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16/07/2018
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Taxa de administração é fundamental em performance de fundo de previdência

Taxa de administração é fundamental em performance de fundo de previdência

 

O Valor Econômico completa que a previdência complementar viveu até recentemente com uma série de limitações e isso casou com o perfil conservador de grande parcela da sociedade brasileira. A avaliação é do professor Carlos Heitor Campani, do Coppead/UFRJ. “As performances dos fundos de renda fixa de previdência são muito semelhantes, não dá para dizer que um é melhor que o outro. O grande ponto que o investidor tem que prestar atenção é nas taxas que paga de administração e carregamento, é isso que no fim das contas vai dar a diferença de uma performance líquida melhor ou pior”, diz.

 

Conforme cita, para um fundo com taxa de administração de 1% do patrimônio, a cada R$ 100 investidos R$ 1 fica para a instituição que administra a carteira. Quando a Selic estava a 14,25%, isso representava uma fatia pequena da remuneração básica, mas com os 6,5% atuais o custo come 25% do retorno já na partida. “O mercado tem que chacoalhar e o investidor buscar informações e brigar por taxas menores”, afirma.

 

Na Brasilprev, o carregamento na entrada pode ser zerado dependendo do nível de relacionamento do cliente ou conforme a evolução da reserva. No resgate, começa em 5% e zera, em média, em seis anos de plano. Na Caixa Econômica Federal, não há carregamento na entrada e na saída ele varia de 5% a 1,5% para contribuições entre um e três anos de até R$ 1 mil, e de 1,5% a 0,5% nos aportes acima disso. Em ambos os casos, a taxa é zerada a partir de três anos.

 

Na Bradesco Seguros, o carregamento para contribuições mensais começa em 4% nos fundos com taxas entre 1,9% e 2,4% nos primeiros 24 meses, caindo progressivamente até zerar no 61 mês. Nos fundos com taxas de 1% a 1,5%, o carregamento parte de 1,8%, também zerando no 61 mês.

 

O Santander não cobra nada na entrada, com a taxa de saída em 4% nos primeiros 12 meses, recuando até zerar acima de 60 meses. O Itaú chegou a fazer recentemente campanha isentando o investidor de taxa de carregamento na previdência, mas o banco não tinha um porta-voz para comentar os resultados.

 

Mesmo com todos os custos envolvidos, Campani diz que acumular dinheiro para a aposentadoria por meio de um plano de previdência vale pelo benefício fiscal que não se tem em nenhum outro investimento. Os fundos ligados a esses planos não sofrem a incidência do come-cotas, o imposto semestral que penaliza os fundos abertos tradicionais, e na tabela regressiva o imposto recua a 10% após dez anos.

 

Segmento dos planos de previdência de associações deve dobrar em 2019

O DCI relata que a possibilidade de inclusão de familiares em planos de previdência privada instituídos por associações e sindicatos deverá dobrar o número de participantes no segmento até o final do próximo ano.

 

Essa é a expectativa da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). "O crescimento do setor envereda para os fundos instituídos. Há líderes envolvidos de sindicatos e entidades de classe para a criação de diversos fundos instituídos para familiares", apontou o presidente da Abrapp, Luis Ricardo Martins.

 

Dados do último informe estatístico trimestral da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), relativo a março de 2018, registrava que os planos de previdência de associações (instituídos) reuniam 157,28 mil participantes e patrimônio de R$ 8,176 bilhões.

 

"Além do associado, agora, pode-se incluir cônjuges, filhos e dependentes econômicos nos planos. Estamos buscando, junto ao regulador, a permissão para parentes de terceiro grau [netos, por exemplo] ", explicou.

 

Martins esclareceu que apenas associações e sindicatos podem estruturar (criar) os Rindos instituídos. "A gestão dos recursos é terceirizada para seguradoras. A grande maioria desses planos adicionam coberturas de risco de morte e invalidez", diz.

Em outras palavras, os planos de previdência de associações são relativamente diferentes dos planos de previdência patrocinados por empresas privadas, estatais e governos (mais conhecidos como fundos de pensão), e dos planos de previdência aberta (PGBL e VGBL) comercializados por bancos, seguradoras e gestoras.

 

Para incentivar ainda mais esse segmento, a Abrapp também solicita junto ao governo, em razão do debate em torno da reforma da Previdência Social (pública), benefícios para quem declara pelo modelo simplificado do imposto de renda (IR). "Em qualquer lugar do mundo, a previdência privada precisa de incentivo fiscal para crescer", argumentou Martins, também representante da OABPrev-SP