O setor de seguros no Brasil está pronto para os carros autônomos?

23, Jun. 2022

Fonte: Insurtalks

O cinema hollywoodiano já ilustrou, várias vezes, nos filmes de ficção científica, histórias nas quais se podia ver em ação carros completamente autônomos.

Essas ilustrações fictícias já levaram muitos cidadãos a imaginarem como seria estar a bordo de um desses carros. As perguntas recorrentes costumam girar em torno de: seria possível assistir vídeos, dormir, ler um livro ou, simplesmente, olhar a paisagem enquanto o carro cumpre a rota predefinida sozinho?  A resposta é: sim e não.

A explicação para a resposta dúbia é que há vários níveis de autonomia dos veículos.

Níveis de autonomia

Existem 6 graus de automação veicular e é importante compreender que, quanto maior o nível de autonomia do carro, menor a dependência de ter um motorista no carro dirigindo. Assim, os níveis se definem da seguinte forma:

  • ·    Nível 0: compreende os modelos sem nenhuma automação ;
  • ·    Nível 1:aparecem sistemas autônomos de assistência, como alertas de colisão;
  • ·   Nível 2: já permite ao carro acelerar, brecar e esterçar sozinho, como é visto nos sistemas de controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa;
  • ·    Nível 3: a partir deste nível, a tecnologia autônoma já permite que o carro se conduza sozinho, mas dependente da estrutura (como faixas e sinalização) e de que  o motorista permaneça ao volante. A maioria dos carros modernos se encontra nesse grau hoje;
  • ·    Nível 4: o carro “se guia” sozinho, mas mantém a interface para que o motorista possa dirigir;
  • ·    Nível 5: o carro é plenamente autônomo e não há pedais ou volante para controle manual.

Busca pelos níveis 4 e 5

O desenvolvimento dos carros autônomos envolve montadoras globais como Tesla, Toyota, Hyundai, BMW, Uber (com ofertas de caronas sem um motorista sequer),Volkswagen, General Motors, Ford, Geely, Mercedes-Benz e outras mais.

A grande busca é conseguir desenvolver um processo de automatização na direção para que os carros se dirijam sozinhos, sem qualquer interferência humana. Essa busca não é tão simples porque, para que isso aconteça, eles precisam levar em consideração não apenas a parte de conforto e praticidade, mas também questões de segurança. Ou seja, alcançar os níveis 4 e 5 de automação.

Motorista de segurança a bordo

Apesar de os veículos autônomos já serem realidade em alguns países, mas

os que estão disponíveis hoje no mercado estão enquadrados em um cenário limitante: dependem de um motorista de segurança a bordo, que assuma o controle do volante em situações de risco; ou deslocam-se apenas em baixa velocidade, em torno de 40 a 50 km/h, por circuitos fechados, com obstáculos e riscos previamente mapeados. 

De acordo com a declaração do cientista da computação Fabio Kon, do Departamento de Ciência da Computação do IME-USP,  para o jornal Nexo, o futuro da mobilidade será de carros autônomos que interagem com a infraestrutura das cidades gerando melhorias no trânsito, conforto e segurança aos usuários e pedestres, mas é uma transformação que ainda vai levar 20 ou 30 anos para acontecer.

Pressão das seguradoras para incluir carros autônomos na legislação

No Reino Unido, grupos do setor de seguros, incluindo AXA e o escritório de advocacia Burges Salmon , estão pedindo ao governo do país que faça mais para acomodar carros autônomos, antes da publicação esperada de um novo projeto de lei.

O governo já confirmou que os carros autônomos serão incluídos na Lei dos Transportes, que deve ser publicada este ano ou no início do próximo ano. Isso significa que o Secretário de Estado dos Transportes terá o poder de designar veículos específicos como autônomos e estabelecer as regras sobre a atenção do motorista na estrada e sua culpa em caso de acidente.

Qual o motivo da pressão das seguradoras?

A pressão se deve à necessidade de adaptação a um novo cenário de risco por parte das seguradoras depois que a tecnologia de direção autônoma chegar às estradas.

Medidas mínimas aceitáveis

A indústria estabeleceu um conjunto de chamadas 'linhas vermelhas', que diz serem as medidas mínimas aceitáveis ​​que o governo deve incluir na próxima Lei de Transporte para aproveitar a tecnologia sem motorista.

Eles incluem “uma estrutura regulatória não prescritiva e flexível” que promove a inovação e a aceitação dentro da tecnologia de direção autônoma, uma definição estatutária que distingue a direção autônoma da direção assistida e linhas claras de responsabilidade e responsabilidade quando se trata de segurança no trânsito.

Necessidade de estabelecer um ambiente experimental

A AXA também quer ver sandboxes regulatórias que permitam às empresas testar novos casos de uso para veículos autônomos e um kit de ferramentas de comunicação para funcionar em paralelo com qualquer tecnologia futura que permita que os consumidores entendam facilmente as novas regras.

E no Brasil, existem carros autônomos?

Sim. Há carros autônomos em circulação no país com assistência ao motorista que podem ser compreendidas nos níveis 1 e 2, levando em consideração a classificação da SAE (Sociedade de Engenheiros Automotivos). Portanto, no Brasil, os carros autônomos existentes são aqueles veículos que exigem as mãos do motorista no volante.

Há projeto para aperfeiçoar a autonomia

Há centros de pesquisas públicos e privados em vários países que se dedicam a criar as soluções necessárias para superar os desafios impostos pela automação dos carros. No Brasil, uma das principais iniciativas vigentes para alçar os carros autônomos aos níveis 4 e 5 é a do grupo de trabalho SegurAuto (Projeto e Desenvolvimento Integrado de Funções de Segurança Assistida ao Condutor e Ambiente para Veículos Autônomos), formado em 2021.

A equipe reúne pesquisadores das universidades: USP, da UTFPR, UnB, da UFPE e das empresas BMW, Stellantis (antiga Fiat Chrysler), Renault, Mercedes-Benz, Bosch, AVL, DAF Caminhões e Vector Informatik.

Segundo Fernando Osório, cientista da computação do ICMC (Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação) da USP.  “Já temos os sistemas necessários para a autonomia veicular, mas ainda precisamos aperfeiçoar muito a capacidade dos sensores de obter informações de qualidade e da inteligência artificial de interpretar essas informações”.

Já o engenheiro mecânico Evandro Leonardo Silva Teixeira, do curso de engenharia automotiva da UnB, explica que: “O conceito de trabalho do SegurAuto é o desenvolvimento de sistemas avançados de auxílio à condução, que vão sendo incorporados gradativamente aos veículos até culminar com a autonomia plena”.

As seguradoras estão prontas para oferecer cobertura para carros com autonomia nível 4 e 5 no Brasil?

Assim como o exemplo do Reino Unido citado acima, para oferecer serviços de proteção no Brasil para carros com nível de autonomia mais avançada, será preciso, primeiramente, aguardar o momento em que a maioria dos carros já esteja em níveis de automação 4 ou 5, já que eles estão ainda em desenvolvimento no país.

Determinar responsabilidades claras

Tão logo isso ocorra, as seguradoras precisarão de uma base sólida da legislação de trânsito para estabelecer responsabilidades claras ( vide exemplo recente da Tesla que foi acusada de desligar piloto automático antes de acidente e passar a responsabilidade ao motorista menos de um segundo antes de colidirem).

Definir o nível de autonomia do carro

Para o estabelecimento de Leis claras, também é preciso determinar um período de testes para preservar a segurança do segurado na contratação e da seguradora na delimitação das cláusulas de cobertura. Além, é claro, da definição do nível de autonomia do carro, dentro das regras técnicas do órgão responsável.

A partir daí, nenhum impedimento

Assim, não há impedimento ou despreparo por parte das seguradoras em relação à oferta de seguros para carros autônomos de níveis mais avançados no país, o que existe é um produto que está ainda em desenvolvimento e, em decorrência disso, há também a falta de critérios técnicos estabelecidos por parte dos órgãos responsáveis. A partir do momento que o produto estiver plenamente desenvolvido e todas as Leis e critérios técnicos forem estabelecidos, o caminho estará livre e o cenário será promissor.


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