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17/10/2018
Autor: Fonte: Revista Brasil Energia
INVESTIMENTOS CHINESES EM ÓLEO E GÁS NO BRASIL CHEGAM A US$ 40 BI

A possível formação de uma joint venture entre a Petrobras e a CNPC para desenvolver os projetos de revitalização de Marlim e do Comperj dá sequência ao forte movimento de entrada da China no setor petróleo brasileiro.

De acordo com o Ministério do Planejamento, empreendimentos de óleo e gás (anunciados ou confirmados) atraíram cerca de US$ 40 bilhões em investimentos chineses entre 2003 e este ano, o equivalente a 30% do total aportado pelo país asiático no Brasil no período.

Somente o setor de energia elétrica atraiu mais o capital chinês no período, respondendo por 46% dos investimentos totais, com destaque para projetos de geração hidrelétrica e transmissão de energia.

Levantamento da BE Petróleo mostra que, somente no upstream – incluindo-se os blocos adquiridos nas rodadas de partilha da produção promovidas pela ANP entre 2017 e 2018 –, os investimentos de origem chinesa somam aproximadamente R$ 4 bilhões.

Os maiores valores são referentes aos bônus de assinatura pagos pela CNOOC e CNPC pela área de Libra, em 2013: R$ 1,5 bilhão em cada caso, considerando-se sua participação de 10% no ativo.

Na terceira rodada do pré-sal, em 2017, a CNODC arrematou 20% da área de Peroba, cujo bônus total era de R$ 2 bilhões, e a CNOOC, 20% de Alto de Cabo Frio Oeste, implicando pagamento de R$ 70 milhões em bônus. Este ano, no quinto leilão, a última empresa adquiriu 30% de Pau Brasil (R$ 400 milhões em bônus).

Os chineses também apareceram em leilões de concessão recentes. Na 13ª rodada, a Tek Oil and Gas levou o bloco REC-T-153, na Bacia do Recôncavo, comprometendo-se com investimento total de cerca de R$ 10 milhões.

No leilão seguinte, a mesma companhia arrematou mais dois blocos na Bahia, com aporte de R$ 3,27 milhões, enquanto a CNOOC ficou com o ES-M-592, na Bacia do Espírito Santo (R$ 41 milhões em investimentos comprometidos).

Vale lembrar que o grupo chinês Sinochem tem participação de 10% em dois blocos na Bacia do Espírito Santo (ES-M-529 e ES-M-531) e de 40% no campo de Peregrino, na Bacia de Campos – fatia que poderá ser vendida para a australiana Karoon.

Outros destaques

O interesse da China no downstream não é de agora. Em março deste ano, a Shandong Kerui fechou contrato com a Petrobras para executar as obras da UPGN do Comperj. Meses depois, a Petrochina comprou 30% da distribuidora pernambucana de combustíveis TT Work.

Nesse ínterim, chegou-se a especular na imprensa que a chinesa Qingdao Xinyuan Chemical havia iniciado tratativas com a Petrobras para adquirir participação da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia, mas a informação não foi confirmada até o momento.

Alumínio e plataformas

Segmentos da indústrias pesada e da construção naval também estão no radar dos chineses. Em maio passado, a Prefeitura de Cabo Frio (RJ) e uma comitiva chinesa da cidade de Huzhou assinaram um protocolo de intenções para investimentos na área da fabricação de tubos de alumínio para o setor de petróleo.

Ainda no primeiro semestre a Petrobras contratou o Estaleiro CIMC Raffles para concluir as obras do casco do FPSO P-71, que estava a cargo do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

Conforme publicado pela BE Petróleo, a maior parte das plataformas próprias da Petrobras contratadas entre 2010 e 2013 acabou sendo realizada por estaleiros asiáticos, sobretudo chineses.