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15/05/2019
Autor: Valor Econômico & Estadão & Folha de SP
TROCA DE CADEIRAS NA SUSEP

Susep nomeia quatro diretores

O Valor Econômico informa que a diretoria da Susep está sendo composta. Além da superintendente Solange Vieira, dois diretores já chegaram — Vinicius Ratton, vindo do Banco Central, e Rafael Scherre, egresso da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). São aguardadas as nomeações de Eduardo Fraga, servidor da Susep, e de Bruno Dias, diretor de seguridade e jurídico na Fapes (fundo de pensão do BNDES). “Eu sou a representante da área de Previdência. Presidi dois fundos de pensão — Telos e Fapes — e fui secretária de previdência complementar”, diz Solange.

A executiva colocou na rua uma consulta pública sobre apólice eletrônica. Antes disso, a medida havia ficado 10 anos à espera na Susep. Também aguarda o projeto de lei que trará mudanças para os seguros de grandes riscos, um fator importante diante da expectativa de retomada das obras de infraestrutura. Também quer mudanças no seguro DPVAT, modelo monopolista que não considera eficiente.

Na autarquia, o objetivo será dar diretrizes para o marco regulatório do setor, com apoio ao novo órgão a ser criado com a fusão do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) e Conselho Nacional dos Seguros Privados (CNSP).

Entre os pontos comuns aos setores de previdência aberta e fechada, está o regime especial de administração, conhecido como intervenção. O objetivo é aproximá-lo das regras da Lei de Falências. Na visão da economista, o regulador não está preparado para ser gestor, o que acaba acontecendo. “Em um processo de uma empresa que está indo para a falência ou liquidação, quem deveria cuidar da massa seriam os próprios credores junto com a Justiça”, afirma Solange.

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Startups de seguros triplicam no País em 3 anos.

O Estadão relata que usar a tecnologia para reduzir incertezas e aumentar a eficiência das seguradoras tradicionais: essa é a meta das insurtechs, um dos segmentos de startups que mais cresceu no Brasil nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o número de startups focadas nesse mercado saltou de 70 para 210, nos últimos três anos.

Ao contrário do que acontece em áreas como a das fintechs, as insurtechs não querem concorrer com as grandes empresas – e sim ajudá-las a ser mais eficientes. Segundo pesquisa feita pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara e-net), 62% das startups brasileiras da área têm como objetivo principal oferecer serviços para potencializar os negócios das seguradoras e 57% desburocratizar o setor e/ou potencializar os negócios dos corretores.

“As seguradoras são grandes e estáveis, mas precisam da nossa agilidade para entregar um bom serviço. Agora, todo mundo está ganhando”, diz Daniel Hatkoff, fundador e presidente da insurtech Pitzi.

Resistência. Ao usar a web, as startups viram uma oportunidade para ajudar a quebrar a resistência do brasileiro a comprar apólices. “Vencer essa barreira ainda é o principal desafio do setor como um todo”, diz Caetano Altieri, vice-coordenador do Câmara-e.net.

Foi com o objetivo de mudar esse pensamento que, depois de 29 anos, Marcelo Blay deixou o emprego em uma grande seguradora e decidiu criar sua startup. Aberta em 2011, a Minuto Seguros vende pacotes de 13 seguradoras diferentes em sua plataforma digital, com serviços variados tanto em público quanto em opções. Hoje, tem 450 mil apólices e pretende faturar R$ 240 milhões este ano.

A Minuto Seguros tem hoje 400 funcionários – boa parte voltada à área de atendimento. “Parte dos nossos clientes são pessoas que não conheciam a importância de ter um seguro ou não sabiam onde comprar um pacote”, diz Blay. “A internet nos permitiu oferecer o serviço a quem não conhecia ou não gostava da burocracia”.

Outra companhia que tenta apresentar produtos de forma diferente é a própria Pitzi, especializada em seguros de celular. A escolha não foi aleatória: o smartphone está entre os bens favoritos dos brasileiros à medida que, para muitos, comprar um novo aparelho significa desembolsar um grande valor em suadas parcelas. “Fiquei chocado com o fato de como os celulares aqui são caros” diz Hatkoff. “Vi que planos de proteção para que a pessoa conseguisse consertar rapidamente o celular ajudaria muita gente.”

A startup é a vitrine de pacotes, cujo valor da mensalidade muda de acordo com a marca e o modelo do aparelho. A simulação de valores fica por conta da startup, que reúne ofertas de cinco seguradoras – Zurich, AXA, Mapfre, Sura e Generali. A Pitzi já levantou mais de R$ 70 milhões em investimento e tem 97 funcionários.

Rapidez. Um dos alvos das startups é a redução da burocracia na aprovação de apólices. Criada em 2014, a Planetun usa inteligência artificial e análise de dados para realizar o serviço de vistoria de carros. Se os planos da empresa derem certo, ela pretende acabar com os técnicos de vistoria – e, eventualmente, com os longos períodos de espera dos motoristas. A proposta é simples: ao reportar um sinistro, o usuário tira fotos de seu veículo e envia à empresa, que então vai compará-las a fotos anteriores, tiradas pelo consumidor no momento da contratação da apólice.

A Planetun envia as imagens à seguradora para análise – informações como data e localização sobre onde as fotos foram feitas também são incluídas no relatório. Por meio da ferramenta, feita em parceria com o sistema de inteligência artificial da IBM, a startup promete que o tempo de vistoria cairá de dois dias para menos de 24 horas. Com as imagens verificadas pelo algoritmo, os técnicos das seguradoras conseguem dar um parecer em até seis horas.

A Thinkseg, fundada pelo empresário André Grigori, exBTG, vai além: sua principal solução é um aplicativo que, ao ser instalado no celular do motorista, acompanha seu jeito de dirigir. Com o tempo, o sistema é capaz de entender se aquele usuário tem boa condução ou não. A partir disso, calcula as chances reais que ele tem de sofrer algum sinistro – independentemente de qualquer outra característica que o coloca como parte de um grupo de “risco” no mercado tradicional.

Em abril, a empresa investiu R$ 50 milhões para criar um novo tipo de seguro, cujo pagamento mensal varia de acordo com a quilometragem rodada pelo usuário. O serviço é prestado em parceria com seguradoras.

Há um motivo para que a parceria entre as startups atendam empresas: trata-se de um setor altamente regulado, supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Para especialistas, um novo impacto pode surgir se a regulamentação for flexibilizada. “Às vezes startup têm soluções muito legais, mas as seguradoras não podem adotar sem quebrar regras e isso trava o mercado”, diz Altieri, da Câmara e-net. “Abrindo a regulamentação, fatalmente o mercado vai crescer.”

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Coberturas de vida e residencial dão impulso às carteiras das seguradoras

O DCI informa que, com o desempenho aquém do esperado no segmento de automóveis, as coberturas de vida e residencial deram fôlego ao resultado das seguradoras no primeiro trimestre. Para 2019, a expectativa é de ascensão digital e de criação de produtos mais específicos.

As quatro maiores seguradoras do País (BB Seguridade, Bradesco Seguros, SulAmérica e Porto Seguro) somaram R$ 3,253 bilhões de lucro líquido no primeiro trimestre deste ano, um avanço de 15,23% frente ao registrado em 2018 (R$ 2,823 bilhões).Entre os principais avanços da carteira, o seguro de vida e a cobertura residencial foram os maiores destaques.

De acordo com o primeiro vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor SP), Boris Ber, apesar do “compasso de espera” do mercado em relação à macroeconomia, esses produtos se destacaram.

"Assim como o restante do Brasil, o setor de seguros estava com as expectativas um pouco mais altas do que efetivamente está acontecendo. Algumas áreas, porém, acabam se destacando de forma surpreendente, como o seguro de vida, que desde o ano passado tem demonstrado um avanço inesperado. Muito disso vem de algumas indenizações mais específicas que vem sido ofertadas”, explica o executivo do Sincor.

Os últimos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) apontam que os prêmios ganhos com o produto compreensivo residencial avançaram 10,6% nos primeiros três meses deste ano contra igual intervalo de 2018, de R$ 665,4 milhões para R$ 736,1 milhões. Já o seguro de vida em grupo apresentou um aumento de 5,3% na mesma comparação, de R$ 2,621 bilhões para R$ 2,761 bilhões.

No caso da apólice residencial, Ber explica que parte do avanço vem principalmente pela forma como a cobertura tem sido apresentada. “O produto deixou de ser simplesmente um seguro residencial para ser também uma assistência e isso ajuda bastante na venda”, acrescenta o executivo.

Ao mesmo tempo, a entrada das insurtechs no mercado também tem impulsionado um crescimento nos resultados. Para o CEO da Thinkseg, Andre Gregori, esse movimento não somente colabora para a vinda de novos segurados como também incentiva a criação de produtos diferenciados.

“Apesar das incertezas que ainda existem no País, diversos setores têm se destacado exatamente porque as apólices são vendidas de forma simplificada e personalizada. É o que tem acontecido nas coberturas de automóveis e de vida, por exemplo, que avaliam mais o comportamento do segurado do que um perfil generalizado. Isso se traduz em preços mais justos”, avalia Gregori.

Ele completa que, ao mesmo tempo, a digitalização do mercado segurador e a entrada de novas gerações no setor também tem trazido mudanças. “O segmento evolui conforme as inovações chegam, então também vemos outras iniciativas acontecendo, como seguros de bicicletas, skates e patinetes, por exemplo, acompanhando a demanda desses novos clientes”, diz o CEO da Thinkseg.

Ber, vice-presidente do Sincor, avalia que a todo esse cenário também se acrescenta as soluções de sinistro por meio de aplicativos e a chegada de produtos mais enxutos, “que possam excluir coberturas que não são tão importantes para a realidade dos clientes de hoje”.

“É importante ressaltar, no entanto, que esses meios digitais carecem de uma regulamentação. Mas já vivemos uma revolução digital no setor e é um caminho sem volta”, complementa o executivo.

No que concerne os seguros para pessoas jurídicas, os executivos entrevistados pelo DCI apontam a vinda de produtos simplificados também para os micro e pequenos negócios.

Ainda conforme dados da Susep, os prêmios ganhos pelo mercado com o compreensivo empresarial chegaram a R$ 606,1 milhões no primeiro trimestre, alta de 15% em comparação a igual período de 2018 (R$ 527,2 milhões).Para Ber, os produtos corporativos devem, inclusive, deslanchar antes mesmo do que os voltados para pessoas físicas. “É um mercado que já começa a caminhar e que está esperando a retomada econômica para vir com mais força. Isso deve acontecer já no segundo semestre”, conclui.

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O pavor do desemprego

Sabe qual foi a modalidade de seguro pessoal que mais cresceu no primeiro trimestre no Brasil?, pergunta o colunista Ancelmo Gois, do Globo. “O prestamista, um seguro para perda de emprego. Ele cobre dívidas e prestações em atraso, por exemplo. Segundo dados do Sistema de Estatísticas da Susep, o crescimento foi de 25,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. O seguro de vida individual, por exemplo, teve alta de 17,19%”.

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Seguro de automóvel deixa de arrecadar US$ 76 bi na América Latina

O Estadão revela que com a maior parte da frota de automóveis sem seguro, as seguradoras deixam de arrecadar US$ 76 bilhões com a modalidade nos maiores mercados da América Latina, segundo o estudo Motor Gap Protection, do Swiss Re Institute, divisão de estudos e análises da gigante suíça do setor. A cifra corresponde a aproximadamente 2,8 vezes o volume combinado do mercado na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México.

Como pano de fundo para o "hiato de proteção", está o fato de que 58% da frota de automóveis da América Latina, conforme o estudo do Swiss Re Institute, carecer de qualquer tipo de seguro. Pesam na procura dos donos de veículos, sobretudo, desconhecimento dos produtos oferecidos pelas seguradoras, dificuldade de compra, desconfiança sobre quem oferta os produtos e os custos resultantes para o segurado de acidentes ou roubo e furto (sinistros), que encarecem o preço das apólices.

Apesar do potencial na América Latina, a expectativa do Swiss Re Institute é de que os seguros de automóveis crescerão em torno de 3% a 5% em termos reais por ano nos países da região entre 2019 e 2023, com o maior crescimento na Colômbia e México. Outra consideração para o futuro é a tecnologia disruptiva que, ao mudar o panorama da mobilidade, terá impacto nas vendas de carros e, consequentemente, na demanda por seguro.

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BB e BNDES tentam venda de seguradora de crédito

O Estadão registra que o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estão em conversas avançadas para vender a fatia que detêm na Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE) e o negócio pode ser anunciado em breve.

A compradora é a própria controladora da companhia, a francesa Coface, que negocia tais participações nos últimos anos. Juntos, BB e BNDES - por meio do seu braço de participações, a BNDESPAR - têm pouco mais de 24% da SBCE. A Coface responde pelos outros 75,82%. A negociação tem chances de sair desta vez em meio à agenda de privatizações e desinvestimentos do governo de Jair Bolsonaro. No balanço do BB, a SBCE está contabilizada com um valor de R$ 3 milhões.

Fundada em 1997, a SBCE foi a primeira seguradora de crédito à exportação no Brasil. No passado, outros grandes nomes do setor como Bradesco, SulAmérica, Unibanco e Minas Brasil detinham participações na seguradora e também deixaram a sociedade.

Até março de 2019, a Coface, que controla a SBCE e tem participação de mercado de 30% no País, garantiu total de R$ 27 bilhões de recebíveis no seguro de crédito interno. Por sua vez, o grupo apresentou exposição global de 519 bilhões de euros no período.

Procurados, BB, BNDES e Coface não comentaram.

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Porto Seguro entra no mercado de carros usados

A coluna Mercado S/A, do Correio Braziliense, informa que a Porto Seguro vai se lançar no mercado de carros usados. A companhia inaugura, nesta sexta-feira, em São Paulo, uma loja para a venda dos veículos utilizados na operação do Carro Fácil, serviço de automóvel por assinatura da companhia. O financiamento será oferecido pela própria empresa e poderá ser pago em até 60 meses por meio da Porto Seguro Financeira.

"São carros comprados diretamente das montadoras e entregues aos clientes com benefícios como seguro, manutenção preventiva, documentação e assistência 24 horas, entre outros", afirma Marcelo Rosal, executivo da Porto Seguro Carro Fácil.

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Regras de Covas para patinetes em SP inviabilizam negócio, dizem empresas

A Folha de S.Paulo relata que as novas regras para a circulação de patinetes na cidade de São Paulo, publicadas nesta quarta-feira (14), podem inviabilizar o mercado de aluguel desse meio de transporte. É o que defende a empresa Grow, detentora das marcas Yellow e Grin.

O decreto da gestão Bruno Covas (PSDB), que é provisório, recebeu críticas também de um especialista em legislação no trânsito e de militantes de mobilidade na cidade.

Por meio de nota, a Grow disse que o decreto traz contribuições importantes ao vetar o uso das patinetes nas calçadas e ao liberá-lo em vias com velocidades máximas de 40 km/h (o limite de velocidade das patinetes segue sendo de 20 km/h).

A Grow, porém, critica a aplicação de multas para quem descumprir as regras estabelecidas pela prefeitura.

Segundo o texto, as multas variam de R$ 100 a R$ 20 mil e podem ser aplicadas tanto ao usuário quanto à empresa dona das patinetes, em caso de infrações. Nos dois casos, quem recebe a multa é a empresa que explora o negócio. Cabe a ela decidir se repassa ou não as multas aos usuários.

"Nós temos cerca de 1,5 milhão de usuários em São Paulo. Imagine que cada um deles cometa a infração de multa mais branda, de R$ 100. Ao final do mês, tenho um custo de R$ 150 milhões", disse à Folha João Sabino, diretor de relações institucionais da Grow.

Para ele, o modelo de multas inviabiliza a atividade da empresa em São Paulo. A Grow pretende propor à prefeitura que usuários de patinetes flagrados em infrações reincidentes possam ter seu acesso ao aplicativo de patinetes bloqueado, até que façam um curso de orientação do uso das patinetes. A empresa se diz disposta a oferecer cursos do tipo.

Outra crítica da Grow é à obrigatoriedade do uso do capacete. Para a empresa, oferecer o equipamento de segurança para todos os usuários é inviável, uma vez que a frota da empresa é muito grande.

Segundo Sabino, há riscos de furtos e depredações dos capacetes. "Há também uma questão de higiene. Imagine oferecer ao cliente um capacete que já foi usado por outras sete pessoas num mesmo dia", comenta.

A empresa critica ainda o momento da publicação do decreto, uma vez que afirma que já estava em contato com a prefeitura e com entidades de mobilidade na cidade para a elaboração de uma regulação definitiva. "Tínhamos pontos a serem discutidos e reuniões marcadas. A previsão de publicação do decreto não era essa", diz Sabino.

O prefeito Bruno Covas (PSDB) admitiu que adiantou a publicação da regulação provisória devido a recentes relatos de acidentes com o meio de transporte.

"No começo do ano, montamos um grupo de trabalho envolvendo usuários, as empresas, ciclistas e toda a sociedade para discutir o uso de patinetes na cidade de São Paulo. A ideia era que essa regulação ficasse pronta no final desse semestre, mas até por conta dos últimos incidentes, resolvemos apresentar uma regulamentação provisória que vale no máximo por 90 dias", anunciou Covas.

Sabino diz que há 0,8 relato de acidente a cada 10 mil viagens feitas pelas patinetes da Yellow e da Grin.

Para Maurício Januzzi, ex-presidente da comissão de direito de trânsito da OAB de São Paulo, o decreto de Covas ultrapassou os limites do que poderia ser decidido pela prefeitura. Para ele, portanto, o texto é inconstitucional.

"A patinete é um mecanismo a ser disciplinado pelo Código Brasileiro de Trânsito e o Contran e não pela prefeitura. Uma regulação menor pode ser feita pela prefeitura, mas não do tamanho que foi feita. Principalmente sobre a obrigatoriedade do uso do capacete e sobre necessidade de não usar nas calçadas", analisa ele.

Januzzi diz acreditar que a prefeitura terá grandes dificuldades em aplicar multas sobre as irregularidades eventualmente flagradas nas ruas, já que as patinetes não têm placas de identificação, como outros veículos. "Acredito ainda que a multa não pode ser de responsabilidade das empresas que alugam as patinetes, mas sim do usuário, que deve respeitar a legislação", diz.

Para ele, o decreto é apenas uma tentativa da prefeitura de mostrar que está atenta ao assunto das patinetes, mas que o decreto tende a ser inócuo.

O único texto federal que regula as patinetes é uma resolução de 2013, que estipula que usuários de patinetes podem trafegar em áreas destinadas a pedestres, como calçadas e calçadões, desde que com velocidade limitada a 6 km/h. Para além disso, o uso é apenas permitido em ciclovias e ciclofaixas, com velocidade limitada a 20 km/h.

Diferente do que diz a regra federal, a nova regra de São Paulo proíbe o uso das patinetes sobre as calçadas. Para a prefeitura, segue valendo o uso em ciclovias e ciclorrotas. A prefeitura ainda inova ao estabelecer que as patinetes são autorizadas a andar em vias com velocidade máxima de carros de 40 km/h.

Desde janeiro, tramita na Câmara dos Vereadores de São Paulo um projeto que visa criar diretrizes para os meios de transporte usados para deslocamentos curtos na cidade, no que é conhecido como micromobilidade. O projeto do vereador Police Neto (PSD) prevê que a expansão do aluguel de equipamentos de mobilidade seja equilibrada, respeitando o espaço do pedestre.

Um projeto anterior, do vereador Adilson Amadeu (PTB), propõe que patinetes elétricas devam ser licenciadas e emplacadas na cidade.

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte afirma que a regulamentação publicada nesta terça teve como base o Código de Trânsito Brasileiro, que estabelece a competência de "planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas" aos órgãos municipais.

O decreto, segundo a pasta, é uma medida emergencial em função do número de acidentes recentes e as regras propostas visam, portanto, a segurança viária.

PRINCIPAIS REGRAS DA PREFEITURA

– Trânsito de patinetes é permitido apenas nas ciclovias, ciclorrotas e em ruas cuja velocidade máxima de veículos seja de 40 km/h. O seu uso em calçadas é proibido

– A velocidade máxima das patinetes deverá ser de 20 km/h

– O uso de capacete é obrigatório e caberá às empresas que alugam as patinetes fornecer os equipamentos de segurança

– Empresas do ramo deverão ter campanhas educativas, manuais de condução defensiva, ter seguro e informar mensalmente o número de acidentes registrados no sistema

– As empresas devem ainda recolher equipamentos estacionados irregularmente e evitar a concentração dos equipamentos estacionados em locais públicos

– O uso das patinetes é individual

– Multas de R$ 500 a R$ 20 mil podem ser dirigidas às empresas do ramo, que decidem se repassam ou não o valor.