Notícias

16/11/2018
Autor: Revista Insurance Corp
O DESAFIO DA GESTÃO DE RISCOS
Alarys e Apogeris realizaram em Portugal, uma das principais convenções do mundo, para debater tendências de gerenciamento de riscos em seguros

Considerando os principais riscos onde as economias e países são expostos, os prejuízos globais representam cerca de 546,5 bilhões de dólares por ano, segundo estudo recente apresentado pelo Lloyd´s. Para despertar empresários e profissionais do setor de Gerenciamento de Riscos, foi realizado, na cidade de Porto, em Portugal, o Alarys & Apogeris Congress. Primeiro encontro em conjunto promovido pelas associações Alarys (Asociación Ibero Americana de Administradores de Riesgos y Seguros) e Apogeris (Associação Portuguesa de Gestão de Riscos e Seguros).

O evento, que aconteceu de 12 a 14 de setembro, pela primeira vez na Europa, contou com a participação de especialistas de várias partes do mundo, inclusive do Brasil.

De forma inédita em uma mesma atividade, se encontraram Jo Willaert presidente da Ferma (Federação Europeia de Gerência de Riscos, com sede em Bruxelas incluindo as associações de toda a Europa); Denise Osorio diretora internacional de certificação da Rims (Federação de Gerenciamento de Riscos dos Estados Unidos e Canadá), Frank Baron, Chairman da Parima como Alessandro De Felice, presidente da Anra (Associazione Nazionale dei Risk Manager e Responsabili Assicurazioni Aziendali de Italia).

Se destacaram palestrantes como Cristiane França Alves, da CSN Companhia Siderúrgica Nacional, Rodrigo Avila da Companhia Suzano de Papel e Celulose,. Marcelo D’Alessandro, gerente de riscos do Comitê Olímpico Rio 2016, bem como Sérgio Hoeflich, representando a ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência) e ENS (Escola Nacional de Seguros) e  David Corredor Gomez ,Diretor de Global Programs de Mapfre Iberia.

Também palestraram Cristina Martinez Garcia - Sacyr Group, diretora de IGREA (Iniciativa de Gerentes de Riesgos Españoles, Isabel Martinez Torre-Enciso, Directora de AGERS  Asociación Española de Gerencia de Riesgos y Seguros , Catalina Echeverria Ortiz da Empresa de Electricidade ISAGEN de Colombia , Paulo Moniz, Diretor de Information Security da empresa EDP (Energia de Portugal).

As abordagens dos diferentes perfis dos riscos atuais, tanto globais como regionais, além dos riscos cibernéticos e roubo de cargas, foram apresentadas para aproximadamente 100 inscritos entre gestores de riscos, dirigentes de associações, representantes de seguradoras, resseguradoras, corretores e executivos da área financeira da América Latina e da Europa.

Um dos destaques foi a apresentação de Juan Arsuaga, Managing Director do Lloyd’s Iberia, explicando os planos para a Europa depois do Brexit e um painel de resseguradoras cativas com representantes de mercados como os de Bermudas, Malta, Irlanda, Suíça e Luxemburgo. Destaque ainda para um interessante painel sobre o futuro dos mercados de seguros latino-americanos incluindo o carro-chefe Brasil, assim como também sobre os mercados da Europa, ressaltando os mercados latinos europeus de Espanha, Portugal e Itália. Não se pode deixar de mencionar que houve uma profunda análise do mercado de resseguros latino-americano e da Europa.

Outra apresentação de destaque foi sobre um tema de grande importância e que abordou os aspectos do mercado segurador frente às mudanças do ambiente dos negócios, focado na América Latina e Europa. Tendo como um dos palestrantes Ariel Couto, CEO da MDS no Brasil, que salientou o panorama do mercado brasileiro. Participaram também deste painel, Angelo Colombo, CEO da Allianz AGCS para América Latina, José Antonio Rubial, Chief Regional Officer da Mapfre Latino America e Santi Cianci, CEO da Generali Portugal.

Atividade fundamental

Na ocasião, Jorge Luzzi, presidente da Alarys e da Apogeris, afirmou que as empresas estão hoje expostas a um conjunto crescente de riscos que ameaçam a continuidade de suas atividades. “Por esta razão, a gestão de riscos é fundamental para a sobrevivência e sustentabilidade das empresas, ocupando uma crescente relevância nestas atividades voltadas para o gerenciamento de riscos, quanto aos investimentos e práticas operacionais”, disse.

Luzzi frisou que ainda há muitas empresas e organizações que não se preocupam em gerir os riscos a que estão expostas. “Esta situação se torna uma grande ameaça à sua existência. Já era momento para o entrosamento e intercâmbio de experiências entre os executivos”, acrescentou.

Necessidade de maior cultura em gestão de riscos

Em entrevista exclusiva para a Revista Insurance Corp, Jorge Luzzi, também Chairman da RCG - Herco Global, ressaltou que a atividade de gerenciamento de riscos na América Latina e na península ibérica ainda é modesta para o tamanho e potencial que tem. “Quanto ao Brasil, precisa ter uma política de Estado com relação à gerenciamento de riscos e seguros”, frisou.

O executivo enfatiza a necessidade do reconhecimento de que o gerenciamento de riscos é base fundamental para o melhor tratamento dos riscos, a fim de se obter um menor número de sinistros e um mercado de seguros menos exposto pela baixa qualidade das medidas de proteção. “Considerando que o melhor aliado do gerenciamento de riscos é o mercado de seguros, o grande objetivo das empresas deve ser evitar o sinistro. Para isso, segurados e seguradoras, assim como corretores de seguros, deveriam ser parceiros”, complementa.

No Brasil, por não haver terremotos, tornados ou furacão, há o conceito errôneo de um mercado sem catástrofes naturais. “Estas existem sim, com os alagamentos, enchentes e desmoronamentos. Essa falsa visão de mercado sem catástrofes, faz com que não haja política de investimento para o gerenciamento de risco”, acentua Luzzi.

“Os grandes sinistros brasileiros não seguem essa definição de mercado sem catástrofes naturais; misturam a força da natureza com a falta de prevenção como demostra o desastre ambiental de Mariana, em Minas Gerais, causado pelo rompimento de barragem da mineradora Samarco. A enxurrada de lama modificou a vida de toda uma região do país”, exemplifica.

Luzzi reforça a necessidade de uma forte política de gerenciamento de riscos a ser aplicada com multas pela falta cumprimento de normas de segurança e a obrigatoriedade de um plano de GR. “Normas e recomendações de órgãos supervisores não são suficientes. Basta de recomendação sem consequências, para reduzir a sinistralidade. É necessário um trabalho sério de fiscalização. Penas, multas e leis parciais, ainda que bem intencionadas, não adiantam sem a existência de uma fiscalização suficiente para que funcionem”, concluiu.

Congresso

Os congressistas puderam apreciar a qualidade das palestras feitas por especialistas de várias partes do mundo como Portugal, Itália, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha, Suíça, Malta, Estados Unidos, Canadá, Cingapura, Bermuda e República Dominicana. A América Latina também esteve presente com seus representantes do Brasil, Argentina, México, Panamá, Peru, Chile e Colômbia.

Durante o evento, muito se falou do futuro da gestão de riscos, novas técnicas e tendências na área. Entre as temáticas abordadas destacam-se os recentes desenvolvimentos nos Benefícios para Colaboradores, Certificações em GR, Gerenciamento de Riscos Corporativos, Gestão de Risco no Seguro Marítimo, Gerenciamento de Risco 4.0 -Transformação Digital, Riscos Políticos e Compliance-.

Um dos pontos fortes do congresso foi a importância da educação e certificação dos profissionais que já atuam na área. Entidades de classe como a Alarys e a ABGR (Associação Brasileira de Gerência de Riscos) certificam profissionais que tenham condições de atuar com essa função, porém ainda não a possuem.

Coube a Ariel Couto, CEO da MDS no Brasil, apresentar em sua palestra o mercado brasileiro de seguros e resseguros, bem como as tendências futuras – otimistas quanto à retomada do crescimento econômico do país e os reflexos imediatos no mercado segurador local.

O encerramento do Congresso ficou a cargo do Dr. Jose Manuel Fonseca, CEO do grupo MDS Holding, destacando o “Gerenciamento de Riscos na Visão do Corretor”.

NO EVENTO JORGE LUZZI LANÇA O LIVRO “Os desafios da gestão de riscos

Durante o evento em Portugal, os presentes tiveram a oportunidade de receber o livro “Os desafios da gestão de riscos”, cujo conteúdo se refere a uma entrevista com Jorge Luzzi. A obra aborda o tema em questão, que faz parte da coleção Keep it Simple, da MDS Publications.

A publicação tem 62 páginas e apresenta de forma ampla e bastante didática, as etapas e a complexidade da atividade da gestão de riscos. Bem elaborada e de leitura agradável e ilustrada, foi muito apreciada por todos os presentes que tiveram seu exemplar autografado.