Carrefour é retrato da falta de gestão de riscos

23, Nov. 2020

Tragédia em unidade do Carrefour é retrato da falta de gestão de riscos

Fonte: Revista Veja

Multinacional francesa acumula histórico de má-gestão de riscos; na última quinta-feira 19, um homem foi espancado até a morte em uma unidade da rede

Para quem acompanhou a dura notícia da morte por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, nas dependências de um supermercado Carrefour, o slogan da multinacional francesa parece incoerente. Todos merecem o melhor, defende a rede. Na prática, o histórico recente de casos policiais nas dependências de unidades da rede se contrapõe ao discurso. Menos de um ano após o linchamento que culminou na morte de um cão que

gerou indignação e protestos pelo Brasil, Freitas, um cliente, foi espancado na noite desta quinta-feira, 19, por dois homens brancos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, até ficar sem vida. No chão, os rastros de sangue da tragédia. A reação dos homens, às vésperas do feriado de Consciência Negra, teria sido motivada por uma discussão entre o homem e uma funcionária do estabelecimento. Os dois agressores, um policial militar e um segurança do mercado, foram

presos em flagrante. No vídeo divulgado por testemunhas do evento lamentável e desumano, ainda é possível notar que funcionários do espaço tentam impedir o registro.

Desde 2007, a rede virou alvo de pelo menos quatro processos envolvendo escândalos públicos, como episódios de racismo e homofobia. Ela também responde pela execução de um homem, por humilhação pública contra empregados e até mesmo violência infantil.

Procurado por VEJA, o Carrefour se posicionou por meio de nota. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que aconteceu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo

suporte para as autoridades locais, diz o comunicado. A empresa se comprometeu a reverter todo seu faturamento desta sexta-feira, 20, para projetos de combate ao racismo no país. Essa quantia, obviamente, não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para que isso não se repita.

O caso trouxe impacto imediato às ações da empresa listada na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. No começo do dia, o papel já caía mais de 1%. A principal concorrente na listagem, o Pão de Açúcar, subia mais de 2,6% no mesmo momento. Por volta das 14h20, no entanto, a ação do Carrefour já havia se recuperado, com alta de 0,9%. O novo episódio de violência tem efeitos a reputação da marca e na gestão de imagem, com impactos imediatos e no longo prazo para a empresa. A nota emitida pelo Carrefour não reverteu o impacto perante à opinião pública, na verdade, provocou o efeito contrário. Em busca de apresentar uma

postura mais firme, a companhia anunciou que, no sábado, dia 21, todas as unidades do grupo no país abrirão duas horas mais tarde.

Nesse período, os funcionários e prestadores de serviço dos espaços irão refletir sobre o ocorrido e rever normas de segurança da empresa. O Carrefour afirmou ainda que a unidade do bairro Passo D'Areia, onde ocorreu o espancamento de Freitas, ficará fechada temporariamente. No último dia 14 de agosto, o mercado protagonizou outro episódio de descaso. Um promotor de vendas do Carrefour morreu enquanto trabalhava numa unidade da empresa em Recife, capital de

Pernambuco. Ao invés de a loja ser fechada, o corpo de Moisés Santos, de 53 anos, foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas para escondê-lo. O supermercado foi mantido em funcionamento por quatro horas, até a chegada do Instituto Médico Legal, o IML, para retirar o corpo do local. Segundo o grupo, ele foi vítima de um ataque cardíaco. A época, o grupo afirmou, em nota, que seguiu todos os protocolos durante o socorro e após o falecimento. Mas, diante da péssima repercussão, a rede voltou atrás e pediu desculpas. A empresa errou ao não fechar a loja imediatamente após o ocorrido à espera do serviço funerário, bem como não encontrou a forma correta de proteger o corpo do Sr. Moisés.

Em 2019, a juíza Ivana Meller Santana, da 5a Vara do Trabalho de Osasco, em São Paulo, condenou o Carrefour por controlar a ida de funcionários ao banheiro em Osasco, em São Paulo, proibindo que o grupo fiscalizasse um direito básico. A rede de supermercados recorreu. No ano anterior, o grupo esteve no cerne de outro crime. Um segurança da rede, também na cidade de Osasco, desferiu golpes contra um vira-lata, o Manchinha, ocasionando na morte do cachorro.

Para especialistas, os seguidos incidentes denotam uma condução da gestão de riscos errática. Existe um amadorismo muito grande em relação à gestão de riscos no Brasil. Não existe plano de ação na maioria das empresas. Elas hoje falam muito em gestão de crise, em investir em relações públicas para mitigar os impactos negativos, mas pouco em como prevenir que se chegue a isso. Essa visão precisa ser mudada, diz Patricia Teixeira, diretora da consultoria We Plan Before.

Para Denise Paiero, especialista em gestão de crise e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a repetição de episódios trágicos levanta uma suspeição sobre a condução da gestão da companhia no país. O mundo está atento quanto à questão do racismo. Os funcionários tirarem a vida de alguém é uma das piores coisas para a imagem. Colocar essa culpa em um prestador de serviços terceirizado, demiti-lo e achar que está tudo resolvido é um erro,

aponta ela. Essa série de problemas mostra que, após cada uma das crises, nada está sendo feito internamente. O erro é dos funcionários ou existe um problema de gestão? Esse questionamento precisa ser respondido pela empresa.

Amil é multada em R$ 10 milhões

A prestadora de saúde descumpriu normas estabelecidas pela ANS.

Fonte: CQCS

O site Correio Braziliense informou, em matéria publicada dia 18/11, que o Instituto de Defesa do Consumidor (PROCON) puniu prestadora de saúde Amil em R$ 10 milhões por aplicar aumento por mudança de faixa etária em valores superiores aos índices de sinistralidade de 2020 em comparação com 2019 dos contratos coletivos permitido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

De acordo com o site, a empresa foi punida ainda porque teria se recusado a informar sobre planos coletivos empresariais, procedimento necessário para entender o reajuste anual aplicado nesses contratos. Reclamações de consumidores e análise de contratos apresentados apontam ainda para outras irregularidades cometidas pela operadora.

Segundo nota dada pelo Procon-SP, a multa de R$ 10.255.569,90 foi estimada com base no porte econômico da empresa, na gravidade da infração e na vantagem obtida, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.

O Correio também informou na matéria que a Amil analisará o teor do auto enviado pelo Procon e apresentará a sua defesa no prazo legal estabelecido.

Pandemia fez brasileiro sofrer com finanças, mas inspirou a pensar mais no futuro

Pesquisa indica que 90% sente necessidade de educação para aprender a investir e a se organizar

Fonte: Valor Econômico

O Valor Investe destaca que a pandemia fez a ampla maioria da população brasileira perceber sua renda como insuficiente para cobrir seu custo de vida, gerou atrasos em contas e postergou planos e realizações, mas também inspirou o brasileiro a pensar mais no futuro, buscar educação financeira e programar sua aposentadoria.

Essas são as principais conclusões do estudo O bolso do brasileiro, realizada pelo Instituto Locomotiva e pela Xpeed, braço de educação financeira da XP.

Que a covid-19 fez a maior parte da população penar nas finanças, já se imaginava, mas o levantamento traz números, e contornos de gravidade, à presumida situação.

A pesquisa mostra que 63% consideram ter conhecimentos apenas básicos de educação financeira. Isso já é muito, mas o retrato é ainda pior, pois a maioria dos que descreviam ter conhecimento avançado mal dá conta de cálculos de juros simples. Temos uma demanda imensa por educação, comenta Izabella Mattar, CEO da Xpeed.

A empresa foi lançada em junho para reorganizar as iniciativas pedagógicas da XP, de olho em furar a bolha, como ela define. Havia uma demanda importante, antes da minha chegada, por organizar o pensamento e diferenciar bem os cursos de trade, por exemplo, dos conteúdos de educação mais básica, ela comenta.

Já Renato Meirelles, diretor do Instituto Locomotiva, realça a proposta de medir os impactos de uma crise ocorrida em um contexto diferente dos que marcaram as últimas recessões. A principal conclusão é que a educação financeira ganhou uma importância maior do que a que já existia, ainda mais na iminência do fim do pagamento, pelo governo, do auxílio emergencial, comenta.

No dado mais chamativo, o estudo revela que 7 em cada 10 brasileiros concluíram, nos últimos 12 meses, que sua renda era insuficiente para cobrir seu custo de vida, são 115,5 milhões de brasileiros nessa condição, pontua Meirelles. E, nas classes D e E, o índice chega a 87%.

Isso levanta uma questão para agentes financeiros, sejam eles ligados a bancos tradicionais ou às jovens plataformas de investimento e educação: para uma população com a corda no pescoço, é possível falar sobre como investir, ou ainda é o caso de ensinar a evitar o endividamento?

São movimentos paralelos. A maior razão que leva os brasileiros a traçar objetivos financeiros é justamente pagar dívidas, e a segunda é ter uma reserva para emergências, sendo que a maior emergência apontada pelos entrevistados é justamente não ter dívidas, pontua Meirelles.

Para ele, essa pergunta ganhará novas respostas conforme aumente a penetração dos serviços oferecidos por fintechs. Até há pouco tempo, qual era a lógica do banco? Emprestar o guarda-chuva no dia de sol e tirar quando começa a chover, e ganhar dinheiro com juros sobre empréstimos aos mais pobres e com comissões sobre investimentos dos mais ricos. Agora, é possível reverter essa lógica, comenta.

O estudo apurou ainda que a pandemia fez 3 em cada 10 pessoas atrasarem pagamentos de contas, e 41% dos entrevistados disseram não ter como pagar uma despesa inesperada que equivalesse à renda deles em um mês, nas classes D e E, esse índice piora e chega a 47%.

Além disso, 8 em cada 10 entrevistados dizem ter objetivos financeiros, mas os principais são pagamento de dívidas e formação de reserva de emergência, e 29% nem sequer creem que sua condição permitirá alcançar essas metas.

A pesquisa delineia essa vulnerabilidade como um obstáculo para o desenvolvimento pessoal e, em último caso, para a felicidade. É o que se conclui do fato de que para 58% da população, a situação financeira impede a realização de coisas que consideram importantes. Entre pessoas com mais de 60 anos, esse índice dispara para 70%.

A gente quis abordar questões pouco citadas, como a fobia financeira. Tem muita gente declarando que dinheiro é um problema que atrapalha a saúde mental. Muitos nem acompanham o extrato ou a fatura do cartão, preferem não pensar nisso. Acontece muito no Brasil, é um tema que vive embaixo do tapete. Estamos jogando luz, situa Mattar, da Xpeed.

Pesquisas mostram que quando estão devendo, as pessoas param de atender números desconhecidos no celular, reforça Meirelles, da Locomotiva, sobre o dano psicológico causado pela fragilidade financeira. Ele completa: O mercado tende a considerar os inadimplentes caloteiros, quando na verdade são os principais interessados em quitar suas dívidas e voltar ao ciclo de consumo. O sistema financeiro é uma corda: pode servir para se enforcar ou para sair do buraco. A educação serve para que essa corda seja bem utilizada.

A pesquisa O Bolso do Brasileiro ouviu 1.501 pessoas com mais de 18 anos em todo o país, pela internet, entre 16 e 23 de outubro, e vai ser apresentada nesta segunda-feira, às 19h15, em meio à participação da Xpeed na 7ª Semana Nacional de Educação Financeira, que começa hoje (23) e vai até sexta-feira (27). O evento é promovido pelas entidades-membros do Fórum Brasileiro de Educação Financeira, incluindo Banco Central e CVM, veja ao final, alguns destaques da programação da Xpeed ao longo da semana.

Mais preocupação com o futuro

Tanto Mattar, da Xpeed, quanto Meirelles, do Locomotiva, salientam um inusitado efeito colateral da covid-19: a janela de oportunidades contida no inesperado, com maior conscientização sobre a necessidade de se planejar para evitar tombos como o que foi causado pelo vírus.

Para 47% dos entrevistados, o novo coronavírus fez pensar mais no futuro; 41% dizem ter passado a pesquisar mais sobre finanças após a covid-19; e 90% sentem necessidade de educação para aprender a investir e a se organizar.

A pandemia fez as pessoas terem de lidar com o assunto. Foi de maneira brutal, na veia, sem reserva. É um momento de conscientização, porque abre a cabeça; o cara acabou de sofrer a dor, é a melhor hora para falar nisso, diz Mattar.

Meirelles concorda: A pandemia fez o brasileiro pensar em alternativas nas quais até há pouco tempo não pensava, porque não tinha o conhecimento, nem havia plataformas que possibilitassem o acesso a investimentos. Hoje, tem várias. Isso é uma mudança de paradigma.

O que esperar de 2021

Erika Medici, CEO da AXA Brasil

Fonte: Sonho Seguro

A série O que esperar de 2021, visa trazer um pouco de luz sobre as incertezas do próximo ano. Nesta edição, Erika Medici, CEO da AXA Brasil, fala um pouco sobre suas expectativas. Leia abaixo:

Como descreve o ano de 2020?

Com certeza está sendo um ano desafiador. É até difícil comparar com qualquer outro ano…Todos tivemos de nos reinventar, mudar ou adaptar planos e, nesse sentido, novas oportunidades surgiram. Aceleramos alguns processos de digitalização e estamos colhendo os frutos. Posso dizer, com orgulho, que estamos entregando o resultado, e nos beneficiando de ter linhas de negócios complementares. A venda de seguro no varejo foi mais impactada do que a distribuição de P&C junto aos corretores, mas isso nos trouxe aprendizados, uma visão mais ampla e sofisticada da operação de Parcerias, com uma estratégia de explorar novos ecossistemas, modelos mais digitais. Nessa linha, lançamos, em outubro, o microsseguro Cuidar Mais, que democratiza a cobertura de Doenças Graves e Invalidez, com um pacote de serviços de saúde, como consultas de telemedicina disponíveis 24 horas por dia. Fizemos isso junto ao varejo, mas nossa intenção é ampliar o alcance da solução.

Qual o impacto da pandemia na empresa? Quais as áreas mais afetadas?

Mesmo com a retração em alguns mercados, estamos cumprindo nossas metas e temos rentabilidade. A área de Parcerias foi mais impactada, em especial pelo varejo, em que o ponto de venda físico desempenha um papel importante na oferta e na conversão da venda de produtos financeiros e seguros. O lado positivo dessa mesma moeda é que passamos a operar num modelo de venda digital no varejo, com uma implantação em tempo recorde, e buscamos novos ecossistemas, como fintechs e empresas de tecnologia, olhando novas possibilidades de negócio em setores mais resilientes.

O que mudou na forma de se relacionar com o consumidor? De um exemplo prático.

A jornada do cliente passou a ser totalmente digital, e o principal desafio foi sermos capazes de fazer parte dessa jornada. Citando dois exemplos práticos: Com a Paketá, que oferece consignado a empresas parceiras, modelamos uma jornada conjunta para inserir o seguro prestamista no processo decisório do empréstimo. Com a Pernambucanas, inserimos o seguro no e-commerce e estamos aptos a distribuir por whatsapp e lançamos o Cuidar Mais. Essa solução não resolve todas as demandas de saúde das famílias, mas endereça uma parte importante das necessidades básicas de atendimento, com qualidade, rapidez e segurança, a baixo custo e amplitude de acesso, o que é fundamental, tendo em vista a dimensão do Brasil. Temos uma oportunidade enorme de inclusão social com esse produto, o que é ainda mais relevante num cenário de pandemia.

Quais as tendências da empresa e do setor para 2021?

Vamos seguir nossa trajetória de aceleração do crescimento, ampliando nossa participação no médio mercado (P&C e Transportes) e nos aproximando mais dos negócios de pequeno porte, seguros empresariais, comércios e serviços, Condomínio e Transportes. No segmento de Parcerias, vamos expandir as operações para novos ecossistemas, algo que se mostrou muito relevante em 2020.  Continuamos aprofundando os benefícios da aceleração de vários serviços digitais implantados em 2020, como a vistoria remota (através de app) ou por drone para produtos empresariais, condomínio e transportes. Também vamos ganhar tração em novos produtos que estão sendo lançados este ano, com características e benefícios muito aderentes ao momento, incluindo serviços de telemedicina, por exemplo.

E para o setor?

O setor como um todo passou pelo tão falado empurrão tecnológico causado pela pandemia. E acredito que a tendência deva ser expandir isso, fortalecer, utilizar mais dados e processos digitais para ofertas mais aderentes ao canal e ao perfil do consumidor. Temos adiante uma grande oportunidade no mercado segurador, em um momento que a percepção sobre os riscos aumentou.

Morte de João Alberto: Carrefour deve adotar compliance em direitos humanos, diz MPF

Homem negro foi morto após ser abordado por seguranças na cidade de Porto Alegre.

Fonte: Migalhas

Nota pública da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e da Procuradoria Regional do Direitos do Cidadão no RS repudia o ato de violência racial que provocou a morte de João Alberto Silveira Freitas, nas dependências do Carrefour, e conclama a empresa a adotar, em toda a sua rede, políticas de compliance em direitos humanos.

O parquet defende a instituição de programas de capacitação, treinamento e qualificação de seus empregados e agentes terceirizados, com o objetivo de combater o racismo institucional/estrutural e a discriminação racial.

Emblemático exemplo desse processo de reprodução de práticas discriminatórias é o caso do ex-jogador de basquete Richard Augusto de Souza Pinto, seguido por um segurança da Rede Pão de Açúcar de Supermercados, durante todo o período em que fazia compras no local, por ser considerado suspeito apenas em razão da cor - o fato, ocorrido em 2017, ensejou a condenação da empresa, no ano de 2019, ao pagamento de indenização pelos danos morais causados ao atleta.

O MPF cita ainda dados que demonstram o impacto desproporcional da violência sobre a população negra brasileira, como:

i) a cada 21 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil;

ii) as pessoas negras e pardas, mesmo correspondendo a pouco mais da metade da população brasileira, constituem quase dois terços da população carcerária no Brasil, tendo 2,7 vezes mais chances de serem vítimas de assassinato do que uma pessoa branca, conforme dados do IBGE3; e

iii) em 2019, mais de 35 mil pessoas negras foram mortas no Brasil.

Assinam a nota o procurador Federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, o procurador da República Marco Antonio Delfino (coordenador do grupo de trabalho de Combate ao Racismo e Promoção da Igualdade Racial), o procurador regional da República Vladimir Aras (coordenador do grupo de trabalho Direitos Humanos e Empresas) e o procurador regional dos Direitos do Cidadão do RS Enrico Rodrigues de Freitas.

Carrefour é desligado de Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial

João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi morto por dois seguranças da rede de supermercados

Fonte: Folha de PE

A Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 organizações signatárias, informou, neste sábado (21), que desligou o Carrefour da lista de empresas parceiras. Entre as signatárias, estão Ambev, Coca-Cola, GPA e Petrobras.

Na noite de quinta-feira (19), João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, foi morto por dois seguranças da rede de supermercados após fazer compras em uma unidade localizada em Porto Alegre.

A grande questão da exclusão do Carrefour tem a ver com fato de serem reincidentes, disse Raphael Vicente, coordenador da iniciativa, uma plataforma de articulação entre empresas e instituições que se comprometem a melhorar a inclusão, promoção e valorização da diversidade étnico-racial.

O Grupo Carrefour Brasil anunciou, em nota (leia íntegra abaixo), que romperá o contrato com a empresa responsável pelos seguranças, além de demitir o funcionário responsável pela loja na hora do ocorrido. Na noite de sexta, exibiu comunicado após a novela das 21h, na Globo.

Procurado pela reportagem para comentar a exclusão da iniciativa, a empresa não se manifestou até a publicação do texto. Vicente diz que a forma como a empresa lidou com o ocorrido é inaceitável. Eles emitiram uma nota se eximindo da culpa e da responsabilidade. Vamos continuar conversando para que tenhamos uma resposta clara e objetiva do Carrefour, afirmou.

Segundo ele, o presidente do grupo no Brasil deveria ter feito o que o presidente global fez: ir a público e dizer que tomariam medidas drásticas para evitar esse tipo de tragédia novamente.

No início da noite desta sexta-feira (20), o presidente do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, se manifestou em sua conta no Twitter sobre o assassinato. O francês pediu a revisão do treinamento de funcionários e de terceiros, no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio à intolerância.

Está explícito que tem um problema, que não é do gerente, da loja, do vigia ou da empresa terceirizada. O presidente tinha que ter vindo a público e afirmar que os processos seriam revistos, medidas duras seriam tomadas, afirma Vicente.

Qualquer empresa pode ser signatária da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, diz o coordenador. É preciso apenas que ela se comprometa publicamente com os compromissos da iniciativa, afirma.

O caso brutal na unidade gaúcha é o mais recente de uma sequência de relatos sobre discriminação, descaso e violência sob diferentes aspectos no Brasil, com alguns casos obtendo grande repercussão.

Em 2009, um vigia e técnico em eletrônica, também negro, foi agredido por seguranças de uma unidade em Osasco (SP), acusado de tentar roubar o próprio carro no estacionamento da loja. Em dezembro de 2018, também em Osasco, um cão foi envenenado e espancado por um segurança da rede, causando enorme comoção na comunidade.

No caso mais recente, um promotor de vendas terceirizado da rede morreu enquanto trabalhava em uma unidade do grupo, em Recife, em agosto deste ano. O corpo foi coberto com guarda-sóis e cercado por caixas enquanto a loja seguiu em funcionamento. O IML (Instituto Médico Legal) só fez a remoção após quatro horas.

Ainda assim, a rede segue como destaque em alguns indicadores que são utilizados como atestado de boas práticas corporativas em questões sociais e ambientais.

O Amapá é aqui

Nas sociedades industriais, a segurança energética é um bem econômico de valor incalculável

Um apagão mergulhou o Amapá na escuridão na primeira terça-feira de novembro. Um incêndio na estação que recebe a energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) inviabilizou a distribuição de eletricidade para a população local. Sem energia elétrica, cerca de 800 mil brasileiros tiveram seu abastecimento de água potável interrompido, suas transações comerciais paralisadas e suas comunicações inviabilizadas. O Amapá vive situação caótica, marcada por protestos contidos pela polícia militar.

Passada uma semana do incêndio, as autoridades do setor elétrico informam que a normalização do suprimento elétrico deverá ocorrer em dezembro. O MME indicou considerar necessário revisar as condições do suprimento estadual para garantir a confiabilidade energética do Amapá. Nesse ínterim, a população local terá que conviver com o racionamento de energia, que será suprida em rodízios horários. A economia local, já duramente afetada pela crise do Coronavirus, infelizmente sofrerá forte baque adicional.

As informações disponibilizadas pelas autoridades setoriais não permitem identificar o que causou o incêndio na subestação. Uma comissão composta pelo MME e representantes das empresas envolvidas na gestão do suprimento energético do Amapá foi criada para dar uma resposta à sociedade. No entanto, nem a Aneel nem o ONS integram essa comissão. A presença desses agentes na Comissão é essencial para dar transparência às suas conclusões e agilidade nas decisões que devem ser tomadas para garantir a normalidade do suprimento elétrico do estado.

O evento do Amapá não deve ser visto como um acidente improvável, ainda que não previsível. Na realidade, as periferias do SIN vivem sob o permanente risco de racionamento de energia, em casos de eventos similares ao ocorrido no Amapá. Fundamentalmente dependente da energia acumulada nos reservatórios hidrelétricos, a confiabilidade do suprimento elétrico está sujeita à boa gestão desses reservatórios, mas, principalmente, da capacidade do ONS de estabilizar a rede de transporte do SIN em eventos similares.

Em períodos de forte estiagem, como o que atualmente assola a maior parte do território nacional, o ONS necessita despachar centrais térmicas para mitigar o risco de racionamento. Realizar esse despacho, respeitando regras pré-estabelecidas de confiabilidade para o suprimento e de redução de custos, sem comprometer o suprimento elétrico, não é tarefa simples. Evidentemente, essa tarefa não pode ficar sujeita a interesses econômicos ou políticos específicos.

Uma análise superficial da capacidade instalada do parque gerador termelétrico sugere situação bastante confortável para o ONS atender à demanda de energia elétrica do SIN, mesmo em situações de pluviometria desfavorável. No entanto, boa parte desse parque termelétrico não se encontra em condições operacionais, seja por falta de suprimento de gás natural, seja por diversas centrais estarem com sua vida econômica útil vencida.

As condições de suprimento elétrico na região Sul do país oferecem um claro indicador dessa situação. Cerca de 1000 MW das centrais térmicas instaladas na região não podem ser despachadas pelo ONS, pelas razões apontadas no parágrafo anterior. Essa situação obriga a importação temporária 1400 MW da Argentina para garantir o suprimento elétrico regional. Qualquer evento similar ao da estação do Amapá, do lado brasileiro ou argentino, terá efeitos na região sul que serão similares aos enfrentados atualmente naquele estado.

Centrado nas privatizações, o governo negligencia a importância da segurança energética para a vida socioeconômica do país. Como nos ensina o racionamento de energia elétrica do início deste milênio, as perdas provocadas por crises de abastecimento de energia ultrapassam largamente os benefícios almejados com privatizações irrefletidas. Nas sociedades industriais, a segurança energética é um bem econômico de valor incalculável.

Fonte: Brasil Energia / Autor: Adilson Oliveira é professor Titular da Cátedra Antônio Dias Leite /Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ

Locação de galpões logísticos para last mile tem alta de 75% em SP

Segundo o estudo First Look realizado pela JLL, a capital paulista e os terrenos localizados até 35km do seu centro seguem com alta procura para locação de galpões logísticos voltados para operações de last mile. O crescimento foi de 75% em relação ao ano passado.

A alta foi impulsionada pelo aquecimento do e-commerce, que atingiu recordes de vendas durante a pandemia, com crescimento de aproximadamente 47%, atingindo o volume de 290 mil m² ocupados.

Para o gerente de Locações Industriais da JLL, Ricardo Hirata, esse mercado deve permanecer aquecido por um bom tempo: “As principais tomadoras dessas áreas são as empresas de e-commerce. Registramos 16 novos empreendimentos deste tipo e a procura por esses espaços é crescente.”, comenta ele.

Vacância segue em queda nos galpões logísticos

O bom momento também teve reflexo na taxa de vacância. O mercado de galpões logísticos seguiu registrando sucessivas quedas no terceiro trimestre de 2020, de acordo com o índice teve redução de 1 ponto percentual em relação ao período anterior e de 2,4 pontos percentuais em comparação com 2019.

A Amazon foi responsável pela tomada de grandes espaços: 114 mil m² em Cajamar e mais 24 mil m² no Rio Grande do Sul, enquanto a Madeira Madeira ocupou mais de 21 mil m² no recém-inaugurado GLP Jundiaí III, que já tem quase 40% do seu espaço locado.

A maioria dos estados brasileiros registrou absorção líquida positiva no trimestre, exceto Rio Grande do Sul, Pernambuco e Goiás. O preço médio permaneceu estável, com redução de apenas 11% entre o pedido e o praticado, indicando que as negociações entre proprietários e locatários estão mais acirradas.

Ocupação de leitos públicos de UTI para covid-19 chega a 92% no Rio

É o maior percentual desde 12 de junho

Fonte: Agência Brasil

A taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para covid-19 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) chegou a 92% na cidade do Rio de Janeiro, no dia de ontem (22).

É a maior ocupação desde 12 de junho deste ano, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

A ocupação dos leitos de tratamento intensivo, que chegou a baixar para 59% em meados de agosto, estava na faixa dos 80% desde o início de novembro.

Ainda de acordo com a secretaria, ontem, quando se atingiu 92% de ocupação, havia 499 pacientes em leitos de UTI do SUS, na cidade, de um total de 1.044 internados em hospitais municipais, estaduais e federais.

Seguem links para acesso às edições virtuais mais recentes das Revistas do Setor de Seguros:

Revista Apólice: https://www.revistaapolice.com.br/2020/10/edicao-259/

Revista Segurador Brasil: https://issuu.com/revistaseguradorbrasil/docs/segurador_160

Revista Seguro Total: https://revistasegurototal.com.br/2020/10/12/seguro-e-mais-velho-do-que-se-imagina/

Revista Cobertura: https://www.revistacobertura.com.br/2020/09/25/edicao-224/

Revista Insurance Corp: https://drive.google.com/file/d/1R3x_IJSB0wtX-sVRw0hy3hlTg-MZ-vTZ/view?usp=sharing

Revista Cadernos de Seguro: http://cadernosdeseguro.funenseg.org.br/secoes.php 

I Conferência Nacional de Microsseguros

Inscrições gratuitas e online. Acesse: https://conferencia.anmicrosseguros.org.br/inscricao/

SummitSec – Segurança e Privacidade na Prática

Sobre o Evento O SUMMIT SEC acontece pelo terceiro ano consecutivo para discutir temas como LGPD, proteção e privacidade de dados, segurança da informação e cibernética de forma inovadora, com profissionais e temas a frente do mercado.

Participe! Faça sua inscrição para a 3° edição do SUMMIT SEC.
O evento acontece dias 27 e 28 de Novembro e é focado em levar ao público uma visão 360 graus da LGPD, teremos um público seleto entre empresas e profissionais das áreas de Segurança da Informação, Cibersegurança, Direito Digital. Confira a programação do evento: https://summitsec.com.br/ 

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