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03/06/2019
Autor: Antonio Penteado Mendonça, no Estadão
CONSEQUÊNCIAS DA CRISE

Consequências da crise

Por Antonio Penteado Mendonça, no Estadão

A consequência mais visível da crise brasileira no setor de seguros é a redução da velocidade de seu crescimento como um todo e da carteira de seguros de veículos em particular. Com a queda da venda de veículos zero quilômetro houve naturalmente a redução da velocidade de crescimento do seguro de veículos. Nem poderia ser diferente na medida que o fenômeno significa a entrada de menos bens no mercado de consumo.

Ainda que havendo uma mudança na forma do brasileiro “ter carro”, na qual a troca do carro passou a ser mais lenta, especialmente porque os veículos mais modernos têm garantias mais longas, o que levou a uma revisão do conceito de “carro velho”, baseada na flexibilidade do conceito de “seminovo”, a queda das vendas das montadoras impactou negativamente o setor de seguros.

O brasileiro fazer seguro de seu seminovo por mais tempo amenizou, mas não foi suficiente para manter os patamares de crescimento que o seguro de veículos vinha tendo até o começo da crise. Mas se a crise reduziu o ritmo do aumento do faturamento das seguradoras, ela teve ainda outro fator negativo: a piora dos riscos aceitos e, consequentemente, a alta da sinistralidade.

Em época de crescimento econômico as pessoas e as empresas se esmeram em tomar as providências necessárias para ter seus bens e capacidades de ação azeitados, com manutenção em dia, revisões periódicas realizadas nas datas certas, substituição de peças meia boca, etc.

A situação folgada permite que estas ações sejam desencadeadas como atos de rotina, sem nenhum tipo de constrangimento capaz de alterar o funcionamento mais adequado, seja de um modesto carro popular, seja de uma planta industrial de bilhões de dólares.

Mas nas crises esta realidade muda completamente. Em primeiro lugar, as pessoas e empresas passam a rever os seguros contratados, reduzem as garantias e aumentam as franquias, chamando para si uma série de situações de risco que elas decidem assumir, ainda que comprometendo a capacidade de novos investimentos ou poupança.

É assim no mundo todo. Este cenário não é brasileiro. O que acontece aqui acontece em todos os outros países, inclusive nas nações mais desenvolvidas. A severidade das crises é responsável pela contenção dos gastos em grau mais ou menos acentuado. A queda nos ganhos, a falta de recursos próprios, as dificuldades em se conseguir crédito, a impossibilidade da manutenção das margens são razões mais do que suficientes para levar ao corte de tudo que não for essencial para girar o dia a dia, ainda que signifique correr riscos, inclusive de paralisação ou perda de capacidade, insubstituível no curto prazo.

Uma das consequências mais dramáticas do quadro é a diminuição dos processos de manutenção. As revisões ficam mais espaçadas, as vistorias são feitas com menos rigor, a substituição das peças é feita só depois do surgimento do problema, a qualidade do material empregado dá lugar ao preço etc.

O resultado é que a possibilidade da ocorrência de sinistros cresce, como acaba de ser demonstrado por uma pesquisa que aponta o aumento dos casos de curto-circuito como consequência da redução da manutenção das redes elétricas.

Fios velhos, desencapados, próximos um dos outros, com isoladores quebrados, material estranho jogado em cima, passando próximos de material combustível têm como resultado o aumento dos curtos-circuitos e os incêndios causados por eles.

Como a falta de manutenção é geral, os equipamentos de combate a incêndio também ficam comprometidos, com extintores vencidos, hidrantes sem água ou com as mangueiras avariadas e brigadas internas sem treinamento, agravando muito os prejuízos resultantes do incêndio

O triste é que não há mágica. Não há o que fazer para modificar o quadro. Entre tocar o negócio do jeito que dá e investir em prevenção os gestores não têm alternativa: “é bola pra frente e se Deus for brasileiro não vai acontecer nada com a gente.” Só que as vezes acontece. Aí a situação que já estava ruim fica pior ainda.

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Sistemas abertos são chaves para Open Insurance deslanchar


O modelo Open Insurance, em que o segurado tem autonomia sobre suas informações e das proteções que contrata, depende diretamente de as seguradoras atuantes no mercado estarem dispostas a abrirem-se para uma operação integrada. Foi essa a conclusão do HDI Talks, que debateu o tema no Distrito Fintech, em São Paulo, na última segunda-feira.

Iniciativa da seguradora, que ao longo dos dois últimos anos vivencia uma jornada interna de transformação operacional rumo à digitalização de seus processos, a conversa buscou a troca de ideias sobre desafios e oportunidades que a novidade deve trazer aos players do setor. Denise Ciavatta, diretora de TI da HDI Seguros, frisou que o anseio por autonomia, demonstrado pelo segurado, "acendeu sinal de alerta às seguradoras", e que isso estimulou a união de expertises entre elas.

O comportamento do consumidor levou à integração de plataformas e compartilhamento de responsabilidade sobre os dados manuseados, dois pilares do modelo Open Insurance. "Em um mundo onde todos se conectam, é fundamental saber como escalar o negócio", argumentou a executiva, que reforçou que a necessidade não é ter uma plataforma proprietária, mas a capacidade de se estruturar internamente para esse novo contexto.

"Temos uma jornada enorme de transformação dentro de casa", reconheceu Denise. "Processo deve ser de olharmos para nós mesmos e avaliarmos como modernizar o ambiente, ao ponto de viabilizar a construção de um ecossistema plenamente preparado para se conectar com o mundo fora do nosso quintal, que é para onde efetivamente estamos indo", defendeu a executiva. Para ela, também é essencial as companhias pensarem em novos modelos de negócios, que conectem parceiros e preparem o terreno para facilitar a operação nesse novo contexto.

Vagner Guzella, vice-presidente administrativo-financeiro da HDI Seguros, concorda com esse raciocínio. Para ele, "não faz sentido inovar do zero" e o Open Insurance é fruto desse movimento de parcerias e abertura entre empresas, que incorporam, umas das outras, o que cada uma faz de melhor. "Estamos de peito aberto para entender como fazer e aprender fazendo", resumiu o executivo.

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Setor de seguros se aproxima do Planalto

A coluna Seguro de Si, do jornal O Dia (RJ), informa que o ramo de seguros se aproxima cada vez mais do Planalto. Com reservas técnicas de R$ 1,2 trilhão e responsável por 6,5% do PIB no país, o segmento busca um protagonismo maior na elaboração de políticas públicas. A ideia é ajudar a alavancar a economia e combater atividades irregulares. Figuras importantes do meio tiveram encontros estratégicos com os ministros Sérgio Moro, Paulo Guedes e com o próprio presidente.

Na semana passada, Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), integrou uma comissão também formada por sete confederações de outros setores da economia. O grupo se reuniu com Jair Bolsonaro para entregar uma carta aberta de apoio à proposta de Reforma da Previdência.

"O modelo proposto é um caminho indispensável para o destravamento de investimentos públicos e privados, única rota em direção ao desenvolvimento sustentável", diz um trecho do documento. A carta ainda fala da 'estagnação econômica' vivida no país causada pelo que entende ser um modelo previdenciário insustentável.

"A estrangulação fiscal do estado brasileiro em suas diversas esferas, em grande medida provocada por um modelo previdenciário insustentável e injusto, assevera as desigualdades sociais e é a principal causa da estagnação econômica que estamos vivendo nos últimos anos.

As atividades empresariais vêm enfrentando ainda os desafios de um tempo de aceleradas transformações tecnológicas e mudanças socioeconômicas mundiais".

Armando Vergilio, presidente da Federação Nacional dos Corretores (Fenacor) e o filho dele, o deputado federal Lucas Vergilio (SDD-GO), também estiveram em Brasília. A ideia era cobrar medidas para fiscalizar e punir a atividade irregular de cooperativas no setor.

Em encontro com Paulo Guedes, ministro da Economia, eles fizeram um alerta sobre o crescimento da atuação de empresas que não recolhem tributos ou constituem reservas para garantir o cumprimento de suas obrigações com os consumidores.

"Não há um compromisso com a sociedade, com o cidadão ou com o Estado. (As cooperativas) Não pagam sinistros. Enfim, é um mercado marginal", critica Armando Vergilio, que também se encontrou com Sérgio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública.

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União pode levantar mais de R$ 3,7 bi com venda de ações da IRB Brasil

A Folha de S.Paulo relata que a União pode levantar mais de R$ 3,7 bilhões com a venda de suas ações ordinárias (com direito a voto) no IRB Brasil Resseguros —espécie de seguradora das seguradoras—, incluído no programa de desestatização do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Conforme decreto publicado na quinta-feira (30), a União incluiu no programa as 36.458.237 ações ordinárias que detém no IRB, ou 11,7% do total. Na sexta (31), os papéis fecharam a R$ 102. Isso significaria que, se tivesse vendido agora as ações, o governo levaria R$ 3,73 bilhões —o valor não leva em consideração o imposto a ser pago com o ganho de capital.

A venda, porém, vai depender “das condições de mercado e dos estudos a serem desenvolvidos no âmbito do BNDES”, responsável por executar e acompanhar os atos necessários para a venda dos papéis, segundo o decreto.

A receita obtida não será contabilizada no cálculo do resultado fiscal (primário e nominal), segundo o ministério. “Contudo, esse fluxo de receita será destinado para redução da dívida pública federal”, afirma a nota.

No primeiro trimestre deste ano, o IRB registrou crescimento de 26,2% nos prêmios emitidos em relação aos mesmos três meses de 2018, para R$ 1,8 bilhão.