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21/10/2018
Autor: SindSeg SP
Em Grandes Riscos, é importante a atenção em relação à apólice

Entrevista de Edson Toguchi, superintendente de grandes riscos da Sompo Seguros, ao Sindseg SP.


Como tem se comportado o mercado de seguros de grandes riscos neste ano?

Esse é um segmento muito sensível ao panorama econômico e político, tendo em vista que esse ramo também atua diretamente com projetos de infraestrutura, que são desenvolvidos conforme a capacidade das instituições públicas ou privadas de captarem recursos. Por conta das eleições e da retração econômica observada até 2016, o mercado de seguros de grandes riscos caminhou de forma perene. Mas ainda está aquém de seu potencial. Com criatividade e um bom planejamento podemos disponibilizar soluções que venham atender às necessidades dos segmentos que contratam essa categoria de seguros em diferentes atividades econômicas.

 

Foram registrados, em anos anteriores, grandes acidentes envolvendo ativos de grandes empresas. Esses acidentes vêm influenciando as vendas desses produtos?

As grandes empresas já têm, em sua maioria, a cultura de proteger seus ativos contratando seguros. De qualquer forma, esses acontecimentos trouxeram à luz questões relevantes referentes ao risco contratado e limites máximos de indenização. É necessário que os representantes das empresas contemplem valores exequíveis e que representem a garantia total, caso aconteça. Contratar uma apólice com limite máximo de indenização de R$ 500 mil reais, quando os ativos da empresa representem R$ 1 milhão, é algo que, dificilmente, vai atender às expectativas do segurado em caso de um incêndio, por exemplo.

Por isso, a cada renovação ou situação que exija um endosso, como a compra de um novo equipamento pesado, por exemplo, é de suma importância examinar todas as cláusulas da apólice e atualizar seus valores, se for o caso. Para isso, é importante consultar o corretor de seguros de confiança, que é o profissional gabaritado a fazer essa avaliação e prestar todos os esclarecimentos.

 

A economia em compasso de espera também é um fator que influencia as vendas nesse segmento?

O Brasil está num momento de retomada da economia, após o PIB do país registrar um crescimento de 1% em 2017 e logo depois de dois anos de índices negativos. Mesmo com o impacto da paralisação no setor de transporte de cargas, a expectativa do Banco Central é de que, neste ano, o PIB alcance um crescimento de 1,4%. Com isso, as obras de infraestrutura públicas ou privadas devem ser retomadas e projetos até então arquivados agora começam a “sair do papel” a partir de 2019.

Nosso principal desafio é o de atuar nesse segmento altamente complexo e competitivo, trazendo soluções diferenciadas aos corretores e segurados. Dessa forma, nosso objetivo para a carteira de Grandes Riscos é o de viabilizar a subscrição dentro de um equilíbrio financeiro, de maneira que o segurado tenha a cobertura adequada para seu negócio.

 

Que outros fatores têm sido determinantes na comercialização destes produtos?

Muitos projetos de infraestrutura que estavam suspensos vão sair definitivamente, com respectivas assinaturas contratuais e entrega de apólices de garantia de execução do projeto e fornecimento de serviços, a exemplo dos projetos de melhoria/ampliação de rodovias, estradas, ferrovias e aeroportos, entre outros.

Os recentes leilões da Aneel, que envolveram ativos de linhas de transmissão e geração e distribuição de energia, são um exemplo recente. Outro exemplo é a área de Petróleo & Gás. Notícias veiculadas na mídia de economia recentemente apontaram que, em um ano, a União alcançou R$ 27,9 bilhões em seis leilões de 48 áreas marítimas para exploração de petróleo. Isso demonstra o interesse dos grandes grupos do setor em investir em projetos relacionados com o pré-sal. 

A Sompo conta com soluções em Seguro Garantia voltadas tanto às obras privadas quanto públicas. A companhia estrutura soluções tailor made necessárias para a conclusão da obra, desde o Seguro de Garantia do Licitante (Bid Bond) e Executante (Performance Bond), Riscos de Engenharia e a cobertura de danos a terceiros (Responsabilidade Civil), caso ocorra algum imprevisto. Justamente com o objetivo de mitigar as perdas não relacionadas a eventos da natureza, é que investimos no Gerenciamento de Risco para contribuir para que a obra seja concluída dentro do prazo e sem contratempos.

 

Qual é a estratégia que a empresa tem adotado nesse mercado? Quais são as iniciativas que vem adotando para conquistar espaços?

A Sompo já conta com expertise em subscrição na área de Grandes Riscos e investiu significativamente no Gerenciamento de Riscos, o que foi crucial para alcançarmos os resultados expressivos na carteira, a exemplo do seguro de Transportes, ramo em que a Sompo é líder de mercado. Esse fator, aliado ao crescimento mundial da Sompo International Group, trouxe mais capacidade de subscrição para a expansão da carteira e para podermos trabalhar no desenvolvimento de soluções para novas coberturas e segmentos.

A iniciativa mais recente foi a criação da Área de Agronegócios com o objetivo de desenvolver soluções de seguros voltados a atender os players do segmento. Essa área está sob responsabilidade do Marcio Martinati, um profissional com ampla expertise em desenvolvimento de produtos e com profundo conhecimento do agronegócio brasileiro. Um fator predominante, que tem contribuído substancialmente para o crescimento da nossa carteira de Grandes Riscos são as parcerias com corretoras e resseguradoras a fim de apresentar contratos tailor made, nos quais os segurados contam com coberturas sob medida para seu empreendimento.

Essa é uma iniciativa que acontece tanto no Brasil quanto em outros mercados, como no Japão. Um exemplo foi parceria que a Sompo estabeleceu com um corretor internacional que resultou num projeto desenvolvido para atender uma grande usina eólica, com o qual foi possível definir condições bastante vantajosas para o cliente. Além da parceria, buscamos inovar no desenvolvimento de soluções. 

Posso citar a que foi estruturada para atender ao setor de energia, que já dá demonstrações de uma retomada de fôlego para novos projetos. Por meio dela, atendemos ao cliente tomador (que fornece o bem ou presta o serviço) que pretende comprar energia no mercado spot (também chamado de mercado disponível ou de curto prazo, que tem a finalidade, na maior parte dos casos, de suprir uma demanda imprevista de energia).