Gestão de Riscos de Projetos de Geração Eólica

02, Set. 2020

Gestão de Riscos de Projetos de Geração Eólica

Fundamental no processo de análise e tomada de decisão de investimento, a análise de riscos visa constatar se o nível de exposição do investidor a riscos do projeto é tolerável e compatível com o retorno esperado.

Fonte: Brasil Energia

A análise de riscos é etapa fundamental no processo de análise e tomada de decisão de investimento e de financiamento de um projeto de geração eólica. Imagine investir em um projeto e, na fase operacional, defrontar-se com uma produção anual de energia elétrica, na média, 10% abaixo do P50 estimado.

Relatório publicado pela Fitch Ratings (2020)[1] apresenta uma análise comparativa da estimativa inicial de produção anual de energia elétrica P50 certificada com a produção efetiva de 58 projetos operacionais de geração eólica e solar FV localizados em 12 países. Dentre os projetos eólicos, 89% das medições anuais foram inferiores à estimativa P50, sendo 53% abaixo em mais de 10%. Este é apenas um de inúmeros riscos que projetos de geração eólica estão sujeitos.

É, portanto, essencial que o investidor/credor realize, previamente ao investimento, uma análise de riscos detalhada, completa, fundamentada e isenta. Neste sentido, o objetivo deste artigo é propor metodologia para análise de riscos de projeto eólico e definição da estratégia de mitigação e alocação destes riscos, do ponto de vista do investidor.

Metodologia para Projetos de Geração Eólica

No caso de projetos de geração eólica, propõem-se as seguintes etapas para a metodologia de análise de riscos e estratégia de gerenciamento:

Etapas da análise e gerenciamento de riscos de um projeto de geração eólica

Identificação e Segmentação dos Riscos

Nesta primeira etapa, a identificação dos possíveis riscos deve ser exaustiva. Devem ser considerados riscos desde a fase de desenvolvimento do projeto, da construção, da partida da usina até a fase operacional. Após a identificação, a próxima etapa é a segmentação em categorias. A segmentação é uma forma de organizar e categorizar os riscos. Facilita sua identificação, análise e definição da estratégia de gerenciamento. De forma a contemplar as particularidades de projetos de geração eólica no Brasil, propõe-se metodologia com 14 categorias de risco, conforme figura abaixo.

Categorias de riscos de projetos de geração eólica

Engenharia, Construção, Instalação e Montagem

São, por exemplo, os riscos de acidentes durante a instalação e montagem de aerogeradores, sobrecusto no investimento, atraso do início da operação comercial, erros que afetem o desempenho futuro da usina (eficiência e disponibilidade) e performance contratual de terceiros contratados que podem não cumprir preço, prazo ou qualidade especificada nos contratos.

Operacionais

Consideram-se riscos operacionais todos aqueles inerentes à manutenção, operação e conservação da usina eólica que impactem seus custos, desempenho (eficiência e disponibilidade) ou vida útil.

Responsabilidades

Englobam riscos de danos a terceiros, usuários, empregados e subcontratados. Os riscos de responsabilidades são amparados pelo Código Civil brasileiro. Ele estabelece, no Parágrafo Único do artigo 927[2], que aquele que causar um dano a outrem será obrigado a repará-lo.

Socioambientais

O risco ambiental existe quando os impactos e características ambientais da implantação e operação do projeto possam causar um atraso ou restrição em seu desenvolvimento e operação. Ou quando demande investimentos e/ou compensações acima do previsto. O risco social surge quando os impactos sociais do projeto possam causar um atraso ou restrição em seu desenvolvimento e operação.

Caso Fortuito e Força-maior

Trata-se de eventos que vão além do controle dos participantes de um projeto e que possam impactar, no curto prazo, sua operação ou, por período prolongado, sua continuidade. São exemplos: catástrofes naturais, guerra e, em alguns casos, greves.

Crédito

Este é o risco da usina vender e entregar a energia elétrica, porém não ser paga, parcial ou integralmente, ou ser paga em atraso.

Financeiro e Variação Cambial

É a exposição aos efeitos de possíveis desequilíbrios no fluxo de caixa da usina, decorrentes das projeções quanto à inflação, taxa de juros e de câmbio (BORGES; FARIA, 2002)[3]. Deve também ser considerada como um risco financeiro a incompatibilidade de prazos médios de recebimento e pagamento entre os diversos contratos do projeto.

Mercado

É o risco do projeto, ao longo de sua vida útil, não gerar a receita esperada a partir de um dado volume de produção. De forma simplificada, trata-se da equação volume de venda multiplicado por preço de venda.

Regulatório e Tributário

É o risco de decisões governamentais regulatórias e tributárias impactarem negativamente o fluxo de caixa do projeto. Por exemplo, potenciais impactos causados pelas reformas do setor elétrico (PLS nº 232/2016[4]) e tributária em discussão.

Político e Ato de Administração

Consideram-se riscos políticos, de modo geral, as decisões políticas que afetem o projeto por meio de manifestações unilaterais de governantes, políticos, administradores públicos e legisladores (DABUS, 2017[5]). Exceção feita a decisões políticas regulatórias e tributárias, enquadradas na categoria de risco Regulatório e Tributário.

Tecnológico

Existe quando a tecnologia adotada, na escala proposta ao projeto, não tem um desempenho de acordo com as especificações ou se torna prematuramente obsoleta (FINNERTY, 2013, p. 79, tradução nossa[6]). Por exemplo, eventual frustração de desempenho de turbinas de maior potência sem histórico operacional no Brasil.

Financiabilidade

É o risco de insuficiência parcial ou total de recursos para financiar o projeto. Engloba capital próprio (equity) e de terceiros (dívida), tanto para implementação do projeto quanto para eventuais aportes complementares para concluí-lo ou recompor seu fluxo de caixa. Do lado da dívida, contempla também o risco de atraso na contratação e/ou desembolso de recursos e a obtenção de financiamento em condições menos favoráveis do que o esperado.

Recurso Eólico

É o risco do recurso eólico ser inferior ao estimado ou a produção de energia elétrica a partir de um dado recurso eólico ser inferior devido a interferências naturais.

Margem de Escoamento

É o risco do projeto sofrer qualquer restrição de acesso ao sistema de transmissão/distribuição de energia elétrica ou de, tendo o acesso, sofrer qualquer restrição de despachar energia elétrica. A restrição de acesso ou de despacho pode ser tanto temporária quanto definitiva. No caso da restrição de despachar, ela pode ser tanto sobre uma parcela do volume de energia elétrica produzida, quanto sobre o volume total.

Análise de Riscos

Deve-se avaliar, para cada risco, possíveis causas, consequências, a severidade do potencial impacto no fluxo de caixa do projeto e respectiva probabilidade de ocorrência. Ao final, será possível concluir quais são os riscos mais críticos para os quais se deve dar maior prioridade na elaboração da estratégia de gestão de riscos do projeto. Recomenda-se o uso de uma matriz de riscos para facilitar a análise.

Matriz de Riscos, adequada para projetos de geração eólica. Para exemplificar seu uso, listou-se dois riscos hipotéticos aplicáveis a projetos do setor. Ambos foram classificados sob as categorias Engenharia & Construção.

Matriz de Riscos de projeto de geração eólica

Devem ser listados riscos identificados específicos ao projeto em análise. Na Categoria a segmentação do respectivo risco. Nas Causas, devem ser listadas todas as possíveis causas e atribuída nota referente à probabilidade de ocorrência deste risco, derivado destas causas. Na sequência, as Consequências, devem ser listadas as prováveis consequências decorrentes da ocorrência do risco e atribuída nota referente à severidade do impacto no fluxo de caixa do projeto. Por fim, está a multiplicação dos parâmetros severidade e probabilidade, que possibilitará o mapeamento dos riscos mais críticos.

O parâmetro probabilidade representa a chance esperada de ocorrência de determinado risco. Deve ser dada nota de 1 a 5, sendo 1 possibilidade remota e 5 provável. O parâmetro severidade avalia o nível do impacto decorrente da materialização do risco no fluxo de caixa do projeto. Deve ser dada nota de 1 a 5. Quanto maior o produto dos parâmetros severidade pela probabilidade, maior atenção deve ser dada a este risco. Esta informação vale tanto para direcionar quais premissas devem ser submetidas à análise de sensibilidade (etapa 3), quanto para priorizar esforços na definição e aplicação da estratégia de alocação e mitigação destes riscos (etapa 4).

Mapa de gestão de riscos / Análise de Sensibilidade

Classificados os riscos mais relevantes, deve-se quantificar objetivamente seus potenciais impactos no fluxo de caixa do projeto. Para isso, recomenda-se fazer análises de sensibilidade de premissas, individualmente, no modelo econômico-financeiro. Nem todos os riscos identificados corresponderão a uma premissa específica do modelo. Nestes casos, para quantificá-lo, deve-se considerar suas consequências econômicas no fluxo de caixa do projeto.

Todos os resultados das sensibilidades devem ser comparados ao cenário base. Recomenda-se avaliar não somente os impactos no VPL e na TIR do fluxo de caixa livre ao acionista, mas também na TIR do fluxo de caixa livre ao projeto, no endividamento sobre usos totais e no volume de capital próprio necessário.

Estas análises municiarão o investidor/credor na avaliação da robustez da geração de caixa do projeto quando sujeito a situações adversas. Quanto maior a variação do retorno do projeto para cada variação unitária de uma premissa, mais representativa é esta premissa e este risco. Logo, maior deve ser a dedicação em mitigá-lo e compartilhá-lo com terceiros.

Estratégia de Mitigação e Alocação dos Riscos

Mapeados os riscos mais relevantes e quantificados seus impactos potenciais, deve-se elaborar a estratégia de gerenciamento destes riscos. Quais ações tomar para diminuir a probabilidade de ocorrência de riscos e atenuar a severidade de suas consequências financeiras no fluxo de caixa do projeto?

Podem ser tomadas medidas de dois tipos: mitigadoras das causas dos riscos, visando diminuir a probabilidade de sua ocorrência; e mitigadoras das consequências, visando atenuar a severidade das consequências financeiras de sua materialização. A primeira trata de ações preventivas. A segunda, principalmente, de medidas para alocação/compartilhamento dos impactos financeiros dos riscos com terceiros.

Para ilustrar a diferença destes dois conceitos, serão analisadas ações de mitigação aplicáveis ao risco sobrecusto na construção, considerado na Matriz de Riscos. Neste exemplo, seria medida de mitigação da causa realizar análise de solo e subsolo no local onde será construída cada uma das torres, previamente à contratação da construção. Com isso, seria possível estimar com maior precisão o orçamento para fundações. Seria medida de mitigação da consequência contratar apólice de seguro de Risco de Engenharia com cobertura para acidentes decorrentes de fundações e serviços correlatos. Neste caso, o sobrecusto seria alocado à seguradora até o valor do limite da cobertura. Portanto, a consequência financeira do risco seria compartilhada.

São cinco as estratégias possíveis de alocação das consequências da materialização de um risco: (i) para terceiros via contratos; (ii) para terceiros via apólices de seguro; (iii) para terceiros via o uso de derivativos; (iv) para terceiros por meio de instrumentos de garantias financeiras, como Seguro Garantia e Fiança Bancária; ou (v) assumir integralmente o risco. A estratégia de alocação para terceiros pode ser integral ou parcial (compartilhamento).

Na maioria dos casos as medidas de mitigação, tanto de causas quanto de consequências, trazem custo adicional ao projeto. Caberá ao investidor avaliar, via análise de sensibilidade no modelo financeiro, a relação risco retorno de cada medida.

Conclusões

A identificação dos diversos riscos depende do entendimento de um projeto em específico, inserido em um setor específico com localização específica (HOFFMAN, 2008)[7]. Para isso, é necessário entender e considerar as particularidades e riscos de projetos eólicos aplicados à realidade brasileira.

Da mesma forma, a relevância e abrangência de cada risco, assim como suas possíveis estratégias de mitigação e alocação dependerão das características de cada projeto. Para Hoffman (2008), os riscos de um projeto, cuja estruturação é feita por meio de project finance, devem ser alocados àqueles participantes mais capacitados a gerenciá-los. O racional é o de evitar agravação excessiva e desnecessária dos custos do projeto. Em todos os casos, medidas mitigatórias para as causas dos riscos são bem vindas. Isso, pois mesmo que um terceiro assuma determinado risco, ele irá buscar uma remuneração adequada por assumi-lo.

Ao final, o objetivo da análise é constatar se o nível de exposição pelo investidor/credor a riscos do projeto é tolerável e compatível com o retorno esperado.

[1] Fitch Ratings. Global renewables performance review: solar continues to surpass wind. Global Infrastructure & Project Finance. Special Report. Publicado em 16/01/2020.

[2] BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília. 2002.

[3] BORGES, Luiz F. X.; FARIA, Viviana C. S. Project Finance: considerações sobre a aplicação em infraestrutura no Brasil. Revista do BNDES, v. 9, n. 18, p. 241-280, dez. 2002.

[4] BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei do Senado nº 232/2016.  Dispõe sobre o modelo comercial do setor elétrico, a portabilidade da conta de luz e as concessões de geração de energia elétrica, altera as Leis nº 9.427/1996, 9.478/1997, 9.648/1998, 10.847/2004, 10.848/2004, 12.783/2013 e a MP n. 2.227/2001.

[5] DABUS, André. Riscos gerenciáveis e não gerenciáveis em concessões de rodovias. Revista de Direito Público da Economia, v. 15, n. 57, p. 43-79, jan-mar. 2017.

[6] FINNERTY, John D. Project financing: asset-based financial engineering. 3. ed. New York: John Wiley, 2013.

[7] HOFFMAN, Scott L. L. The law and business of international project finance. 3. ed. Ardsley: Cambridge, 2008.

Eduardo Tobias Ruiz é sócio fundador e Diretor da Watt Capital

André Dabus é Diretor de Infraestrutura e Construção na Marsh Brasil

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Mundo pós-pandemia: Coronavírus vai mudar a vida da população mundial

Estudo aborda como a residência, a saúde, a mobilidade e as viagens podem evoluir em 2021

Fonte: Allianz Partners / Sonho Seguro

Com o fim da pandemia global, previsto para dezembro de 2020, surgirá uma nova maneira de viver e o mundo, com certeza, será muito diferente. Tendo em vista antecipar algumas mudanças que moldarão essa nova realidade, a Allianz Partners, líder em assistência 24 horas e seguro viagem, produziu, em parceria com o Futurologista Ray Hammon, o relatório Life after COVID-19. Dividido em quatro categorias, casa, saúde, mobilidade pessoal e viagens, o conteúdo exclusivo traz os seguintes destaques:

Casa: as residências não serão mais um lugar para passar apenas noites e fins de semana, elas se tornarão uma fortaleza digital multifuncional;

Saúde: a tecnologia digital para a saúde será a norma, incluindo a telemedicina e incentivando a rápida adoção de tecnologias vestíveis, que são dispositivos inteligentes utilizados como um acessório (relógios, pulseiras ou até mesmo óculos de realidade virtual);

Mobilidade pessoal: as viagens rodoviárias voltarão aos níveis normais e as principais cidades do mundo continuarão reorganizando a infraestrutura para estimular o uso da micromobilidade;

Viagens: medidas rigorosas de saneamento serão adotadas em todo o setor de lazer e turismo e as viagens aéreas de lazer provavelmente voltarão aos níveis pré-COVID-19 somente após alguns anos.

Que são melhor detalhados abaixo:

1) A casa assume uma dimensão completamente nova

A Covid-19 acelerou o futuro das casas e deu a elas um novo papel. Embora o trabalho em casa tenha sido uma exceção antes da pandemia, ela se tornará cada vez mais normal para os empregos que a permitem. O lar, portanto, se tornará mais do que apenas um local de lazer, será um centro de trabalho. Isso incluirá seu uso crescente para profissões como personal trainer, locutores de rádio e psicoterapeutas. Além disso, a residência se tornará um centro de aprendizado, pois os universitários terão cada vez mais probabilidade de passar um semestre ou dois na casa dos pais.  A casa do futuro também será transformada em uma fortaleza digital com sensores inteligentes, e até mesmo monitoramento integrado de saúde, como equipamentos e aplicativos de diagnóstico eletrônico, que permitirão a segurança e a independência dos moradores.

No futuro, será um local em que poderemos obter atendimento médico e acomodar equipamentos e serviços para idosos. A longo prazo, algumas famílias poderão escolher criar espaço em casa para cuidar de um membro da família que necessite de cuidados específicos. Além disso, será possível realizar conexões de vídeo para permitir que as pessoas vulneráveis sejam tratadas remotamente pelos profissionais de saúde, no conforto de sua própria casa.

2) Os cuidados de saúde terão que responder a novas expectativas

As sociedades reformadas que emergirão da pandemia de 2020 estarão mais sábias e muito mais preparadas para lidar com qualquer novo risco à saúde pública. A opinião pública exigirá mais gastos com saúde por parte dos governos, e os países localizarão cada vez mais cadeias de suprimentos médicos para garantir acesso rápido a medicamentos e equipamentos.

Médicos e pacientes continuarão, na medida do possível, a realizar consultas de rotina remotas e online, pois a entrega digital de serviços e informações médicas tem o potencial de aliviar as imensas filas dos sistemas de saúde. Durante a crise da Covid-19, além de permitir consultoria e apoio aos pacientes, a telemedicina também ajudou a impedir a propagação do vírus, reduzindo o número de pessoas que visitam clínicas e hospitais. A tecnologia se tornará habitual com a rápida adoção de tecnologias vestíveis.

Com a chegada da pandemia e o subsequente isolamento social, o número de pacientes que relataram problemas de saúde mental, como tristeza, aumento da ansiedade e depressão, aumentou drasticamente. Os profissionais de saúde mental também têm feito uso considerável de aconselhamento remoto, o que permite um melhor acompanhamento médico a longo prazo para aqueles que mais sofrem.

Prevê-se que as consequências da saúde mental durem mais que a própria pandemia; é muito provável que os profissionais continuem a usar as consultas por vídeo em sua combinação de métodos de tratamento no futuro.

3) Uma mudança em direção no compartilhamento e mobilidade flexível

Embora o uso de máscaras inteligentes permita identificar as pessoas doentes, o volume de passageiros nos trens será reduzido e muitas pessoas vão repensar suas viagens. Durante os lockdowns, as pessoas descobriram que podiam pedir suas compras ou outros itens de compras online com facilidade e rapidez. Muitos trabalhavam em casa e agora se perguntam se faz sentido possuir um carro. É provável que isso acelere a tendência de aluguel de carros a curto prazo, e não a posse de carros, e provavelmente aumente o número de pessoas que utilizarão o modelo de compartilhamento de carros.

Nos últimos meses, milhares de quilômetros de ciclovias foram construídas em cidades que estão sendo fechadas ao trânsito. Viajantes de todo o mundo adotaram massivamente a bicicleta à medida que emergem dos meses de isolamento social. Isso terá um impacto positivo no uso de novos modos de micromobilidade, como bicicletas, bicicletas elétricas, patinetes e scooters (compartilhadas e próprias) que podem levar as pessoas para diversos lugares e ainda evitar o uso de transporte público, ajudando a reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa e melhorando a qualidade do ar.

Ao mesmo tempo, as autoridades precisarão fornecer pontos de carregamento, criar mais ciclovias e regular o uso para garantir que os motociclistas estejam seguro, respeitem os limites de velocidade, usem capacete e tenham responsabilidade pelos itens de mobilidade compartilhada. Com o aumento do uso e por ser um equipamento compartilhado, os fornecedores precisarão garantir a segurança de todos e fornecer regras de higiene e dicas de seguranças básicas.

4) A experiência de viagem nunca mais será a mesma

A Covid-19 tem sido um verdadeiro ponto de virada para a indústria de viagens: aviões permanecem aterrados, serviços de trem reduzidos, navios de cruzeiro não puderam atracar por causa de passageiros infectados e restaurantes e hotéis tiveram que fechar por causa de medidas sanitárias. O período pós-pandemia abrirá uma nova era de precaução com menos espontaneidade e mais proteção contra o vírus.

Prevê-se que o transporte aéreo de curta distância e as viagens aéreas domésticas se recuperem primeiro, mas os viajantes mudarão de comportamento, incluindo máscaras durante toda a jornada e os abraços e beijos de despedidas dos familiares serão fora do aeroporto. Em alguns casos, pontes de embarque, ou ponte telescópica para aviões serão usadas como um túnel desinfetante. As companhias reduzirão as malas da cabine para acelerar o embarque e reduzir o risco de contaminação, além de diminuir os serviços de bordo.

Os mais afetados certamente serão a indústria de cruzeiros, pois ninguém tem uma visão clara de como eles podem ser organizados, respeitando o distanciamento social e, acima de tudo, a quarentena de viajantes doentes para evitar a contaminação.

A hospitalidade será impactada por medidas aprimoradas de saneamento. É provável que os restaurantes reabram com menos horas, por menos dias, com muito menos mesas e menus bastante simplificados. Enquanto isso, os pedidos de entrega e retirada de aplicativos para smartphones continuarão em alta. Os pacotes all inclusive de hotel provavelmente serão redesenhados para remover a entrega de comida e bebida em estilo buffet, e assim garantir que os hóspedes recebam serviço em suas mesas individuais e distanciadas. As excursões locais deverão ser fornecidas para festas individuais e, inevitavelmente, serão mais caras.

Finalmente, as viagens de negócios serão reconsideradas, pois a pandemia mostrou que o gerenciamento global de projetos pode ser feito por videoconferência, permitindo reduções de custos financeiros e de emissões de Gases de Efeito Estufa. Provavelmente, apenas reuniões comerciais, exposições e eventos esportivos internacionais voltarão aos níveis normais no futuro próximo.

Sirma Boshnakova, CEO da Allianz Partners, comenta: A crise do Coronavírus tem nos levado a muitas mudanças na maneira como vivemos nossa vida cotidiana e, com isso, as expectativas e os comportamentos dos consumidores evoluíram. Encomendamos este relatório para poder antecipar e desenvolver as soluções mais inovadoras e eficazes para nossos clientes, oferecendo a eles tranquilidade agora e no futuro. Como líder em serviços de assistência 24 horas e seguro viagem, estamos prontos para apoiar as transformações nos negócios mais importantes para o nosso grupo: residencial, saúde, auto e viagens.

Rússia anuncia que 1º lote de vacina contra Covid-19 está previsto pra setembro

Fonte: InfoMoney

A vacina ganhou noticiários após ser a 1ª contra a Covid-19 aprovada e pela crítica da comunidade cientifica sobre a falta de testes

Nesta segunda-feira (31), Mikhail Murashko, ministro da Saúde da Rússia, anunciou que o primeiro lote da vacina desenvolvida pelo país, chamada de Sputnik V, estará pronto no começo do mês de setembro. Segundo a autoridade russa, uma campanha de vacinação em massa começará no país em outubro deste ano.

A vacina será primeiramente dada para trabalhadores da área da saúde e professores, disse Murashko, afirmando também que a vacinação não será obrigatória.

O Ministério da Saúde russo ainda afirmou que mais de 20 países já encomendaram doses do medicamento. A expectativa é que a população civil do país comece a ser vacinada a partir do dia 1º de janeiro de 2021, segundo um registro no site do ministério da saúde russo.

Vacina foi aprovada, mas testes começam agora

Embora já tenha sido aprovada, a vacina russa deve iniciar sua terceira fase de testes, com 40 mil voluntários, nesta semana, segundo informações publicadas no Clinical Trials, site do governo americano que compila estudos clínicos privados e públicos conduzidos em todo o mundo.

Dos 40 mil voluntários, a expectativa é que 30 mil participantes recebam a vacina, e os outros 10 mil, um placebo (substância inativa), para servir de grupo de controle. Murashko declarou que já foram recrutadas cerca de 2,5 mil pessoas para os testes.

O ministro ainda disse que a produção da vacina caminha paralelamente ao monitoramento, pós-registro, da eficácia da imunização.

Quanto à vacinação contra o coronavírus, neste momento, simultaneamente, o aumento da produção e a observação pós-registro estão em andamento. Em primeiro lugar, claro, as vacinas serão fornecidas para profissionais de saúde e professores, e isso [vacinação] será absolutamente voluntária, declarou.

Vacina ainda levanta dúvidas

A Sputnik V ganhou os noticiários mundiais não apenas por ter sido a primeira vacina contra a Covid-19, mas também pelas críticas da comunidade cientifica internacional, que questiona a falta de estudos que comprovem a eficácia e segurança da vacina.

De acordo com o último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado em 28 de agosto, 33 vacinas contra o coronavírus estão em fase de testes e outras 176 estão em desenvolvimento. Das 26 em testes clínicos, 6 estão na última fase.

Agronegócio ajuda no superávit recorde da balança comercial

Queda de 25,1% nas importações e de apenas 5,5% nas exportações em agosto.

Fonte: Monitor Mercantil

A queda nas importações em ritmo maior que a redução das exportações fez a balança comercial registrar superávit recorde em agosto. No mês passado, o país exportou US$ 6,609 bilhões a mais do que importou, o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1989.

Tanto as exportações como as importações caíram no mês passado. Em agosto, o país vendeu US$ 17,741 bilhões para o exterior, com recuo de 5,5% pelo critério da média diária em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações, no entanto, caíram mais, somando US$ 11,133 bilhões, redução de 25,1% também pela média diária.

No momento em que o governo divulga no Orçamento para 2021 uma redução de US$ 80 milhões para o agronegócio, o superávit obtido em agosto deve-se, fundamentalmente, as exportações da agropecuária que subiram 32,64%. Entre os produtos que puxaram o crescimento das exportações agropecuárias, os destaques foram a soja, cujo valor vendido aumentou US$ 443,3 milhões em relação ao mesmo mês do ano passado, e o algodão bruto, com alta de US$ 80,9 milhões na mesma comparação.

Com o resultado de agosto, a balança comercial acumula superávit de US$ 36,594 bilhões nos oito primeiros meses do ano. Esse é o terceiro melhor resultado da série histórica para o período, perdendo para janeiro a agosto de 2017 (superávit de US$ 48,1 bilhões) e de 2018 (superávit de US$ 36,7 bilhões).

No acumulado de 2020, as exportações somam US$ 138,633 bilhões, retração de 6,6% na comparação com o mesmo período de 2019 pela média diária. As importações totalizam US$ 102,039 bilhões, recuo de 25,1% pelo mesmo critério.

A maior parte da alta do saldo em agosto é explicada pela queda da importação da indústria extrativa, que recuou 59,51% em relação ao mesmo mês do ano passado, e da indústria de transformação, cujas compras do exterior encolheram 23,78%. Do lado das exportações, as vendas da indústria de transformação caíram 14,2%, e as vendas da indústria extrativa recuaram 8,6%.

Categorias

Na indústria extrativa, caíram as exportações de minério de ferro, com retração de US$ 442 milhões em relação a agosto do ano passado, e de óleos brutos de petróleo, com recuo de US$ 451,6 milhões. Nos dois casos, a queda deve-se à variação negativa dos preços internacionais na comparação com 2019, porque os volumes embarcados ficaram estáveis no caso do ferro e aumentaram 21% no caso do petróleo.

Na indústria de transformação, as maiores quedas foram registradas nas exportações de motores e máquinas não elétricos (-US$ 187 milhões), celulose (-US$ 157,8 milhões) e óleos combustíveis de petróleo (-US$ 152,6 milhões). Além da pandemia de covid-19, que impactou a economia em todo o planeta, a crise na Argentina, principal destino das exportações industriais brasileiras, contribuiu para o resultado.

Depois de o saldo da balança comercial ter encerrado 2019 em US$ 48,035 bilhões, o segundo maior resultado positivo da história, o mercado estima menor superávit em 2020, motivado principalmente pela pandemia do coronavírus, causador da Covid-19. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado preveem superávit de US$ 55 bilhões para este ano. Em julho, o Ministério da Economia atualizou a estimativa de saldo positivo para US$ 55,4 bilhões.

Produção, vendas internas e demanda dos produtos químicos de uso industrial sobem em julho

Fonte: Abiquim

Apesar da recente retomada, ainda não foi possível reverter a trajetória negativa no acumulado do ano

A produção de químicos de uso industrial teve a segunda alta em dois meses e subiu 15,21% em julho, em comparação com junho, quando o índice já tinha subido 11,26% na comparação com o mês anterior. Também em julho, as vendas internas cresceram 22,69% e somado aos crescimentos alcançados em junho, 19,53% e em maio, 16,02%, o índice de vendas internas acumulou aumento de 70,1% nos últimos três meses em comparação com abril, segundo dados do Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Abiquim.

Já o consumo aparente nacional (CAN), que mede o resultado da soma da produção mais importação excetuando-se as exportações, cresceu 16,9% em julho, na comparação com o mês anterior. No entanto, chama a atenção a alta do volume importado que subiu 22,6% na mesma base de comparação. O índice de utilização da capacidade instalada também apresentou elevação em julho, alcançando 76%, contra 70% em junho e 62% em maio.

Esta recente recuperação traz alívio ao setor e sinaliza que o ?fundo do poço? parece realmente ter sido alcançado em abril e maio e o momento agora é de recuperação das perdas, se não houver uma segunda onda da pandemia, avalia a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira.

Mas a diretora da Abiquim ressalta: apesar da retomada mais recente, no acumulado do ano ainda não foi possível inverter a trajetória negativa. De janeiro a julho de 2020, sobre igual período do ano anterior, a produção recuou 5,89%, as vendas internas caíram 8,62% e a taxa de utilização da capacidade instalada ficou em 70%, mantendo nível baixo para o padrão de operação da indústria química.

Ainda no resultado acumulado de 2020, em comparação com o mesmo período do ano passado, o volume de produtos importados teve elevação de 20%, enquanto as exportações recuaram 10,3% e o CAN teve elevação de 8,2%. Dessa forma, a participação do produto importado sobre a demanda local foi de 44% no período, quatro pontos porcentuais acima de iguais meses do ano passado.

Para mudar essa situação é fundamental que o projeto de lei (PL) 6.407/2013, PL do Gás, seja aprovado no Congresso Nacional o mais breve possível, dando sinais positivos para os investidores inserirem o Brasil como atrativo para receber novas plantas e melhorar a competitividade da indústria nacional, que poderá ter acesso a matéria-prima e energia a preços similares aos praticados nos Estados Unidos e Europa. As vendas internas melhoraram, mas o produto importado tem ganhado espaço no mercado local e nos últimos anos, alguns importantes produtos químicos deixaram de ser produzidos no País, como metanol, isocianatos, dentre outros, apenas para ficar naqueles cuja matéria-prima principal é o gás natural. Como consequência perdemos valor agregado, impostos, empregos de qualidade, ou seja, o País ficou mais pobre, avalia Fátima.

Saúde precisa de complementaridade entre público e privado

Queda no número de usuários de planos pode sobrecarregar o SUS

Fonte: Folha de S.Paulo

A Folha de S.Paulo destaca que a evasão de beneficiários não só afogou ainda mais o sistema público, que vivenciou os limites de sua capacidade, como acentuou a queda da receita de hospitais e seguradoras no setor privado. O cenário, entretanto, trouxe ensinamentos importantes para o futuro da saúde brasileira no pós-pandemia.

Para especialistas reunidos na sétima edição do fórum A Saúde do Brasil, realizado pela Folha nos dias 26 e 27 de agosto, a complementaridade entre público e privado é peça-chave na preparação do sistema para futuras crises e gestão da demanda reprimida que começa a retornar agora aos hospitais.

A saúde complementar ainda está muito relacionada com o emprego, apontou Vera Valente, diretora-executiva da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), ao explicar que a queda no número de beneficiários está relacionada à situação econômica no país, que aniquilou 8,9 milhões de postos de trabalho só no segundo trimestre do ano, segundo o IBGE.

Desde março, dados da Agência Nacional de Saúde mostram que 311 mil pessoas deixaram planos coletivos empresariais de assistência médica. De 31,7 milhões de beneficiários na categoria, o número caiu para 31,4 milhões.

A FenaSaúde reúne as maiores empresas do setor. Para abrir mais possibilidades, Valente vê a necessidade de discutir maior flexibilização e criação de modelos para atrair usuários. Vai ter sempre uma parcela da população que vai depender somente do SUS, mas, se você consegue trazer uma parte [para o privado], você desafoga o sistema público, completou.

Médico infectologista e ex-coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus do Estado de São Paulo, David Uip diz ser absolutamente necessário que a saúde pública e privada trabalhem em conjunto, não apenas em momentos de crise.

Se o Brasil sustentou essa epidemia, deveu-se à integração do SUS, extremamente competente, e da medicina de convênios, disse. Em São Paulo, por exemplo, não sucumbimos, diferentemente de outras metrópoles como Nova York, porque temos um sistema que funciona bem.

Com uma experiência de mais de 40 anos trabalhando no sistema público, Uip conhece de perto as limitações do sistema, como repasses insuficientes por parte do governo federal e o excesso de burocracia. Posso dar um exemplo de eficiência que estamos vivendo agora na pandemia. O índice de mortalidade intrahospitalar, especialmente na UTI, está variando de 8% a 80%, diz Uip.

A diferença, explica o médico, está entre um hospital ser bem estruturado, protocolado e ter profissionais treinados adequadamente e o outro, não. Quando você tem essa eficiência, você tem todos os caminhos encurtados porque tem como agir da melhor forma e também cai o custo, completa.

Na mesma linha, Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, acredita que o momento de fortalecer o SUS para fazer frente aos desafios do futuro é agora. Vecina criticou algumas posturas do atual governo, como a falta de um ministro à frente da pasta em um momento de pandemia, e a proposta do programa Renda Brasil, de Paulo Guedes (Economia), que inclui a extinção do programa Farmácia Popular.

Criado em 2004, o Farmácia Popular distribui medicamentos básicos com valores reduzidos em até 90% ou gratuitos, bancados pelo governo. O programa vem passando por cortes orçamentários e diminuição no número de clientes atendidos.

Eu me preocupo com o que está por vir, quando o auxílio emergencial deixar de ser pago. As pessoas não terão emprego, e haverá uma crise econômica e social na qual o SUS será ainda mais afetado, afirmou Fernando Torelly, superintendente corporativo do HCor, o Hospital do Coração, que atende o sistema público.

Especializado em tratar problemas cardíacos, o hospital entrou na linha de frente no combate à pandemia e hoje está com 90% de ocupação, diz Torelly.

PLANO DE SAÚDE DEVE OFERECER ATENDIMENTO PRIMÁRIO A CLIENTES

Foi unânime, entre os convidados do seminário, a ideia de que é preciso reestruturar a assistência médica, prestando mais atenção à saúde primária. É preciso sair do que Vera Valente chama de cultura hospitalocêntrica, que enche pronto-socorros sem necessidade e aumenta os custos do sistema como um todo. Nem tudo precisa ser resolvido no hospital, afirma a diretora-executiva da FenaSaúde.

Torelly conta que, em abril, a redução no atendimento do pronto-socorro no Hcor foi de 62% quando comparado com o mesmo mês em 2019, mas as pessoas já estão perdendo o medo de ir aos hospitais. Agora, o volume está 22% abaixo em relação ao ano anterior.

Está ocorrendo uma retomada, só que é um perfil diferente, de pacientes mais graves que realmente precisam e acho que a tendência vai permanecer, avaliou.

O professor Vecina, que foi presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) entre 1999 e 2003, defende que a mudança não pode resultar apenas da iniciativa do paciente. O sistema só se equilibrará se operadores passarem a oferecer porta de entrada da atenção primária, que hoje é o consultório privado e que nem sempre tem cobertura.

Após críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a ANS anunciou o adiamento de reajustes de planos de saúde por um período de 120 dias, a contar a partir de setembro. A suspensão dos reajustes de contratos de planos de saúde vale para todos os tipos de plano: individuais e familiar e coletivos (por adesão e empresariais).

A medida será válida para reajustes anuais e por mudança de faixa etária dos planos de assistência médica e odontológicos. A decisão da ANS não retroage, ou seja, quem já teve o aumento antes não se beneficia da mudança.

Maia afirmou que, se a ANS não revisasse a medida, a Câmara votaria um projeto de lei do Senado que proíbe reajustes dos convênios. A reação veio após a ANS liberar reajuste de 25,3% de um plano de saúde por adesão, o que Maia descreveu como um desrespeito com a sociedade.

Vera Valente diz que a mídia deu muita repercussão para um caso isolado, de uma carteira antiga com sinistralidade alta. Ela sublinha que tais medidas devem ser pensadas com cautela. Na saúde suplementar algumas decisões miram o individual, o imediato, mas acabam prejudicando o coletivo.

Suspensão de reajustes e ampliação de cobertura comprometem a relação contratual e a rede de sustentabilidade do sistema, o que pode levar à expulsão de usuários e ao comprometimento financeiro do hospital, disse.

No dia 29 de julho, a ANS também incluiu testes sorológicos que detectam a presença do vírus pesquisa de anticorpos IgA, IgG ou IgM (com Diretriz de Utilização)na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde. A cobertura já está valendo.

A conversa foi mediada pela jornalista Mariana Versolato, editora de Ciência, Saúde, Ambiente e Equilíbrio. O fórum teve patrocínio da FenaSaúde, da Rede DOr e da seguradora SulAmérica.