Gerenciamento de riscos pode reduzir imprevistos e aumentar a produtividade das empresas

16, Set. 2020

Gerenciamento de riscos pode reduzir imprevistos e aumentar a produtividade das empresas

Mapeamento das atividades deve ser realizado por especialistas e vai muito além dos danos físicos

Atravessar uma avenida movimentada durante 24 horas por dia e precisar prestar atenção em cada detalhe do entorno. Essa pode ser a sensação de muitas empresas brasileiras no dia a dia ao mapear os riscos e oportunidades de seus negócios. Por isso, ter um especialista fazendo o gerenciamento de riscos e analisando todos os processos pode ser fundamental para aprimorar a capacidade de eficiência da empresa, seja na operação direta ou organização interna.

Segundo Robert Bittar, presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), o gerenciamento de riscos vai muito além de pensar nos danos físicos que uma companhia pode sofrer. Normalmente as pessoas atrelam riscos com catástrofes de grande porte, como incêndios e vendavais, mas o mapeamento de toda a operação ajuda a identificar potenciais causas de perdas, riscos e até oportunidades de melhoria, diz.

Por meio de auditorias, especialistas em gestão de risco conseguem fazer um diagnóstico e ajudar a desenvolver projetos e soluções customizadas e aderentes a cada empresa e setor específico.

Por exemplo, os riscos em uma indústria com maquinário operante 24 horas por dia são diferentes dos de um e-commerce. Em empresas que estão 100% on-line, o risco cibernético é grande. Já as operações fabris têm riscos físicos mais comuns. No entanto, nenhuma frente pode ser descartada e qualquer falha pode culminar em problemas de difíceis soluções. Os riscos nunca se resumem a coisas óbvias, explica o especialista em seguros.

Oportunidades em meio aos riscos

Quando um trabalho de mapeamento de riscos é executado, além dos problemas que determinada operação pode sofrer também, são colocados na mesa pontos que podem ser aprimorados para que haja uma redução de perigo.

Um bom mapeamento é feito de dentro para fora e inclui desde a rotina dos funcionários para garantir a preservação da imagem da companhia, passa pela avaliação do bem-estar dos funcionários para evitar afastamentos, e vai até listar os eventuais danos físicos.

Nesse pente fino muitas oportunidades são encontradas e alguns processos podem ser aprimorados, reduzindo riscos e ajudando a aumentar a produtividade. Gestão de riscos deve ser inerente à cultura de toda empresa, independentemente do tamanho, diz Bittar.

Um processo de gestão de riscos normalmente possui seis fases: identificação de oportunidades de melhoria, diagnóstico da operação, análise crítica dos processos, desenvolvimento do plano de trabalho, implementação e monitoramento das ações e avaliação dos resultados.

Mas é importante destacar que cada área de atuação está exposta a riscos diferentes. Por isso, ter especialistas no assunto é fundamental e a contratação de seguros para cada atividade ajuda a garantir o funcionamento da operação e ter respaldo financeiro em caso de necessidade, avalia o executivo.

Com o processo de gestão de riscos realizado, a definição dos seguros que precisam ser feitos passa a ser estratégica.

Fonte: InfoMoney

Corte do Reino Unido decide que seguradoras devem pagar lucro cessante por COVID-19

A decisão ainda está sujeita a recurso, mas há grande expectativa do mercado de que seja cumprida voluntariamente pelos seguradores

O Tribunal Superior do Reino Unido decidiu que as empresas que tinham seguro de lucro cessante e foram forçadas a fechar devido à pandemia de COVID-19 têm direito a ser indenizadas pelas seguradoras e que, sujeito aos limites da apólice, essa indenização devem devolvê-los à posição em que estariam se a pandemia nunca tivesse acontecido. As seguradoras alegavam não ser devido, uma vez que não houve perda e dano de um bem patrimonial que afetasse o lucro para acionar o seguro.

Isso significa que os segurados venceram e a decisão pode influenciar outras em curso em vários países do mundo. Pelo menos por enquanto. A decisão ainda está sujeita a recurso, mas há grande expectativa do mercado de que seja cumprida voluntariamente pelos seguradores.

Segundo publicou o portal Insurance Business, o Test Case ajuizado pela FCA (Financial Conduct Authority) contra diversas seguradoras afirmou ser devida a cobertura de Lucros Cessantes em razão da interrupção de negócios decorrente da pandemia. O julgamento era muito esperado pelo mercado de seguros mundial, como possível balizador da posição dos seguradores acerca dessa modalidade de cobertura, comentou Pedro Ivo Mello, sócio do escritório Raphael Miranda Advogados.

Comentando a decisão, Christopher Woolard, presidente-executivo interino da FCA, comentou que o caso foi levado ao Tribunal Superior a fim de resolver a falta de clareza e certeza que existia para muitos segurados que faziam reivindicações de interrupção de negócios e para o mercado mais amplo.

Fonte: Sonho Seguro

A importância de conhecer seus riscos e mitigá-los

Segurado precisa informar corretamente sobre seu risco para não perder a indenização

No último dia 8 (terça-feira) que a 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, sob a relatoria do desembargador Ricardo Fontes, ratificou a negativa de uma cobertura de seguro porque considerou imprecisas a existência de informações sobre o perfil do condutor principal, em apólice de seguro de veículos.

Para entender melhor a situação, o CQCS conversou com Dorival Alves, advogado e vice-presidente de marketing da Fenacor. De acordo com o que ele informou, contratar apólices de seguro para pessoas físicas e jurídicas são coisas diferentes.  No caso da pessoa jurídica, é possível, em algumas seguradoras, informar a possibilidade de um condutor indeterminado. Dentro de uma empresa, fica difícil identificar qual dos funcionários ou dos sócios conduzirá um veículo por mais tempo.

Diante disso, também há a questão do preço, que pode sofrer mudanças. Se dentro de uma empresa, eu coloco que apenas o funcionário A vai conduzir o veículo, tudo bem, é um preço. Quando qualquer funcionário ou sócio habilitado para conduzir esse veículo, automaticamente, o risco é outro. Assim, a seguradora vai estabelecer um custo diferente.

Para pessoa física, em quase todas as companhias seguradoras, é possível informar quem é o condutor principal através de um questionário. Esse tipo de informação vai fazer com que a companhia seguradora venha pré-fixar um valor diante do risco.

Nessa situação, de acordo com Dorival, o Corretor exerce um papel de extrema importância, que é o de orientar seu segurado sobre qual a opção mais interessante para seu caso, independentemente do valor. É preciso não cuidar somente pelo preço, quando o consumidor quer apenas o produto mais barato, por falta de conhecimento ou algo assim, o Corretor precisa alertar, disse.

Fonte: CQCS

Gestão de riscos e tecnologia preditiva auxiliam setor financeiro

Desde que a covid-19 chegou ao Brasil, bancos públicos e privados tiveram de ajustar seus modelos de risco para antecipar possíveis impactos.

O impacto causado de forma abrupta pela crise do novo coronavírus fez com que diversos setores da economia fossem diretamente afetados. E não foi diferente nas instituições financeiras. Desde que a covid-19 chegou com mais intensidade ao Brasil, bancos públicos e privados tiveram de ajustar seus modelos de risco para antecipar possíveis impactos em seus balanços e nas suas carteiras de crédito. Com o choque de oferta e de demanda causado pelo surto do vírus, os bancos tiveram de revisar suas provisões, antecipando os riscos que poderiam ser ocasionados pelo aumento inesperado da inadimplência de seus consumidores.

Findo o primeiro semestre do ano, pudemos observar com mais atenção como as instituições financeiras, tanto no Brasil como no exterior, adaptaram suas realidades para conter os riscos da crise atual, especialmente de inadimplência das carteiras de crédito. Em termos gerais, notamos que, no cenário doméstico, os principais bancos elevaram fortemente as provisões contra devedores duvidosos, com reflexo em seus lucros, tanto no primeiro como no segundo trimestre. Ainda assim, foi possível notar solidez em seus indicadores e métricas de qualidade dos ativos, a mostrar que as instituições estão preparadas para lidar com as adversidades impostas pelo momento atual.

O setor financeiro sempre esteve à frente quando o assunto é risco. Até por serem exigidas pelos órgãos regulatórios, as instituições constantemente investem em tecnologias e ferramentas que ajudem a compreender cenários futuros de instabilidade. Plataformas que promovem teste de estresse e ajudam a elaborar modelos preditivos são amplamente utilizadas para que certas decisões sejam tomadas com maior segurança e clareza sobre situações delicadas. Esses modelos estão sendo constantemente atualizados para permitir desenhar cenários e realizar simulações a cada momento. Tudo isso para mitigar riscos, tanto para as instituições quanto para o sistema financeiro como um todo.

Tecnologias como modelagem preditiva, analytics, inteligência artificial, machine learning e mineração de dados são especialmente importantes para que os bancos possam elaborar seus cenários de gestão do ciclo de vida dos modelos de crédito. Momentos de choque na economia, com impactos na confiança e no endividamento dos consumidores, são um indício ruim para instituições financeiras, especialmente os grandes bancos de varejo. A aplicação de tecnologia analítica pode ajudar a prever situações derivadas de mudanças atípicas nos mercados. Modelos matemáticos que ajudam a compor a gestão de riscos por cenários se tornam imprescindíveis.

Exemplo de aplicação desses modelos de gestão de risco são os testes de estresse. O processo do teste deve considerar, sistematicamente, os pontos de vista únicos dos principais gestores e executivos sobre o ambiente de negócios previsto, as perspectivas econômicas gerais e a estratégia competitiva do banco, as atividades de levantamento de capital e o apetite a risco. Aspectos como esse foram amplamente considerados pelo setor financeiro para endereçar os impactos da crise do coronavírus.

No fim de abril, o Banco Central realizou um teste de estresse específico para avaliar a capacidade de os bancos brasileiros enfrentarem a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. A autoridade monetária promoveu um dos mais severos estudos realizados até hoje, indicando a necessidade de as instituições financeiras aumentarem de forma expressiva suas provisões. O aumento dessa reserva financeira para evitar o risco sistêmico decorrente da esperada inadimplência nas carteiras de crédito foi, de fato, adotado pelos bancos brasileiros.

A crise atual mostrou que o desenvolvimento de modelos precisos e transparentes aptos a serem replicados nas plataformas de simulação de portfólios e testes de estresse foi extremamente importante para que as instituições financeiras pudessem incorporar os cenários na gestão de risco de suas carteiras. Testes de estresse modernos e automatizados podem oferecer muitos benefícios tangíveis para as organizações. Ao executar análises e definir ações mitigadoras nos piores cenários, mesmo os menos prováveis, os riscos se tornam transparentes por todo o negócio. Essa transparência obriga a pensar sobre o risco de forma mais dinâmica, e a interatividade permite gerenciá-lo com mais proatividade.

Conforme apontado pela própria autoridade monetária brasileira em seu teste de estresse, considerando eventual queda na avaliação da qualidade do risco de crédito ou mesmo de incumprimento das empresas dos segmentos econômicos mais afetados, incluindo o contágio provocado na economia real e no setor financeiro, indica-se necessidade de aumento expressivo de provisões. Diante desse cenário, tanto o Banco Central, suavizando exigências regulatórias, como as instituições financeiras, adaptaram-se ao cenário conjuntural mitigando riscos. Isso passou pela tecnologia preditiva.

A crise está longe de passar mesmo após o fim da pandemia. O setor deve seguir enfrentando desafios significativos em seus balanços, em meio à profunda recessão da economia. Para garantir a continuidade da robustez nas métricas operacionais e financeiras dos bancos, promover uma contínua gestão de risco com o uso de modelos analíticos preditivos e construção de cenários, a tecnologia seguirá tendo papel fundamental, tanto agora como no pós-crise.

Autor: Por Renato Fiorini, gerente de Soluções de Risco do SAS para América Latina / Fonte: Revista Apólice

Previsão de subvenção do seguro rural caiu de R$ 1 bi para R$ 880,9 mi em 2020

Fonte: O Estado de S. Paulo

O Broadcast completa que o diretor do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pedro Loyola, disse que 'de um mês para cá' o orçamento planejado para a subvenção ao seguro rural em 2020 sofreu dois cortes, o que reduziu o montante previsto, de R$ 1 bilhão, para R$ 880,9 milhões.

'Essas reduções não são desejáveis porque há investimentos feitos (por seguradoras), redes de agrônomos contratadas. Estamos tentando junto ao governo dar um mínimo de previsibilidade (ao mercado), ao menos não reduzir os recursos de um ano para o outro', afirmou Loyola em live promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre perspectivas para o seguro rural na safra 2020/21.

Para 2021, segundo ele, até o momento a pasta não conseguiu garantir R$ 1,3 bilhão anunciado no lançamento do Plano Safra 2020/21. 'Por enquanto temos R$ 1,065 bilhão, então já fica uma tarefa para entidades do setor e para o Ministério, de tentar aumentar esse valor. Estamos em um ano de crise por causa da pandemia da covid-19 e, com os vários programas de auxílio financeiro do governo, ministérios e programas têm sofrido cortes em seus orçamentos', comentou.

Com R$ 1,3 bilhão em subvenção para apólices de seguro rural no ano que vem, o ministério esperava chegar a 280 mil apólices contratadas, ante 190 mil estimadas para este ano. Agora, com a perspectiva de contar somente com R$ 1,065 bilhão, o total de apólices deve chegar a 228 mil em 2021, de acordo com cálculos da pasta apresentados por Loyola.

A área segurada, no cenário de valor reduzido, alcançaria 15,3 milhão de hectares, ainda acima dos 12,7 milhões de hectares previstos para 2020. No ano passado, a área coberta com seguros totalizou 6,7 milhões de hectares, segundo o ministério.

Loyola comentou também sobre ajustes feitos, neste ano, no porcentual da apólice coberto por subvenção. A parcela subsidiada, no caso de culturas de verão, foi reduzida, pelo fato de já contarem com maior área segurada e produtores destas culturas, como soja, terem hoje com maior margem de lucro do que culturas de inverno.

Estas, em contrapartida, tiveram seus porcentuais de subsídio elevados, de 35% para 40%, segundo Loyola. Para as lavouras de verão, a subvenção atual varia de 20% a 40%. 'Fizemos isso porque há restrição orçamentária', justificou.

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Fraca demanda econômica deve manter Selic em 2%

Atualmente, taxa está no menor patamar da história; para especialista, justamente por isso, 'fica inviável diminuí-lo ainda mais'.

Fonte: Monitor Mercantil

O Comitê de Política Econômica (Copom), do Banco Central, se reúne hoje e amanhã para tratar, entre outros assuntos, da taxa básica de juros, a Selic. Segundo o Boletim Focus, divulgado ontem pelo BC, o mercado espera pela manutenção dos atuais 2% da Selic. Para a especialista em Finanças Públicas, e professora da Universidade Santo Amaro (Unisa), Roberta Auler Bittencourt Bernardo, essa projeção deve se concretizar.

A demanda agregada da economia ainda está muito fraca, em especial, pelas consequências negativas por conta da pandemia do novo coronavírus. O Banco Central deverá controlar a inflação do país por meio da manutenção atual em 2% da Selic. Em situações normais, ao reduzir a Selic, os juros mais baixos ajudam a tornar o crédito mais barato. Desse modo, possibilita aceleração do Produto Interno Bruto, pois o consumo das famílias e os investimentos privados, que têm os maiores impactos na economia, tendem a ficar mais estimulados, acredita.

Atualmente, a Selic encontra-se no menor patamar de sua história, após seguidas reduções, saindo de um patamar de 14,25% ao ano, em agosto de 2016, para os atuais 2%. Para a professora, este número já é baixo, e por isso, fica inviável diminuí-lo ainda mais.

Para a realidade dos países emergentes, como é o caso do Brasil, já está em um patamar bastante baixo. Ademais, já estamos com projeção de taxa de juros reais negativas para a economia brasileira. O risco fiscal é crescente, uma vez que a retomada da economia fique abaixo da esperada e ocorra a elevação da taxa de desemprego.

A previsão do mercado financeiro é que a Selic seja mantida no atual patamar (2% ao ano) até o final deste ano. Em 2021, a expectativa é que a Selic suba, encerrando o período em 2,5% ao ano.

O Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais, para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

A Selic, que serve de referência para os demais juros da economia, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Ao manter a Selic no mesmo patamar, o Copom considera que as alterações anteriores nos juros básicos foram suficientes para chegar à meta de inflação, objetivo que deve ser perseguido pelo BC.

Ao reduzir os juros básicos, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

A meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 4% em 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2,5% e o superior, 5,5%. Para 2021, a meta é 3,75%, também com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

As instituições financeiras consultadas pelo BC projetam inflação menor que o piso da meta, em 2020. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é 1,94% este ano. Para 2021, a estimativa é 3,01%, abaixo do centro da meta (3,75%).

Carga tributária elevada pode dificultar desenvolvimento do 5G no país

Representantes do setor criticam a reforma tributária e dizem que a alta carga de impostos desestimula os investimentos em infraestrutura

Com a pandemia acelerando o processo de transformação digital e modificando hábitos, promover investimentos em tecnologias para conectar toda a sociedade e estimular a inovação será um dos grandes desafios mundiais no cenário pós-pandemia.

No Brasil, a grande expectativa para impulsionar essa digitalização gira em torno do desenvolvimento da quinta geração de rede móvel, o 5G, e da capacidade do governo de promover ações para criar um ambiente favorável a essas inovações.

Durante o Painel Telebrasil, evento virtual que discutiu as transformações causadas pela pandemia, promovido pelo SindiTelebrasil, Júlio Semeghini, ministro interino de Ciência, Tecnologia e Inovações, ressaltou que o grande desafio do país é fazer com que a infraestrutura de banda larga chegue a um maior número de brasileiros.

Para Semeghini é necessário garantir não só a conectividade com a internet, mas também o acesso aos serviços e às soluções criados no ambiente digital.

Precisamos aproveitar as oportunidades que a transformação digital está dando ao mundo. Temos que garantir o acesso à banda larga para a população, os preços precisam ser revistos, projetos precisam ser executados para conectar todo o país. São muitos os desafios, mas precisamos assegurar a oportunidade a todos e não só a conectividade do uso, disse Semeghini.

Porém, os benefícios que os investimentos em tecnologia podem proporcionar à economia, esbarram na alta carga tributária existente no país.

Segundo Vivien Suruagy, presidente da Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (Feninfra), as propostas de reforma tributária em debate são vistas com preocupação pelo setor de telecomunicação, à medida que podem dificultar as melhorias e investimentos em infraestrutura.

Nós somos altamente tributados, recolhemos anualmente em torno de R$ 65 bilhões em tributos. Desde 2001, foram arrecadados R$ 100 bilhões em fundos setoriais, e apenas 8%, dos 100% que deveriam ser aplicados, foram utilizados para investimentos em telecomunicações, afirmou Vivien.

Para ela, uma das principais alternativas para estimular os investimentos na área é reduzir a carga fiscal. O Brasil tem a maior carga tributária do mundo, em média de 47,5%, o dobro do segundo colocado. É fora de propósito. Nós gastamos em torno de 1.950 horas por ano para cumprir as regras do Fisco, reforçou a presidente da Feninfra.

Vivien comentou ainda que a proposta enviada pelo governo, que unifica PIS e Cofins, criando a CBS, novo tributo com alíquota de 12%, irá aumentar a carga para as teles. Se nos ativermos a essa ideia, vamos ter um aumento médio de 5 pontos percentuais, inviável para qualquer setor, comentou.

A elevada carga tributária também é um dos entraves para o desenvolvimento do 5G no país, segundo José Félix, presidente da Claro. O executivo disse que o Brasil adora discutir o telhado sem preparar os alicerces ao comentar a questão tributária no setor de telecomunicação no país.

Quando se fala em 5G, em telemedicina, educação à distância, temos que lembrar que o consumidor é brindado com uma das maiores cargas tributárias do mundo. Isso é, no mínimo, um contrassenso, uma miopia, ou falta de vontade política, porque sabemos que essa questão é difícil de ser tratada já que os estados dependem dessa arrecadação, destacou Félix.

O presidente afirmou que, no início da pandemia, a Claro enfrentou uma verdadeira guerra por conta do aumento de consumo de internet. O consumo da rede fixa cresceu, em média, uns 40%. Todo o tráfego das pessoas que ficaram em casa migrou drasticamente da rede móvel para a rede fixa por conta das mudanças de hábitos, explica.

A expectativa é de que, com a quinta geração de rede móvel em desenvolvimento no país, a velocidade de conexão aumente, permitindo uma melhor cobertura de sinal, envio de dados e melhora na comunicação entre dispositivos conectados numa mesma rede.

A expansão do 5G depende ainda do leilão das faixas de frequências, que está sendo organizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tem previsão de acontecer no próximo ano.

Júlio Semeghini, ministro interino de Ciência, Tecnologia e Inovações, ressaltou que o governo tem criado formas para facilitar o investimento no país, como o PLC 79/2016, que seguiu na última semana para sanção presidencial. O projeto altera o marco regulatório das telecomunicações e deve destravar recursos para investimentos em infraestrutura.

Estamos trabalhando para que os recursos do leilão do 5G venham para realização de investimentos em infraestrutura. Se isso acontecer, serão investido bilhões de reais rapidamente no setor de telecomunicação e o crescimento será intensificado com a Lei das Antenas e a Lei do IoT [Internet das Coisas]. Está sendo feito um grande alicerce, mas falta concluí-lo para trabalharmos na reforma tributária para que o 5G venha para valer, comentou.

Carlos Roseiro, diretor de soluções da Huawei do Brasil, afirmou que o 5G pode injetar até R$ 30 bilhões por ano na economia, com a agricultura e a mineração sendo algumas das atividades mais beneficiadas com aumento de produtividade e melhoria nos processos promovidos pela tecnologia.

Roseiro ressaltou a importância da nova geração de rede móvel no processo de transformação digital da economia, mas reforçou que a tecnologia sozinha não será responsável por elevar a produtividade e garantir a eficiência esperada por todos. É a combinação do 5G com outras tecnologias, como a fibra óptica, inteligência artificial e cloud (nuvem) que irá fazer com que a transformação aconteça.

Para o executivo, o Brasil tem adotado uma série de medidas que devem contribuir para a aceleração da transformação digital no mercado interno.

Não só o leilão do 5G, mas o governo tem anunciado outras ações, seja a nível econômico geral ou a nível setorial, que indicam uma tendência que poderá gerar uma intensificação nos investimentos do lado da oferta, pontua.

Fonte: InfoMoney

Energia: São Paulo recebe investimento

Solarian fecha contrato para mais três usinas no interior de SP

Empreendimentos somam 10,4 MW e irão abastecer 220 farmácias instaladas nas áreas de concessão da CPFL Paulista e da Elektro a partir do ano que vem.

Fonte: Canal Energia

A Solarian Energy assinou na última segunda-feira (14) mais três contratos para construção de parques fotovoltaicos no interior de São Paulo. As usinas abastecerão 220 farmácias instaladas nas áreas de concessão da CPFL Paulista e da Elektro, totalizando 10,4 MW de potência nas cidades de Andradina, Guarantã e Pirangi, informa o CEO da empresa, Edgard Franco.

Os empreendimentos irão demandar R$ 38 milhões em investimentos, a serem realizados em parceria com um fundo estrangeiro, com a estimativa de aumentar a capacidade de geração da companhia em 65%, agregando mais 21.454 MWh anuais ao seu portfólio, que está com outras três implementações de UFVs em andamento. A conclusão das obras é prevista para o início de 2021.

Fontes renováveis na matriz energética chegará a 46%, afirma estudo

Sai o petróleo de origem fóssil, entram as fontes renováveis de energia, como a solar e a eólica, como futuras protagonistas na geração de energia no Brasil, que se tornará um dos países com um mix de energia de mais baixo carbono do mundo.

De acordo com dados inéditos do Energy Outlook 2020, da petroleira britânica BP, lançado nesta segunda-feira, em um dos cenários traçados, o consumo de energia a partir de fontes renováveis quase quadruplica até 2050, para chegar a 46% da matriz energética no Brasil.

Já o petróleo deverá reduzir sua participação na matriz energética brasileira dos 39%, em 2018, para 28%, 14% ou até mesmo 7%, em 2050, dependendo das políticas a serem adotadas em relação à questão ambiental e à economia de baixo carbono.

O estudo da BP destaca que o rápido crescimento das energias renováveis e uma base hidrelétrica sólida tornam o Brasil uma das regiões com o mix de energia mais baixo em carbono.

Ainda de acordo com o Energy Outlook 2020, nos três cenários apresentados, relacionados a políticas governamentais, ambientais e comportamentos da sociedade, a demanda por energia do Brasil aumenta cerca de dois terços.

No cenário Rapid, que considera a adoção de medidas políticas, lideradas por um aumento significativo nos preços do carbono, que resultam em emissões de carbono provenientes do uso de energia caindo cerca de 70% até 2050 em relação aos níveis de 2018, o consumo de energia a partir de fontes renováveis quase quadruplica até 2050, atingindo 46% da matriz energética brasileira. A produção de petróleo no cenário Rapid, por sua vez, atinge seu pico no final dos anos 2020.

Já em outro cenário (BAU), que pressupõe que as políticas governamentais, tecnologias e preferências sociais continuam a evoluir de maneira e velocidade vistas no passado recente, o crescimento da produção de petróleo continua na década de 2030, atingindo o pico de 5 milhões de barris por dia no fim dos anos 2030.

O estudo destaca que a economia brasileira expande a 1,7% ao ano, entre 2018 a 2050, abaixo dos 2,4% no período de 1990 a 2018 e significativamente inferior à taxa de crescimento do PIB mundial estimada (2,6% a.a.). O consumo de energia primária no Brasil deverá crescer entre 60% a 66% até 2050, com o consumo de energia per capita aumentando em cerca de 50%, de acordo com a BP.

Indústria lidera crescimento da demanda

O estudo da BP diz ainda que a maior parte do crescimento da demanda primária de energia virá da indústria, que crescerá 83% no BAU, 101% no Rapid e 111% no cenário Net Zero, que considera mudanças significativas no comportamento e nas preferências da sociedade e do consumidor, tais como maior adoção de economias circulares e compartilhadas e a mudança para fontes de energia de baixo carbono.

O setor de transporte será a segunda fonte de crescimento da demanda por energia. Nos três cenários, a participação das energias renováveis no mix de energia primária expande rapidamente de 15%, em 2018, para 32%, 46% e 54% no BAU, Rapid e Net Zero, respectivamente.

Segundo o Energy Outlook 2020, o Brasil continua sendo um dos maiores produtores do mundo de energia elétrica a partir de usinas hidrelétricas. Em 2018, a energia hidrelétrica representou 28% da matriz energética. Em 2050, chegará a 21% no cenário BAU; 24%, no Rapid; e 26% no Net Zero.

Por sua vez, o petróleo vai perder participação em todos os três cenários, passando de 39%, em 2018, para 28%, 14% e 7% no BAU, Rapid e Net Zero, respectivamente.

Já a previsão nos cenários da BP é de que a energia nuclear será a segunda fonte com maior crescimento, aumentando em 3,4% a.a., 4% a.a. e 4,8% a.a. em BAU, Rapid e Net Zero, respectivamente.

A produção de petróleo vai aumentar rapidamente durante o período, o que poderá fazer com que sua participação no fornecimento de petróleo não-OPEP aumente de menos de 5%, em 2018, para quase 8%, na segunda metade de 2030.

Fonte: O Globo