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16/07/2018
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Desempenho de maiores fundos de previdência deixa a desejar

Desempenho de maiores fundos de previdência deixa a desejar

 

O Valor Econômico relata que os cinco maiores bancos do país concentram a poupança destinada à aposentadoria do brasileiro, com R$ 676,5 bilhões em fundos ligados à previdência aberta — ou mais de 90% do setor. Mas o desempenho histórico deixa a desejar. Ao se considerar a carteira de maior patrimônio de cada uma dessas instituições — Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander —, esses portfólios, que reúnem cerca de R$ 120 bilhões, rendem 90% do CDI desde o lançamento, na média, segundo cálculos da fintech de investimentos Monetus.

 

Quando a taxa Selic estava na casa dos dois dígitos, tal performance parecia assegurar uma renda satisfatória na velhice. Agora, com a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, o investidor talvez tenha que repensar sua tolerância a risco, bem como avaliar de perto os custos embutidos nas suas escolhas.

 

Nas mãos dos grandes conglomerados financeiros estão os portfólios mais conservadores do mercado e que, de certa forma, espelham o comportamento do investidor que se acostumou a ter retornos altos na renda fixa sem se aventurar por outros ativos. Para se ter ideia, diz Daniel Calonge, executivo-chefe da Monetus, 70% do volume aplicado em fundos ligados à previdência aberta rendeu menos que o CDI nos últimos 12 meses. Na gestão independente, fora dos bancos, ele diz ser possível encontrar portfólios tipicamente de renda fixa com retorno médio histórico entre 104% e 113% do CDI, mas com trajetória relativamente curta.

 

Levantamento da XP Investimentos para o Valor, com base em dados da Economática, mostra que nos últimos dois anos, período que coincide com a redução da Selic de 14,25% para 6,5%, menos de uma dezena de fundos de renda fixa vinculados a planos de previdência aberta superaram o CDI, entre aqueles com baixa volatilidade, seja em gestoras ligadas a bancos ou independentes.

 

Os custos, diz Calonge, podem até explicar parte da má performance dos grandes fundos de previdência, que têm taxas de administração entre 0,5% a 1,5% ao ano, mas não é só isso. O executivo cita não ser incomum gestores colocarem na carteira dos próprios bancos ou títulos públicos com compromisso de recompra, Desempenho relativo ao CDI - em % com taxas negociadas diferentes das asseguradas numa aquisição seca, e isso também pode deixar piorar o retorno.

 

Além do preço que o investidor paga pela gestão dos recursos, no pacote do plano de previdência vem cobradas taxas de carregamento, que representam um pedágio para entrar ou sair, mas que não interferem no desempenho do fundo. Conforme exemplifica Calonge, um investidor que tenha aplicado ao longo da vida R$ 1 milhão num plano que tenha 2% de carregamento vai ter, grosso modo, R$ 20 mil a menos no final — sem considerar eventual capitalização. Já R$ 600 aplicados mensalmente num fundo com retorno de 100% do CDI sem taxa de carregamento por 30 anos vão se converter em R$ 1,153 milhão e, se o retorno for um pouco maior, de 109% do referencial, a acumulação subirá a R$ 1,358 milhão ao fim do período.