estrangeiras no segmento de Tecnologia e Internet.

Os setores Financeiro e Seguros e Saúde, Higiene e Estética também mantem tendência de alta, crescimento de 20% e 11%, respectivamente.

Operações cross-border

No âmbito das transações cross-border, foram contabilizadas 149 operações de compra de empresas brasileiras por companhias estrangeiras no ano. As empresas norte-americanas foram as que mais adquiriram participação no mercado brasileiro, 53 operações, que movimentaram R$ 4,7 bilhões. Em termos de valores aportados, o Japão aparece na sequência, totalizando mais de R$ 3,7 bilhões, seguido pela Suíça, com total investido de R$ 3,3 bilhões, e Canadá, com R$ 2,5 bilhões.

O segmento Financeiro e Seguros ultrapassou o setor de Tecnologia como aquele que mais atraiu o investimento de empresas estrangeiras em 2018, muito em função do crescimento dos aportes realizados em fintechs. Tecnologia, Distribuição e Varejo e Internet foram os outros alvos preferidos pelo capital estrangeiro.

No cenário outbound, as compras brasileiras no exterior tiveram como alvo prioritário as empresas norte-americanas, totalizando sete aquisições. A América Latina também foi cenário para o investimento de origem brasileira, com aquisições realizadas na Argentina, Colômbia, Uruguai, Paraguai, México e Chile.

Private equity e venture capital

Em 2018, o TTR contabiliza 20 operações envolvendo fundos de investimentos de Private Equity e Venture Capital estrangeiros adquirindo participações em empresas nacionais, crescimento de 32,6% em comparação ao mesmo período de 2017.

Esses aportes estrangeiros contribuíram no volume de operações de venture capital registradas pelo TTR desde janeiro. Nessa modalidade de investimentos, foram registradas 151 operações no ano, alta de 9% em comparação com as 139 reportadas no mesmo intervalo do ano anterior. As 96 transações que tiveram seus dados financeiros revelados somaram R$ 2,4 bilhões, 8% a mais do que valor aportado em 2017.

Os alvos preferidos dos fundos de venture capital foram empresas dos segmentos de Tecnologia, 84 operações no ano, Financeiro e Seguros, 31, Internet, 23, e Distribuição e Varejo, com 12.

No trimestre, o total aportado fechou em leve queda de 1%, ao totalizar R$ 699 milhões investidos em 47 operações.

Já no cenário de private equity os números do trimestre reforçaram a tendência negativa do ano. De julho a setembro, queda de 22% no número de operações, 28, e também no total aportado, R$ 5,5 bilhões, 37% a menos do que havia sido investido no mesmo período de 2017.

No decorrer do ano, queda de 14% no total de transações registradas, 65, e de 42% na soma dos investimentos, R$ 10,3 bilhões. O setor de maior crescimento no acumulado do ano foi Financeiro e Seguros, 82%, enquanto Tecnologia foi o que apresentou o maior número de transações, 84.

Transação do trimestre

A transação eleita pelo TTR como a de destaque do trimestre foi a aquisição pela AES Tietê do Projeto Solar Guaimbê, que pertencia a Cobra Brasil, concessionária de transmissão de energia elétrica detida pelo grupo espanhol Cobra.

O Complexo Solar Guaimbê conta com cinco parques de produção de energia fotovoltaica de 180 MW no estado de São Paulo. O projeto, que está em fase avançada de construção, deve entrar em operação até maio do ano que vem e foi vendido por R$ 607 milhões.

A AES recebeu assessoria financeira do Banco Itaú BBA e legal do escritório Lefosse Advogados na transação. Já o Grupo Cobra foi assessorado pelo Demarest Advogados e pelo BNP Paribas Brasil.

Rankings Financeiros e Jurídicos

O ranking TTR de assessores financeiros por valores das transações é liderado pelo Banco Bradesco BBI, que acumula em 2018 o valor de R$ 59,4 bilhões transacionados. Em segundo lugar, Banco Itaú BBA, alcançando R$ 54 bilhões, e, na sequência, o Riza Capital, com R$ 41,8 bilhões.

Na categoria de assessores jurídicos, o Ranking do TTR é liderado por Cescon, Barrieu Flesch & Barreto Advogados, com R$ 51,4 bilhões, e que também lidera por número de operações, 40. Na segunda colocação está o escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, R$ 49,3 bilhões, seguido por TozziniFreire Advogados na terceira colocação, com R$ 41,1 bilhões.

Fonte: Revista Apólice