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19/07/2018
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Seguro de carros chineses pode ser quase três vezes mais caro

Seguro de carros chineses pode ser quase três vezes mais caro

 

Por Anderson Figo

 

Com uma política agressiva de preços, os chineses vieram para ficar. Mas na hora de escolher o carro novo, você põe na conta o custo do seguro? Deveria

São Paulo — Foi-se o tempo em que circulavam pelas ruas apenas carros das grandes montadoras líderes em venda, como Volkswagen e GM. Agora, é mais comum você ver aquele modelo passando e não fazer ideia do nome ou da marca. Com uma política agressiva de preços, os chineses vieram para ficar. Mas na hora de escolher o carro novo, você põe na conta o custo do seguro? Deveria.

Levantamento feito pelo site ComparaOnline a pedido de EXAME mostra que os preços do seguro para carros de marcas chinesas recém-chegadas ao país podem ser até 174% maiores do que os valores cobrados pela proteção de um carro similar das marcas tradicionais.

O ComparaOnline selecionou sete modelos chineses vendidos no Brasil e sete carros de montadoras tradicionais similares. Em seguida, foram consultados os preços dos seguros para os 14 veículos, considerando o seguinte perfil: homem, solteiro, 30 anos e residente no centro de São Paulo.

O levantamento considerou os preços para dois tipos diferentes de proteção: a completa, que é o modelo mais tradicional de seguro, que inclui roubo, furto, perda total e o chamado compreensivo (batidas em que o reparo é coberto após o pagamento de franquia); e a flex, que é um tipo de seguro personalizado e, geralmente, não inclui o compreensivo, por isso é mais barato. Para a simulação, a proteção flex considerou roubo, furto e perda total por colisão.

No total, foram consultadas 12 seguradoras parceiras do ComparaOnline, mas nem todas tinham cobertura para os modelos de carros analisados. Para os chineses, a disponibilidade foi bem menor. Na proteção completa, participaram as seguintes seguradoras: HDI Brasil, Bradesco, Tokio Marine, Liberty Seguros, SulAmérica, Seguros Mapfre, Allianz, Sompo Seguros e Porto Seguro. Na proteção flex, participaram: Ituran, Usebens e Suhai.

Apesar de o valor médio do seguro para os carros chineses ser, na maioria dos casos, próximo ao valor médio da proteção para os modelos de marcas tradicionais, há uma diferença enorme quando comparados os valores mais baixos das apólices orçadas.

“O que explica a diferença de preço pode ser o custo do reparo. As montadoras menores geralmente têm uma rede de manutenção reduzida em comparação às marcas tradicionais. As peças podem ter de vir do exterior, as oficinas ficam mais espaçadas, isso tudo influencia no preço da proteção”, diz Bruno Niggli, gerente de seguro auto da ComparaOnline.

Marcos Figueiredo, gerente de operações da Volanty, marketplace de venda de veículos seminovos, avalia que também é preciso considerar a depreciação dos carros. “A depreciação dos carros chinesas costuma ser mais rápida do que a dos modelos de marcas mais tradicionais, mas o preço do seguro não necessariamente acompanha essa queda. O seguro não vai ficar mais barato por isso. Então é preciso levar isso em consideração na hora de escolher um carro”, diz.

A decisão do consumidor, lembra André Massaro, consultor financeiro e autor do blog Você e o Dinheiro, não deve ser pautada apenas no preço do veículo. “Geralmente, os preços dos carros chineses é menor, mas os custos totais de manutenção e seguro podem fazer a compra não valer a pena. É preciso colocar tudo no papel. Saber se vale a pena ou não depende de uma série de fatores, como o perfil do motorista etc.”

Na hora de trocar de carro ou comprar um veículo pela primeira vez, é sempre recomendado verificar antes qual é a média do preço do seguro para aquele automóvel com o seu perfil, independentemente da marca pesquisada. “A opção pelo seguro flex tem que ser muito bem pensada. Apesar de mais barata do que a proteção completa, ela geralmente não inclui cobertura para batidas sem perda total do carro. Então, pode ser que não valha a pena. A pessoa nunca sabe quando vai se envolver em um acidente de trânsito, mas sabe que não terá dinheiro para comprar um carro novo se isso acontecer”, completa o consultor.