Mercado de seguros tem queda de 3,5% no ano por conta da pandemia

17, Ago. 2020

Mercado de seguros tem queda de 3,5% no ano por conta da pandemia

Desempenho de junho contribuiu para mitigar o resultado

Fonte: Agência Brasil

A Agência Brasil destaca que a arrecadação do mercado segurador brasileiro no primeiro semestre deste ano somou R$ 121,07 bilhões, queda de 3,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. O número exclui o ramo de saúde e o seguro de danos pessoais causados por veículos automotores de via terrestre (Dpvat).

A redução não foi maior por causa dos planos de previdência privada VGBL (Vida gerador de benefício livre), admitiu, em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (Cnseg), Marcio Coriolano. Com as taxas de juros baixa, os ativos têm volatilidade reduzida, o que torna os planos de previdência mais atrativos, em função de proteção de mais longo prazo que oferecem, indicou o executivo.

No ano passado, o setor fechou com aumento da receita de 12,2%. Apesar disso, a expectativa para 2020 era de expansão a taxas menores, mesmo antes da pandemia do novo coronavírus. Em janeiro, as médias de crescimento começaram a baixar mas, no primeiro trimestre, houve aumento de 7,8%, ainda sem o efeito da covid-19, porque as medidas de isolamento social só foram decretadas a partir do fim de março.

Marcio Coriolano lembrou que abril foi o pior mês, durante a pandemia, para a economia como um todo, com retração de 21,4% em relação a março, para o mercado de seguros. 'Teve um impacto muito forte para o setor segurador'. No mês seguinte, entretanto, o mercado 'deu uma reagida', também principalmente em função dos seguros de previdência VGBL, evoluindo 11,4%. Sem esses planos, teria ocorrido queda de 2,3% em maio.

Mitigação

Os números de junho revelam crescimento substancial de 32,9%, auxiliado pela expansão de 59,6% dos planos VGBL, sem os quais o aumento no mês teria sido reduzido para 18,3%. Na comparação com junho de 2019, a arrecadação foi de 6,7%. O desempenho de junho contribuiu para mitigar a queda experimentada pelo setor segurador no segundo trimestre do ano, de -13,8%. O destaque, em junho, foi para os segmentos de danos e responsabilidade, com alta de 18,5%, notando-se o início do movimento de recuperação no setor de automóveis, depois de longa paralisação.

Na comparação semestral, o que se percebeu foi uma tendência para 'poupança por precaução', disse o presidente da Cnseg. 'A pandemia despertou nas pessoas a necessidade de precaução, de aversão ao risco'. Os seguros foram demandados de forma diferenciada no primeiro semestre de 2020, comparativamente aos primeiros seis meses do ano passado. Os dados da Cnseg mostram crescimento significativo de ramos de menor ponderação relativa, como o marítimo e aeronáutico (+28,4%), rural (+25,2%) e responsabilidade civil (+19,8%). Na análise dos últimos 12 meses encerrados em junho, foi registrada alta de 6,1%.

Marcio Coroliano diz que o segundo semestre 'será um desafio para a economia como um todo e o setor de seguros não vai escapar desse desafio'.

A VEZ DO BOM SEGURADO

A operação de seguro se caracteriza pela divisão dos prejuízos sofridos por alguns integrantes do grupo por todos os seus membros. É a velha máxima do todos por um transformada na mais eficiente ferramenta de proteção social.

Ao pagar prêmio, o segurado está colaborando para a constituição de um fundo comum, do qual a seguradora retira os recursos necessários para fazer frente aos sinistros de seus segurados, além de custear as despesas administrativas e comerciais, pagar impostos e remunerar o capital dos acionistas.

Durante a maior parte do século 20, as seguradoras trabalharam pela média dos riscos, usando padrões gerais para precificar os seguros em função do objeto, da frequência e do valor médio dos eventos indenizados.

Não havia uma diferenciação em função do perfil do segurado ou da qualidade do risco. Automóvel era automóvel e o seguro era feito levando em conta marca, modelo e ano. Imóvel era imóvel e o seguro levava em conta a utilização e a construção. Assim como no transporte, a seguradora verificava o meio de transporte e o bem transportado. Os dados referentes a cada segurado, com as exceções de praxe, eram deixados de lado, não importando muito o seu perfil de risco.

Para não dizer que não havia diferenciação, no seguro de veículos havia uma tabela de bônus para os motoristas que não usassem o seguro, da mesma forma que no seguro de incêndio havia a diferenciação entre riscos residenciais e riscos empresariais. Mas não havia a individualização do seguro, em função da análise do segurado e das condições do risco, como acontece hoje.

Nesse desenho, o bom segurado pagava o custo do mau segurado. Como na precificação do seguro entravam apenas as médias estatísticas, que eram rateadas proporcionalmente ao risco de cada um por todos os segurados da carteira, não havia praticamente nenhum ganho para o bom segurado. De outro lado, o mau segurado acabava levando vantagem, na medida em que era custeado pelo fundo, que arcava com os prejuízos de todos os sinistros que ele provocasse.

Durante muitos anos, apesar de injusta, essa foi a regra que prevaleceu, até porque as seguradoras não tinham os mecanismos necessários para sofisticar sua conta de aceitação de riscos. Os avanços de TI são recentes e, sem o auxílio da informática, era impossível a utilização dos dados individuais, de pessoas ou empresas, na precificação de seus seguros.

Com o avanço das últimas décadas, essa situação foi radicalmente modificada e atualmente as seguradoras conseguem utilizar praticamente todas as informações sobres seus segurados para chegar no preço justo para cada seguro.

Partindo de premissas comuns a toda a carteira, a seguradora, se valendo de questionários de aceitação de risco onde constam os dados e as informações do segurado, consegue atingir um nível de detalhamento impressionante, cujos efeitos incidem sobre as premissas básicas do seguro, individualizando a apólice de uma forma inimaginável vinte anos atrás.

Atualmente, nem o bom segurado paga pelo seguro do mau segurado, nem o mau segurado paga pelo seguro do bom segurado. Cada seguro é aceito e precificado em função de sua individualização e suas particularidades - quem é o segurado, qual sua experiência passada, como o objeto do seguro é tratado, quais as ameaças externas que o ameaçam, quais as medidas que melhoram o seu grau de proteção, etc.

Esta individualização não tem o dom de modificar as premissas básicas, decorrentes da lei dos grandes números e de tábuas estatísticas sobre as quais os seguros são desenvolvidos. Alguns fatores permanecem imutáveis, ainda que o segurado tenha um perfil melhor ou pior, o que permitiria que o preço do seguro fosse ainda mais baixo ou mais alto do que os limites do produto.

A razão disto está na definição da operação de seguro, pela qual a soma das contribuições de todos os integrantes do grupo serve para fazer frente aos prejuízos que atingem alguns. Ou seja, não há como se desconsiderar o custo real da operação.

Fonte: Estadão / Autor: Antonio Penteado Mendonça

Preços em alta no seguro de responsabilidade civil para executivos

Em 2019, os prêmios foram de R$ 620 milhões e os sinistros chegaram a R$ 825 milhões

Fonte: Valor Econômico

O Valor Econômico conta que as empresas brasileiras estão com dificuldades para contratar o seguro de responsabilidade civil para executivos (D&O) após anos de sinistralidade em alta e a consequente saída de seguradoras e resseguradoras do mercado tornarem a apólice mais cara. O cenário foi agravado pela crise decorrente da pandemia de covid-19, que piorou os balanços, elevou o grau de risco das companhias e levou a um ajuste de preços.

A modalidade é contratada por empresas com o objetivo de proteger seus gestores quando eles são questionados sobre a tomada de decisão nos negócios. Ela arca, por exemplo, com as custas decorrentes de processos judiciais e administrativos contra diretores, presidentes ou conselheiros. No mundo, sua criação remete-se à crise de 1929 nos Estados Unidos, quando da quebra da bolsa de Nova York, mas no Brasil esse seguro se disseminou por volta dos anos 2000.

Seguradoras apontam que a modalidade vive uma espécie de hard market, que ocorre quando as condições ficam tão restritivas que podem levar inclusive ao impedimento de contratar a apólice, algo que vale para o Brasil e o mundo.

No país, dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que, em 2019, os prêmios de D&O foram de R$ 620 milhões, mas os sinistros ocorridos chegaram a R$ 825 milhões. Isto é: pagou-se mais em indenizações do que se ganhou em receitas. Nery Silva, presidente para a América Latina da Generali: quem quer ter a proteção está colocando a mão no bolso: Não seria absurdo ou devaneio estimar que, para o ano que vem, principalmente devido à crise agravada pela covid-19, um cliente que queira comprar não encontre capacidade para o D&O, afirmou Nery Silva, presidente para a América Latina da seguradora italiana Generali.

De acordo com a seguradora, quem quer ter a proteção está colocando a mão no bolso. Há três anos, era possível contratar uma cobertura de US$ 25 milhões por US$ 300 mil. Neste ano, pela mesma capacidade, o cliente terá de desembolsar US$ 4 milhões. Há uma geração de corretores acostumada a dar desconto que está sendo treinada para negociar com clientes que nunca viram os preços subirem, diz Silva.

Embora todas as empresas que estão em busca do D&O encontrem restrições, o endurecimento é maior com aquelas que negociam ações no mercado americano. Por lá, escritórios especializados esmiúçam balanços, comunicados ao mercado e decisões dos gestores em defesa dos investidores minoritários, buscando seus direitos por meio das chamadas class actions. Esses processos eram 220 em 2014, chegaram ao pico de 432 em 2018 e, neste ano, devem fechar em 392, segundo a consultoria econômica Nera. Executivos são levados a explicar danos ambientais, política de cybersegurança, fusões e aquisições, contabilidade duvidosa, entre outros. O seguro acaba pagando pelas custas judiciais, mas também por acordos fechados para evitar um processo.

No caso das empresas brasileiras, processos foram instaurados em decorrência de operações como Lava-Jato, Zelotes e Carne Fraca. Houve acionamento de apólices de construtoras, frigoríficos e instituições financeiras. Foram pagas altas indenizações, mesmo com o seguro não cobrindo atos dolosos: empresas com acordo de leniência, executivos em delação premiada ou gestores culpados. Nesses casos, ou não há liberação do valor ou há ressarcimento à seguradora pelo que foi pago.

Como o mercado de D&O vem de anos de sinistralidade alta, mas o prêmio ainda está se ajustando, tem seguradora que reduziu o apetite de risco. E tem resseguradoras do polo de Londres que decidiram não atuar mais em D&O, disse Fernando Saccon, superintendente de linhas financeiras da Zurich. O executivo não vê um cenário com as empresas sem a apólice, mas assume que está negociando aumentos de franquias e redução de limites de coberturas.

A corretora Marsh identificou, em sua carteira, aumento de taxas de 50% nas renovações de D&O no primeiro semestre de 2020, sendo maior em empresas como mineração e instituições financeiras. No entanto, em companhias brasileiras listadas na Nyse (bolsa de Nova York) ou na Nasdaq, o aumento médio foi de 300%. Executivos dizem, em coro, que a pandemia restringiu ainda mais o mercado de D&O. As seguradoras estão tendo de arcar com indenizações em outras modalidades, como lucros cessantes, pela paralisia das atividades na quarentena, e acabam reduzindo a capacidade para outras linhas.

Além disso, elas perceberam que, na pandemia, os executivos podem ser alvo de mais questionamentos por suas decisões, por exemplo, pela volta dos funcionários ao trabalho e, portanto, mais class actions podem ser acionadas pelos investidores. Estamos enfrentando dificuldade de mercado desde o segundo semestre de 2019, diz Luis Guilherme Menezes, diretor de linhas financeiras da corretora Marsh. Mas a crise trouxe um desempenho mais pobre financeiramente para as empresas, e isso impactará a avaliação de risco das seguradoras e a precificação da apólice.

A Marsh considera que, em um momento de preços mais altos, coberturas restritas e subscrição mais rígida, as empresas devem se antecipar para negociar a apólice e estar mais preparadas para questionamentos sobre os impactos diretos e indiretos da pandemia no negócio. Serão avaliados o comprometimento e a liderança da diretoria, protocolos e procedimentos para eventos inesperados e a qualidade das informações prestadas.

Teste de Covid-19: ANS inclui sorologia na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde

Fonte: O Globo

O Globo relata que os planos de saúde terão que cobrir o teste de sorologia para Covid-19. Após muitas idas e vindas, a norma foi aprovada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) nesta quinta-feira. A regra, no entanto,  restringe a cobertura a pacientes sintomáticos após o oitavo dia do aparecimento de sintomas. A norma tem eficácia imediata a partir da  publicação no Diário Oficial da União nesta sexta-feira.

O  exame identifica a presença de anticorpos  no sangue dos pacientes que foram expostos ao vírus em algum momento, independentemente de apresentarem sintomas da doença. Foram inseridos no rol o teste referente ao IgG ou a anticorpos totais.

A advogada Ana Carolina Navarrete, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), considera que a diretriz para o uso do exame está equivocada: Entendemos que deveria ser obrigação do plano cobrir sorológicos nas situações de pacientes que tiveram contato com pessoas positivadas, mas que não desenvolveram sintomas. O setor privado deve dividir com o sistema público o ônus de rastrear o crescimento da doença na população.

Durante a reunião, os diretores chamaram atenção para a importância da análise técnica para aprovação do teste, a inclusão de novos estudos científicos e defenderam a utilização em pacientes sintomáticos.

O teste de sorologia já havia chegado a ser coberto pelas operadoras por decisão judicial, entre 26 de junho e 14 de julho, quando a medida foi derrubada pelo  Tribunal Regional Federalda 5ª Região. Dois dias depois, em decisão unânime, a diretoria colegiada da ANS suspendeu a Resolução 458 que incluia o procedimento entre aqueles que deveriam ser arcados pelos planos de saúde e convocou uma  audência pública, no último dia 24, para debater o tema.

Para o advogado Rafael Robba, especializado em direito à saúde, do escritório Vilhena Silva Advogados, a decisão é uma conquista para o consumidor, ainda que tardia.

O acesso ao exame veio com algumas diretrizes, mas é uma boa notícia para o consumidor. No entanto, a decisão da ANS veio de forma atrasada e atrapalhada, deixando muito claro que a Agência não sabe lidar com momentos de crise.

Pandemia: Planos de saúde levam atendimento à casa de doentes crônicos

Já para FenaSaúde, entidade que reúne as maiores operadoras do setor, a decisão da ANS 'desconsidera argumentos técnicos expostos por especialistas das mais diversas origens'. A federação destaca que  'levantamentos mostram que, no oitavo dia, quase metade dos resultados podem ser falsos, o que pode levar a comportamentos perigosos num momento crítico da pandemia'. A entidade acrescenta que, segundos especialistas,  o momento adequado para a realização dos testes sorológicos é a partir do 21º dia do início dos sintomas, quando a acurácia do exame é superior a 95%.'

Apesar de admitir que havia solicitado um intervalo de tempo maior para realização do exame, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge),  afirma que ' a avaliação preliminar da Diretriz de Utilização (DUT) para acesso ao teste sorológico é de que está tecnicamente correta'.

Desde março, no início da pandemia, os planos de saúde são obrigados a cobrir outros testes para diagnóstico da Covid-19, como o RT-PCR, que identifica o material genético do vírus em amostras de mucosa do nariz e da garganta.

Além desse, outros seis exames também estão incluídos no Rol de Procedimentos Obrigatórios com objetivo de diagnosticar a doença.

Confira quem pode fazer o exame pelo plano

Pacientes com Síndrome Gripal (SG) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) a partir do oitavo dia do início dos sintomas.

Crianças ou adolescentes com quadro suspeito de Síndrome Multissistêmica Inflamatória pós-infecção pelo SARS-Cov2.

Critérios de exclusão

Quem tiver um exame de  RT-PCR prévio positivo para Sars-Cov-2;

Pacientes que já tenham realizado o teste sorológico, com resultado positivo;

Pacientes que tenham realizado o teste sorológico, com resultado negativo, há menos de um semana (exceto para crianças e adolescentes com quadro de Síndrome Multissistêmica Inflamatória);

Testes rápidos;

Pacientes cuja prescrição tem finalidade de triagem retorno ao trabalho, pré-operatório, controle de cura ou contato próximo/domiciliar com caso confirmado e

Verificação de imunidade pós-vacinal.

Eletrobras vende por R$ 500 mi usina eólica

Negócio segue política de Guedes de privatizar estatal por valor próximo ao lucro.

Fonte: Monitor Mercantil

O controle do Complexo Eólico Campos Neutrais, no qual a Eletrobras investiu R$ 3,1 bilhões, foi vendido à empresa mineira Omega por R$ 500 milhões. Não bastasse a venda ter sido feita por apenas 17% do valor investido, ocorreu em 30 de julho, em plena pandemia. O escândalo se completa quando se tem a informação de que a usina obteve, em 2017, lucro líquido de R$ 345 milhões.

A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (SingeRS), que, ainda em 2018, apresentara denúncia ao Ministério Público apontando a inconstitucionalidade do leilão dos Parques Eólicos do Complexo Campos Neutrais.

O diretor do SengeRS Luiz Alberto Schreiner ressaltou que a empresa não tinha a necessária autorização do Poder Legislativo para realizar a venda, uma vez que a Lei 10.848/2004 contém exclusão expressa da Eletrosul do Plano Nacional de Desestatização e foi derrotada a Medida Provisória 814/2017 que permitiria a privatização da Eletrobras. Além disso, uma liminar concedida pelo ministro do STF Ricardo Lewandowski impede a privatização de empresas públicas sem autorização legislativa.

Considerado o maior complexo eólico da América Latina, Campos Neutrais tinha seus parques instalados nos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí. Foi implantando pela Eletrosul em 2011, com 583 MW e alta performance, segundo o Sindicato.

A venda joga luz sobre a proposta do Governo Bolsonaro de privatizar a Eletrobras. A expectativa do mercado financeiro é que a venda do controle da empresa responsável pela energia elétrica brasileira arrecada entre R$ 12 bilhões e R$ 16 bilhões. Porém, só nos últimos dois anos a estatal lucrou R$ 24 bilhões; apenas no segundo trimestre de 2020 o lucro atingiu R$ 4,6 bilhões. A empresa tem a receber R$ 44,5 bilhões até 2028 e tem R$ 15 bilhões em caixa.

Burocracia: O impagável preço

Pouco passava das 19h do dia 25 de dezembro de 1991 quando a bandeira soviética foi baixada em Moscou pela última vez, substituída em definitivo pelas cores russas pré-revolucionárias. Foi nesse dia que o então presidente da União Soviética, Mikhail Gorbachev, além de renunciar, declarou extinto seu cargo, entregando seus poderes para o presidente russo, Boris Yeltsin.

Um dos fatores que contribuíram para o insucesso da administração soviética parece ser com um ente eleito entre os especialistas: a pesada burocracia, que acabou se tornando uma máquina centralizadora e com pequena capacidade de adaptação ao rápido ritmo de mudanças que a civilização imprimia, e ainda imprime.

Os efeitos da globalização e das inovações tecnológicas que eram compartilhadas pelo mundo, exceto com aqueles blindados pela Cortina de Ferro, colocaram a burocrática URSS em uma posição estática diante de um mundo em constante movimento, onde a habilidade de adaptação tornou-se indispensável para atender às adversidades da evolução. Vivemos hoje um momento sem precedentes em decorrência da Covid-19.

Mundo afora, as nações e organismos internacionais buscam meios de mitigar e evitar os severos impactos da pandemia, principalmente na saúde e economia.De certo modo, na iniciativa privada, a adaptação dos processos, governança e gestão através da utilização de novas tecnologias e métodos se deu de maneira mais rápida e fácil que para as autoridades públicas.

Contudo, faz-se necessário reconhecer exemplos positivos de adaptabilidade à crise em âmbito brasileiro, como é o caso do Judiciário em seus vários níveis.A lei de 2006 que dispõe sobre a informatização do processo judicial tornou realidade o processo eletrônico, ferramenta que permitiu que os Tribunais continuassem a funcionar mesmo diante do isolamento social.

Também merecem destaque os julgamentos colegiados por videoconferência, como a primeira sessão plenária do STF e a inédita sessão por videoconferência realizada pela 3ª turma do STJ. Ainda sobre inovação, vale citar a possibilidade da conciliação não presencial nos JECs; a execução da assembleia geral de credores em ambiente virtual nas recuperações judiciais; a criação dos centros judiciários destinados à promoção e realização de negociações e mediações; e, em destaque, o Provimento nº 100 do CNJ, segundo o doutor Tomas Meireles, um dos maiores avanços na eliminação de burocracia, sem prejuízo à manutenção da fé pública.

Como bem colocado pelo desembargador Elton Leme, a adaptação não foi motivada apenas pela pandemia. Decorreu de um longo processo estratégico de gestão, nos últimos 20 anos, em que o Judiciário reconheceu a necessidade de se modernizar em termos de gestão tecnológica e com isso, acidentalmente, mas não por acaso, chegou a um momento de crise com instrumental técnico-material pronto e maduro para virar a chave e trabalhar no modo tecnológico.

Todavia, infelizmente esta não é a postura que observamos nas diversas esferas do Poder Executivo, que acaba optando por políticas mais imediatistas, com gestores e objetivos de curto prazo, sempre focando na próxima eleição, e não em projetos de Estado.

Hoje é completamente inconcebível que a defesa de uma multa no Departamento Estadual de Trânsito ou a impugnação de valor venal de um imóvel na Fazenda Pública, por exemplo, exijam ações que ainda requeiram presença física do demandante, sem que um sistema eletrônico seja disponibilizado para facilitar a vida da sociedade como um todo.

Com o fracasso da burocracia soviética e considerando as referências de sucesso obtidas pelo Judiciário se valendo da desburocratização dos processos, espera-se que o Executivo trilhe um novo caminho, trazendo o avanço tecnológico que permitirá a quebra de paradigmas que sobrepesam, encarecem e alongam o cotidiano do empresário e do cidadão brasileiro. Como pontuou o ministro do STF e presidente do TSE, Luís Roberto Barroso: Tem se falado que, depois da crise, haverá um novo normal. E se não voltássemos ao normal? E se fizéssemos diferente?

Autor: Luis Felipe Salomão Filho é consultor e perito / Fonte: Jornal O Globo

Governança, Gestão de Riscos e Compliance (GRC) são fatores primordiais para o sucesso das empresas

Diante da crescente pressão de interesses por parte de shareholders (acionistas) e stakeholders (público interessado) cada vez mais ativistas e engajados nos desígnios das organizações, nos deparamos com o crescimento de regulações e normatizações incidindo sobre comportamentos individuais e organizacionais. Também crescem os fatores de riscos, devido aos novos modelos econômicos, tecnológicos e sociais, disruptivamente, transformando modelos de negócios e, aceleradamente, impactando na vida das organizações e famílias.

Apresenta-se assim, um cenário que exige maior e melhor resiliência organizacional, além de melhores controles e mecanismos promotores de transparência, previsibilidade e confiabilidade.

Nesse contexto, tornam-se pertinentes e vitais as verdadeiras práticas e estruturas de governança em todas as suas dimensões, bem como, a adoção de processos e soluções integradas de Governança, Gestão de Risco e Compliance (GRC), como fator sistêmico na obtenção de informações de qualidade e operacionalidade da gestão empresarial e sua governança.

As tendências para os próximos tempos, que devem testar cada vez mais as organizações e moldá-las sob intensa pressão, exigem respostas rápidas em governança por parte das empresas, entre as quais, podemos destacar:

A instituição de conselhos com maior caráter de independência e engajamento, com melhor composição e diversidade;

Governança da gestão de riscos associada à melhor performance;

Maior responsabilidade e engajamento do acionista;

Foco em estratégia e resiliência organizacional, com atenção à criação e proteção de valor;

Ética, códigos e controles permeando a conduta organizacional;

Governança da informação, da capacidade digital e do risco cibernético;

Tone-at-the-Top Governance, o compromisso, como cultura organizacional, com a instituição de governança e com a integridade advinda de famílias, acionistas, conselhos e líderes empresariais.

Evolução estratégica não existe sem governança. Quando uma empresa busca maior profissionalização para um processo de expansão ou globalização, um eficiente sistema de controles e demonstração de previsibilidade e confiabilidade é exigido. A gestão muda, e a governança e suas estruturas passam a ser sustentadas por processos e soluções integradas de GRC, vitais e efetivos na demonstração de confiança ao mercado e às partes interessadas.

Processos de GRC são fundamentais para qualquer empresa, principalmente para a criação e proteção de valor. A principal tarefa da alta gestão, líderes empresariais e conselhos é criar valor aos stakeholders e shareholders, tendo contudo, do outro lado da equação, a proteção do valor; o que torna correta a perspectiva de GRC, que está voltada para a criação e a proteção do valor, com vistas à organização em contexto global e em como seus atores a governam.

O real conceito de GRC

Para entendermos do que se trata, efetivamente, a sigla GRC, é necessário termos uma abordagem integrada das práticas distintas de governança, gestão de riscos e conformidade regulatória e normativa, que na maioria das vezes, são adotadas em silos separados pelas empresas, tornando-se até redundantes e conflituosas, gerando inconsistências e ineficiências; o que coloca em risco o tempo da correta tomada de decisão, comprometendo a performance e rápida reação da empresa em cenários competitivos e voláteis.

E é exatamente nesse contexto que a integração e a automação dos processos de governança, riscos e compliance vêm a ser vital para a resiliência organizacional e a passagem no teste do tempo. Em breve período, empresas que tiverem processos bem definidos de GRC, integrados à forma de como fazem negócios, irão sair-se muito bem, terão sucesso e serão exemplo ao mercado.

O fato é que não podemos mais pensar apenas localmente. Precisamos conhecer o nosso tempo, inserido na velocidade do mundo, onde a governança deve entregar resiliência organizacional, criar e proteger valor.

Não podemos governar novos e desafiadores tempos sem novas práticas de governança.

Fonte: Migalhas / Autor: Vladimir Barcellos Bidniuk é diretor especialista em Governança Corporativa e GRC da Moore Stephens.

Agronegócio segurou queda do PIB Brasileiro

As exportações cresceram 10% no primeiro semestre

Fonte: Monitor Mercantil

Com safra recorde de grãos e aumento nas exportações, o agronegócio brasileiro foi essencial para segurar a atividade econômica durante a pandemia do novo coronavírus, disse nesta sexta-feira a ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Em entrevista ao programa AVoz do Brasil, programa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ela destacou a safra recorde deste ano e o Plano Safra como elementos que fizeram o setor crescer, enquanto o restante da economia sofria nos últimos meses.

O agronegócio foi o motor da economia e conseguiu não deixar nosso PIB (Produto Interno Bruto) cair (mais que o previsto). Foi gerador de riquezas para o mercado interno, para as exportações e para o emprego. O agro brasileiro não deixou de empregar. Alguns setores até aumentaram o emprego durante este período difícil da pandemia, ressaltou a ministra.

Tereza Cristina atribuiu a safra recorde de grãos 2019/2020, estimada em 253 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ao investimento em pesquisa e desenvolvimento e à boa chuva na maior parte dos estados no início do ano. Segundo ela, a articulação com o Ministério da Infraestrutura, no início da pandemia, foi essencial para impedir problemas de logística e evitar desabastecimentos.

Exportações

A ministra ressaltou que as exportações do agronegócio cresceram 10% no primeiro semestre (em relação aos seis primeiros meses de 2019) e totalizaram US$ 61 bilhões. O Brasil é o celeiro do mundo. Alimentamos nossos 212 milhões de habitantes e exportamos para alimentar mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, declarou.

Para Tereza Cristina, a abertura de novos mercados foi imprescindível para manter o crescimento das vendas externas e diversificar a pauta, reduzindo a dependência da soja e das carnes. Segundo ela, o Brasil passou a exportar alimentos para 51 novos mercados apenas em 2020 como resultado de negociações com parceiros comerciais. Desde 2019, 89 novos mercados foram abertos para o agronegócio brasileiro.

Entre os produtos que passaram a ser exportados, estão laticínios (queijo, iogurte e leite em pó) para a China, castanha de baru e chá-mate para a Coreia do Sul, peixes para a Argentina, castanha para a Arábia Saudita e gergelim para a Índia.

Em relação à safra de 2020/2021, que começa a ser plantada neste semestre, a ministra ressaltou que o Plano Safra deste ano destina R$ 236 bilhões em crédito subsidiado para os produtores rurais. Segundo Tereza Cristina, neste ano, o plano privilegia os pequenos e médios produtores, que tradicionalmente têm mais dificuldade de acesso ao crédito, e projetos de sustentabilidade e de tecnologia da informação no campo.

ACESSE A REVISTA SEGURO TOTAL: Encaminhamos o link para acesso à última edição da Revista Seguro Total. Boa leitura! https://revistasegurototal.com.br/wp-content/uploads/2020/07/web210-3.pdf