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16/07/2018
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Com alta no preço de planos de saúde, empresas investem em programas para gerir benefício

Com alta no preço de planos de saúde, empresas investem em programas para gerir benefício

 

O Globo relata que, com o aumento do preço dos planos de saúde coletivos empresariais, as corporações estão voltando suas atenções para reduzir as despesas com o benefício. Nos dois últimos anos, o investimento médio em saúde por funcionário subiu 21%, para R$ 271,21, segundo pesquisa da consultoria Mercer Marsh Benefícios, com 690 empresas de diversos setores, sendo dois terços delas com faturamento anual superior a R$ 100 milhões. Entre 2012 e 2017, o peso do benefício dentro da folha de pagamento de pessoal dessas corporações avançou de 10,38% para 12,71%. Na indústria, essa taxa chega a 50% em alguns casos.

 

Negociar a redução do percentual de reajuste e ratear despesas com os colaboradores já não basta, explicam especialistas. A saída tem sido a implementação de programas para melhorar a utilização do benefício, com ações de prevenção e promoção de saúde para reduzir a sinistralidade, calculada com base na relação entre a despesa assistencial e a receita da operadora.

 

Além da Mercer Marsh, outras grandes consultorias internacionais atuam nesse novo fronte. A Alvarez & Marsal, por exemplo, que mantém atividades em gestão de saúde há 15 anos, tem agora um departamento organizado no Brasil para projetos nessa área. Grandes companhias como Avon, Bridgestone e Tigre já implementaram programas para melhorar os resultados a partir de ações casadas com a cobertura médica de seus funcionários.

 

“É uma tentativa das empresas de forçar uma melhor negociação com as operadoras e seguradoras de saúde. Se esse avanço não ocorrer na discussão sobre o reajuste, ele virá com base nos resultados obtidos a partir de uma melhor gestão da saúde dos funcionários”, reconhece Rodrigo Rodrigues de Aguiar, diretor de desenvolvimento setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

 

Emmanuel Lacerda, gerente-executivo de Saúde e Segurança da Indústria do Sesi, destaca que o plano de saúde já é o maior gasto na folha de pessoal do setor:

“Na indústria, que tem dez milhões de beneficiários de planos de saúde, há empresas em que, olhando apenas para o chão de fábrica, esse custo chega a 50% da folha. O atual sistema é insustentável. A remuneração na saúde suplementar é baseada em volume e serviço, e há alto índice de desperdício. É preciso casar custo com qualidade em resultado”.