Formação Acadêmica

02, Ago. 2021

Mercado de seguros tem uma escola que pode chamar de sua

Fonte: Sonho Seguro / Autor: Marcio Serôa de Araujo Coriolano, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, CNseg

No Brasil, infelizmente, o processo de formação e qualificação de recursos humanos geralmente não tem sido proporcional aos avanços da sociedade e da economia. São esses descompassos que têm gerado as quedas da produtividade da mão de obra, amplamente reconhecidas por estudiosos de todos os matizes. E parece haver convergência também sobre o remédio para esse estado de coisas: maior dotação orçamentária para escolas públicas, maior investimento privado na educação e prioridade para a revisão de currículos e diversificação de meios de ensino.

Mesmo com todas as dificuldades do compasso da educação, o setor brasileiro de seguros tem contado com uma escola especializada, a ENS: Escola de Negócios e Seguros, e vários centros de ensino adjacentes que oferecem disciplinas permanentes e cursos temporários de seguros. A ENS (ex-Funenseg) pode até ser considerada um patrimônio do mercado securitário, já que foi fundada há 50 anos pelas suas principais representações institucionais, de seguradores e de corretores, razão pela qual vem despertando hoje, muito recentemente, depois desse formidável investimento, o apetite de entidades convencionais para investir na capacitação de recursos humanos de um setor tão diversificado quanto complexo. 

Já há pelo menos vinte anos que os seguros vêm crescendo a uma taxa anual que supera a da maioria dos outros setores de atividades. Tornou-se fonte de riqueza para a Nação, de investimentos para o País e de empregos para os seus cidadãos. E quase que pelos seus exclusivos méritos, já que apenas muito recentemente vem merecendo maior atenção da área econômica do Governo. É um dos setores de atividades que mais investem em tecnologia, e grande parte das empresas consolidadas mantém o seu próprio centro de inovação, aproximando as famosas insurtechs das suas áreas incumbentes que se apropriam de verdadeiras revoluções de processos e rotinas operacionais.

O resultado desse investimento continuado na formação de profissionais especializados em seguros resulta na mão de obra diferenciada. Historicamente, a ENS sempre teve o cuidado de preparar os corretores para serem consultores, capazes de avaliar rapidamente a realidade econômica de cada consumidor, de forma a oferecer o produto mais adequado. Se atualmente o mercado segurador é reconhecido pela solidez financeira e resiliência, grande parte se deve ao corretor de seguros, que, no contato direto com o público, reforça que o compromisso do setor com a sociedade não se resume a uma relação de compra e venda. E isso, os corretores aprendem na nossa escola. Ensinamento esse que é ampliado para outros securitários, sejam eles administradores, atuários, economistas, contadores, advogados, entre outras importantes especialidades que formam a extensa cadeia de valor dos seguros.

Não foi por outra razão senão a de acompanhar a modernização e ativa inovação permanente do mercado de seguros que a ENS reviu recentemente o seu nome e marca, incorporando os negócios ao seu coração de atividades. Veio, portanto, se preparando para a sadia competição que se avizinha no mercado em que atua.

Eu próprio sou testemunha, como ex-conselheiro da administração da ENS, de todo o verdadeiro turbilhão de mudanças que a colocaram no patamar onde está hoje. Foram muitos milhares de cursos de habilitação de corretores, de cursos regulares para profissionais de seguros sobre as várias etapas da cadeia produtiva dos seguros, curso superior, cursos à distância. E, mais importante, tudo com a reconhecida excelência do seu corpo permanente de docentes ao que se somam gabaritados catedráticos e especialistas que prestam serviços à Escola.

Vivemos uma era de popularização do ensino, nos mais diferentes segmentos de atividades. Por isso, é fundamental ter em conta que todos aqueles que buscam oportunidades profissionais no imenso universo dos seguros querem ter confiança nos propósitos e na isenção de quem lhe oferece o conhecimento. E querem conquistar a sabedoria por meio de contato com entidades e profissionais experientes, em ambiente concorrencial cujo principal atributo seja o respeito à trajetória de cada concorrente e à diversidade de paradigmas e opiniões. Sim, porque missão profissional também se aprende na escola. 

Business & Risks

Nos negócios, a questão não é evitar riscos, mas assumir os riscos certos, diz economista

Fonte: Folha de SP

As empresas cometem erros parecidos que, na maioria das vezes, não são fruto de má gestão, mas de decisões ruins tomadas por profissionais competentes.

É o que defende o economista francês Olivier Sibony no livro Você Está Prestes a Cometer um Erro Terrível, lançado no Brasil na última semana, pela editora Objetiva.

Na obra, ele aponta nove armadilhas que levam a equívocos e são baseadas em vieses, pré-julgamentos capazes de influenciar a forma como processamos as informações.

Uma dessas armadilhas, por exemplo, é a da imitação: o empreendedor se espelha em um líder, como Steve Jobs ou Elon Musk, por acreditar que todo o sucesso do seu negócio é resultado do comportamento dele. E isso, na maioria das vezes, não é verdade, afirma Sibony.

Na entrevista a seguir, o escritor fala sobre quais são as atitudes que os empresários podem tomar para contornar os viéses e, assim, chegar a decisões mais acertadas.

PERGUNTA: O senhor afirma que as empresas cometem sempre os mesmos equívocos. Por que isso acontece?

OLIVIER SIBONY: Existem tipos de erros que são recorrentes. Por exemplo, é um padrão empresas pagarem muito mais por uma aquisição. Outro erro é a crença em um salvador que virá de fora da companhia para resgatá-la de uma falência.

O fato de os erros serem recorrentes nos diz coisas sobre os motivos pelos quais são cometidos. Não é apenas uma questão de má gerência, mas da forma como as decisões são tomadas dentro das organizações, o que abre espaço para os vieses cognitivos e de comportamento que causam esses erros.

Como acreditar que é possível reproduzir o comportamento de gênios dos negócios pode ser prejudicial?

OS: Quando vemos um piloto de Fórmula 1, reconhecemos que ele é um ótimo motorista, mas que não somos capazes de dirigir da mesma forma. O mesmo vale para pessoas como Steve Jobs ou Elon Musk. Parece óbvio quando pensamos no automobilismo, mas, quando pensamos em gestão, achamos que podemos copiar e colar. O que funciona para pessoas normais é ter mais humildade.

Como criar metodologias para a tomada de decisões garante um melhor processo de gestão?

OS: Quando pensamos em decisões, tendemos a julgar o sucesso delas pelo resultado. Parece correto olhar para as decisões que deram certo e procurar lições nelas, mas isso é errado e perigoso. Resultados não são apenas fruto de decisões, mas também do acaso. E, ao olhar para o que deu errado, podemos até achar a razão para o erro, mas não vamos conseguir explicar por que ele ocorreu.

A melhor maneira de fazer essa análise é entender qual foi processo que levou à decisão. Uma boa arquitetura da tomada de decisões é aquela que vai evidenciar as razões corretas para assumir um risco, e não eliminá-los completamente. Nem toda decisão será um sucesso. E, se todos forem, isso significa que você não deve estar assumindo riscos o suficiente. Fracassos também são necessários.

No caso das pequenas empresas, assumir riscos é ainda mais necessário?

OS: Riscos são sempre necessários. Mesmo para grandes empresas. A questão não é evitar riscos, mas assumir os riscos certos pelos motivos certos.

A diferença entre pequenas e grandes empresas é que as pequenas precisam se perguntar: Quão grande pode ser o fracasso? Uma habilidade chave é assumir os riscos no nível correto de apostas, sem correr o risco de inviabilizar a empresa.

Muitas vezes, tem-se a ideia de que o empreendedor de sucesso é aquele disposto a perder tudo por uma ideia. Isso faz sentido?

OS: É uma visão romantizada e incorreta a de que o empresário deve sempre assumir grandes riscos. O empreendedor de sucesso é aquele que assume riscos calculados e nunca arrisca mais do que pode.

Outra falácia é a de que o empreendedor sempre insiste na sua ideia e não deixa dificuldades fazerem com que ele mude de ideia. Por exemplo, no começo, os idealizadores do Airbnb chegaram a vender cereal matinal para ter caixa para o negócio. Funcionou para eles, mas, de modo geral, se a sua startup está indo tão mal que você precisa vender cereal nos fins de semana, você deveria mudar alguma coisa, porque isso não é um bom sinal. Mas só ouvimos as histórias de sucesso e esse é o viés do sobrevivente.

No livro, o senhor menciona a história de um executivo que, diante de uma mesa na qual todos concordavam sobre uma decisão, resolve encerrar ali e dar tempo para que todos dormissem e pensassem sobre os pontos de discordância que poderiam trazer. Por que esse tipo de atitude pode ser importante?

OS: Essa história é de um diretor da General Motors. Se a decisão é unânime, há grandes chances de ter sido mal discutida.

É mais simples fazer uma escolha sem discordâncias, pois ficamos mais confiantes.

Uma decisão unânime causa sensação de maior conforto no empresário, fazendo com que muitos deles desencorajem dissidências. Mas ouvir prós e contras faz parte do processo que aumenta as chances de fazer uma boa escolha.

O senhor alerta para os perigos do pensamento unânime de grupo, mas afirma que tomar decisões coletivamente é uma boa prática. Como evitar que a segunda abordagem caia nas armadilhas da primeira?

OS: A princípio, a diferença entre os dois é que, quando as opiniões das pessoas que contribuem para a decisão são independentes uma da outra, temos a inteligência coletiva. Quando as pessoas que contribuem para a decisão estão influenciando umas às outras, principalmente chefes e colaboradores mais velhos, temos pensamento de grupo. A chave é manter a independência das pessoas que contribuem para a decisão.

Uma forma prática de aplicar esse processo é mudar a forma como reuniões são feitas. Antes de comentar uma proposta, o empreendedor deve pedir para que todos escrevam o que acham dela e só depois falem em voz alta. Para isso, deve-se seguir a ordem em que estão os profissionais sentados à mesa ou até começar com os funcionários mais juniores. Também é um a boa ideia pedir que todos apresentem os prós e os contras para cada proposta.

Isso vale também para as pequenas empresas?

OS: Com certeza. É muito mais difícil para as pequenas, pois fundadores costumam ter uma aura especial e reclamam da dificuldade de fazer novos líderes emergirem. Por isso, é ainda mais importante que eles forcem as pessoas a darem suas opiniões e, assim, aumentem as expressões de discordância.

Oliver Sibony: É economista e professor na HEC Paris, com passagem pela Universidade de Oxford e pela London Business School. Foi sócio sênior da McKinsey por 25 anos em Nova York e Paris. É autor de três livros, dentre eles Ruído: Uma Falha no Julgamento Humano (Objetiva, 2021) .

Open Insurance: entenda a revolução no mercado de seguros

A ideia se conecta com a aceleração da transformação digital, que já vinha acontecendo mas acabou se intensificando por conta da pandemia

O open insurance é uma iniciativa que tem como objetivo tornar o mercado de seguros mais competitivo, fazendo com que os produtos oferecidos pelo setor sejam mais populares e acessíveis, melhorando também a jornada de compra do cliente. Ele faz parte de uma estratégia de inovação aberta elaborada pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), que reúne empresas do segmento e outras que estejam interessadas em criar novos produtos e serviços.

O funcionamento do open insurance é bem similar ao do open banking. A ideia é permitir que os clientes possam autorizar, de forma segura, o compartilhamento de seus dados, para, a partir daí, obter melhores serviços e fomentar a criação de novos modelos de negócio.

Essa semelhança, inclusive, não é nenhuma coincidência, tendo em vista que a quarta fase de implementação do open banking, que está prevista para o dia 15 de dezembro deste ano, já previa o compartilhamento de dados de operações de câmbio, investimentos, seguros, previdência complementar aberta e contas-salário.

Tanto o open banking quanto o open insurance fazem parte de um movimento chamado de open finance, que é justamente a iniciativa de criar um ecossistema integrado, que permite o compartilhamento de dados de forma segura e transparente, incentivando a inovação.

Como funciona o open insurance

Assim como no open banking, o compartilhamento de dados no open insurance é feito por meio de APIs abertas. Elas funcionam como uma ponte, compostas por instruções e padrões de comunicação que conseguem proporcionar a comunicação entre empresas diferentes, de forma padronizada e ordenada. Portanto, uma API de open insurance precisa ser Simples, Segura, Padronizada, Escalável e Moderna.

Na estrutura do open insurance, os produtos, serviços, informações e funcionalidades de uma seguradora ficam disponíveis para consumo por qualquer outra e vice-versa. Isso acontece porque elas obedecem ao princípio da reciprocidade, que diz que só é possível ter acesso aos dados se você também os fornecer e o que possibilita isso é justamente o fato de as APIs serem abertas.

Além disso, a tecnologia das APIs abre portas para uma série de inovações, desenvolvimento de novos negócios, aplicativos e soluções, como, por exemplo:

Agregação de serviços, relacionados ao open finance;

Facilitar a contratação e cotação de serviços de seguro ou de investimento;

Portabilidade;

Aviso de sinistro.

O Banco Central, que é o órgão regulador do Mercado Financeiro e grande promotor do Open Banking Brasil, e a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) estão atuando em sinergia para estipular as regras de segurança e operação dessas APIs. Isso porque, é necessário garantir que os desenvolvedores tenham acesso às regras de desenvolvimento, assim como aos padrões da gestão de consentimento, como está sendo realizado no open banking.

Atualmente, é obrigatória a participação das seguradoras, EAPC (Entidade Aberta de Previdência Complementar) e as sociedades de capitalização das categorias S1 e S2. As Sociedades Iniciadoras de Serviços e Seguros (SISS), apenas mediante credenciamento, de acordo com o normativo específico.

3 pilares fundamentais do open insurance

O open insurance está fundamentado em três pilares. São eles: open innovation; experiências digitais e novos modelos de negócio.

Open Innovation: Partindo do princípio de que duas cabeças pensam melhor do que uma, compartilhar dados e informações entre organizações fomenta os processos de inovação, justamente porque permitem uma ampliação da visualização de um cenário, além de ser possível combinar a expertise de uma outsourcing de TI para a criação de um novo produto, por exemplo.

Experiências Digitais: A pandemia do novo coronavírus intensificou a necessidade por produtos e experiências digitais que, de alguma forma, pudessem aproximar o público com os serviços necessários. A combinação da melhora das experiências digitais do consumidor, com a tecnologia e análise de dados, também está dentro dos objetivos do open insurance e, consequentemente, do open finance.

Novos Modelos de Negócios: O surgimento de novos modelos de negócio é, na realidade, uma consequência dessa iniciativa de open finance. No caso específico do open insurance, tornar os produtos das seguradoras mais acessíveis, agilizar e otimizar processos também fazem parte desse quadro de inovação.

Um ponto importante é a jornada de consentimento. De acordo com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), consentimento é a manifestação livre, informada e inequívoca pela qual o titular concorda com o tratamento de seus dados pessoais para uma finalidade determinada.

Assim, na gestão de consentimento, são observados alguns itens essenciais:

O que o usuário X consentiu?

O que o usuário X não quer mais consentir?

Quais consentimentos o usuário X revogou e como isso te afeta?

Dessa forma, ela garante que as etapas de autenticação entre as instituições receptoras e transmissoras sejam cumpridas, para que esses dados só possam ser fornecidos pelos titulares.

Outro desafio é a padronização no desenvolvimento das APIs, já que elas impactam diretamente na gestão do consentimento e na transação segura das informações. Portanto, é necessário que essas regras estejam bem definidas pelos órgãos reguladores.

Cronograma de implementação do open insurance

De acordo com a SUSEP, a implementação do open insurance está dividida em três fases, e deve ocorrer entre 2021 e 2022.

Fase 1: Open data: dados abertos de seguros (15/12/2021)

Dados públicos das sociedades supervisionadas;

Canais de atendimento;

Produtos disponíveis;

Marketplace.

Fase 2: Compartilhamento de dados pessoais (01/09/2022)

Cadastro de clientes e representantes;

Movimentações dos clientes relacionadas a produtos;

Registro de dispositivos eletrônicos;

Dados individuais de clientes; compartilhado apenas mediante consentimento.

Fase 3: Efetivação de serviços (01/12/2022)

Contratação;

Endosso;

Resgate ou portabilidade;

Pagamento de sorteio;

Aviso de sinistro;

Foco na melhoria da experiência do consumidor.

No que diz respeito ao compartilhamento dos dados, o cliente poderá escolher com quais entidades deseja compartilhar determinados dados, assim como revogar este consentimento a qualquer momento.

A ideia por trás do open insurance se conecta com a aceleração da transformação digital que já vinha acontecendo, mas acabou se intensificando por conta da pandemia do novo coronavírus, em 2020. Até porque, a necessidade por inovação e agilidade foi ao encontro da aproximação com o cliente e o consequente aprimoramento dos estudos relacionados à jornada de compra.

Fonte: InfoMoney / Autor: Marcelo Feltrin, head of Business Development da OPUS Software

As Sanções da LGPD ( Lei Geral de Proteção de Dados) começam em agosto

A cultura digital dá um importante passo com a LGPD, mas será absorvida paulatinamente, como foi com a cultura consumerista nos anos 90

Nos últimos dias a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) voltou a ser um dos assuntos jurídicos mais comentados. Há dois anos escreve-se sobre a lei, sobre os princípios de proteção dos dados, sobre os direitos dos titulares dos dados pessoais, dentre outros aspectos.

Agora, chegou a hora da lei ser aplicada pra valer. As sanções da LGPD começarão a ser aplicadas no mês de agosto pela ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), encarregada de fiscalizar e penalizar àqueles que estiverem descumprindo a legislação.

Como a ANPD foi criada recentemente, ela irá valer-se de seu aparato estrutural (funcionários de vários órgãos, como a ANATEL, que prestarão serviços para a ANPD) e do apoio de outros organismos, sobretudo os órgãos de defesa do consumidor, com quem possui um acordo operacional para que a lei seja efetivamente cumprida.

Pesquisas indicam que, por motivos diversos como as dificuldades econômicas geradas pela pandemia, a maioria das empresas não se encontra adaptada à LGPD. Com isso, o que se espera é que a ANPD atue com racionalidade, difundindo a cultura de proteção de dados, orientando empresas e titulares. A aplicação de sanções levando-se em consideração apenas o aspecto legal, sem observar fatores imprevistos como a pandemia por exemplo, levaria a uma aplicação massiva de penalidades e grandes prejuízos sobretudo a médias e pequenas empresas.

As sanções administrativas previstas na LGPD são: advertência (para casos de menor gravidade e com empresas sem histórico de violações anteriores); multa diária (que será devida enquanto a irregularidade não for sanada e terá seu valor estabelecido pela ANPD); multa simples de até 2% do faturamento da empresa, com limite máximo de R$ 50 milhões.

A lei não prevê a ordem das penalidades, ou seja, não obrigatoriamente a primeira penalidade deva ser de advertência. A ANPD para fixar qual será a penalidade em cada caso certamente levará em consideração a gravidade da infração, o número de usuários afetados, a transparência da empresa para comunicar a irregularidade e as providências para saná-la.

Outro esclarecimento necessário é que, diferente do que muitos alardeiam, não teremos multas de R$ 50 milhões aplicadas indiscriminadamente. Primeiro, porque a multa simples prevista é de 2% do faturamento da empresa, ou seja, por exemplo uma empresa com faturamento anual de um milhão de reais poderá receber uma multa de R$ 20 mil reais e assim por diante.

Além das multas (simples ou diária) outras sanções que podem ser impostas são a obrigatoriedade de dar publicidade à infração comprovada, o bloqueio do tratamento dos dados pessoais pela empresa enquanto as irregularidades não forem resolvidas e ainda, em caso extremo, a obrigação da empresa em eliminar os dados pessoais sob sua responsabilidade.

A cultura digital dá um importante passo com a LGPD, mas será absorvida paulatinamente, como foi com a cultura consumerista nos anos 90. E correções estruturais ainda precisam ser realizadas, como a desvinculação da própria ANPD do Governo Federal. Essa vinculação pode comprometer a independência de atuação ou mesmo criar certa confusão quando órgãos do próprio Governo Federal estiverem sendo investigados por uma entidade vinculada a ele.

Haverá também certa pressão de grupos tradicionalmente punitivistas, que ao menor sinal de qualquer irregularidade irão pleitear que as empresas sejam penalizadas financeiramente. Deverá ocorrer também um aumento de demandas judiciais contra as empresas pleiteando indenizações por supostas violações de dados pessoais. Enfim, exageros poderão ocorrer sobretudo neste início de período sancionatório, mas a expectativa é que com o tempo tudo se acerte e torne-se parte da preocupação das empresas e dos usuários.

Fonte: Revista Cobertura / Autor: Francisco Gomes Junior, advogado sócio da OGF Advogados, formado pela PUC-SP, pós-graduado em Direito de Telecomunicações pela UNB e Processo Civil pela GV Law da Fundação Getúlio Vargas. Foi Presidente da Comissão de Ética Empresarial e da Comissão de Direito Empresarial na OAB.

Na Raízen, o IPO da transição energética 

Esqueça o ESG: no maior IPO do ano, a sigla mais quente é parecida e atende por E2G, ou etanol de segunda geração, feito a partir do bagaço da cana

A Raízen deve concluir na próxima semana o maior IPO do ano na B3, ancorado essencialmente numa tese de transição energética. 

Mais que uma distribuidora de combustíveis ou usina de açúcar e álcool, a joint venture entre a Cosan e o grupo Shell está se apresentando como um veículo bem posicionado para apostar na onda global de descarbonização, ampliando seu escopo para os mercados internacionais com um novo tipo de etanol, produzido a partir do bagaço da cana. 

Com uma história ainda muito dependente de um negócio embrionário, a companhia teve que abaixar a ambição de valuation, dos R$ 90 bilhões inicialmente testados com o mercado, para algo mais próximo de R$ 70 bilhões. 

Apesar de a demanda estar robusta, com o livro de ofertas já coberto, tudo indica que a operação tende a ficar mais próxima do piso da faixa indicativa, de R$ 7,40 a R$ 9,60 por ação. A definição do preço está prevista para a terça-feira (3) e oferta pode captar entre R$ 6 bi e R$ 10 bi.  

Velha conhecida do mercado sob o guarda-chuva da Cosan, com o IPO, a Raízen marca uma nova fase da companhia, que decidiu vestir de vez uma roupagem ESG e está atraindo fundos estrangeiros, alguns deles com mandatos verdes, para a sua base acionária. 

O principal vetor da transformação na companhia atende por um acrônimo parecido: E2G, o etanol de segunda geração, que é feito a partir dos resíduos que normalmente são descartados após a produção do etanol tradicional, como o bagaço e a palha da cana, dentro do conceito de economia circular.

Com a produção sendo testada desde 2014 e hoje feita em apenas uma planta, a companhia agora quer escalar a tecnologia para mais de 20 unidades até o fim da década. 

É um plano ambicioso: hoje, a Raízen opera ao todo 26 usinas de açúcar e etanol convencional (ou de 1ª geração). 

Nas conversas com investidores, a companhia vem sinalizando que, se cumprir seu plano, mais da metade do Ebitda pode vir do novo negócio, incluindo aí também o biogás produzido a partir dos resíduos da cana, nos próximos 10 anos. 

Eles estão muito bem posicionados em segunda geração, não tem mais ninguém com essa tecnologia, com essa escala e acesso direto à matéria-prima, aponta um gestor de um fundo doméstico que vai entrar na oferta. 

O E2G é capaz de aumentar a produção de etanol em até 50% utilizando a mesma área de cana. Mas, além do aumento de produtividade, o que ele faz é abrir um novo mercado global para a Raízen. 

Na União Europeia, há mandatos de mistura de biocombustíveis nos fósseis, mas há também uma grande preocupação em não utilizar matérias-primas que possam competir com a produção de alimentos. Por isso, boa parte da mistura precisa vir de resíduos, caso do E2G. 

Durante o roadshow, a companhia afirmou que já tem contratos de longo prazo fechados com grandes empresas estrangeiras para colocar de pé as duas próximas plantas, previstas para entrar em operação em 2023, com preços 70% acima do etanol tradicional. Por conta dos prêmios, a empresa tem sinalizado que a taxa interna de retorno dessas usinas ficará entre 30% e 35%.

O futuro do etanol 

Com o histórico de criação de valor da controladora Cosan, os investidores não têm muitas dúvidas quanto à capacidade de execução da Raízen.

A Cosan se mostrou um dos melhores alocadores de capital da bolsa, tanto na Raízen quanto em outros negócios, e está prevendo investir bilhões em E2G nos próximos anos. Eles não rasgam dinheiro, aponta um gestor. 

A grande questão para os mais céticos é qual será o lugar do etanol num mundo em que há uma corrida por tecnologias mais limpas para substituir os fósseis, e em que os mandatos e subsídios governamentais podem direcionar a agenda.

Hoje, a Raízen consegue vender o E2G com prêmio de 100%, 70%, mas qual será esse prêmio lá na frente?, questiona um gestor um pouco mais cético com a tese, ressaltando que a tecnologia se tornou escalável não por uma redução de custo de produção, mas pelo preço maior que o mercado está disposto a pagar.

Tem outras empresas competindo nesse universo, e não dá pra saber como esse prêmio vai ficar. Pode ser que ele caia muito, pode ser que ele dobre. É pagar na frente por algo que hoje não temos muita visibilidade.

A Raízen tem firmado contratos com grandes empresas de energia na Europa e clientes industriais na Ásia, que querem tirar o fóssil da produção, e vê também demanda forte nos Estados Unidos. Há ainda um mercado nas indústrias cosmética e farmacêutica, que usam álcool como insumo para seus produtos. 

Os analistas veem alguns grandes mercados para o etanol de segunda geração.

Em primeiro lugar, como combustíveis para automóveis nas misturas com gasolina, ao menos enquanto a eletrificação não se completa e enquanto as matrizes elétricas nas maiores economias ainda forem muito dependentes de fósseis. (Os mais otimistas apostam que podem avançar as tecnologias de célula combustível a etanol, o que permitiria o uso em carros elétricos.)

Vejo também muito potencial no etanol como combustível para setores onde é mais difícil cortar emissões ou pensar em eletrificação, como o de aviação ou indústria petroquímica, para o plástico verde, diz o analista de um grande fundo carioca que também está entrando na operação. 

Quer pagar quanto? 

Se pouca gente duvida do potencial do novo negócio, o fato é que o mercado não está disposto a pagar tanto na frente por ele. 

No piso da faixa, a Raízen está sendo negociada a cerca de 8 a 9 vezes seu Ebitda para o próximo ano, com um prêmio de 15% a 20% frente aos pares listados de cada uma das suas linhas de negócios, no de açúcar e álcool, a São Martinho, e no de distribuição de combustíveis, a BR Distribuidora, estima um gestor, num conta que considera o peso de cada divisão.  

É um prêmio merecido pela capacidade de execução da Raízen e mostra que o negócio de segunda geração vem quase como opcionalidade, aponta.

Na parte do negócio que chamam de Raízen de hoje, os investidores têm apostado ainda nos ganhos a serem capturados com a aquisição da sucroalcooleira Biosev, feita no começo deste ano, e veem potencial de extração de valor em lojas de conveniência a partir de uma joint venture com a mexicana Femsa, dona das lojas de proximidade Oxxo. 

Já na Raízen do futuro, em conversas com investidores, a companhia tem se comparado com a finlandesa Neste, que produz biodiesel principalmente a partir de resíduos (de palha agrícola até gordura animal) e vale hoje 40 bilhões de euros na bolsa. É um múltiplo de 20 vezes Ebitda. 

Não dá pra comparar exatamente com a Neste, porque ela vende biodiesel, voltado para veículos pesados, onde a eletrificação é mais difícil, e não tem os outros negócios, de açúcar e postos. Mas dá uma medida do potencial do E2G na Raízen, aponta um outro analista. 

O lado B

Apesar de estar atraindo investidores ESG para a base acionária, alguns fundos mais restritos têm alguma dificuldade de enquadrar a companhia nos seus mandatos, pela participação no setor de distribuição de combustíveis, que responde por mais da metade do faturamento, e inclui fósseis, e pelas atividades na Argentina, que incluem refinarias.

Além disso, a companhia optou por emitir apenas ações preferenciais, sendo listada no Nível 2 da B3, em vez de ir para o Novo Mercado, com padrões mais elevados de governança, que só permite a existência de ações ON. Nos bastidores, especula-se que a Shell não estaria feliz com o valor atribuído à empresa e teria buscado a menor diluição possível ao preço atual.  

O percentual de ações que será negociado em bolsa vai ser pequeno, atingindo o máximo de 10,7% do capital se os lotes extra forem exercidos. Para viabilizar a oferta mesmo sem o mínimo de 25% de free float exigido, a Raízen teve que pedir dispensa do requisito à B3, e ainda aguarda resposta. 

No pedido, a Raízen propôs manter ao menos 9% de suas ações em negociação e se comprometeu a aumentar esse percentual para 15% até 31 de dezembro de 2022. Se essa meta não for cumprida, o grupo se dispôs a ceder uma cadeira de seu conselho de administração aos minoritários, com garantia de votação em separado.

Fonte: Reset

Gás natural atrai interesse de gigantes

Fonte: Estadão

Três investidores apostam no gás natural do pré-sal para gerar energia elétrica térmica a preço compatível com o das hidrelétricas. E são dos grandes: a empresa petrolífera Shell, a fabricante de equipamentos Mitsubishi Hitachi Power Systems Americas (MHPS) e o Pátria Investimentos, operador da usina térmica Marlim Azul. Nesse projeto de R$ 2,5 bilhões, em construção no município de Macaé, no norte fluminense, o "pulo do gato" está no preço do gás, utilizado como insumo, disseram os investidores.

Com operação prevista para o início de 2023, a usina será a primeira pensada para agregar valor ao gás do pré-sal. A Shell vai fornecer a matéria-prima, extraída por ela própria da Bacia de Santos, a um valor mais competitivo, porque não será atrelado ao dólar e a cotações internacionais, como fazem concorrentes. A Petrobras, por exemplo, alinha o preço de seu gás ao do produto importação. Na prática, seus clientes compram o produto brasileiro a preço do importado.

Baixamos o preço (do megawatt-hora, MWh) e vamos ser chamados sempre. Nossa energia é mais barata do que a de hidrelétricas, e a previsão é despachar mais de 80% (da capacidade), disse Bruno Chevalier, presidente da Marlim Azul.

Quando pronta, a usina terá capacidade para gerar 565 megawatt (MW), o suficiente para abastecer uma cidade de 2,5 milhões de habitantes. Metade da construção foi concluída, e os principais equipamentos já estão no Brasil. Uma nova unidade pode ser instalada no mesmo terreno. Mas, para isso, o projeto deve ser contratado em novo leilão, o que dificilmente vai acontecer ainda neste ano.

Marlim Azul, assim como outras térmicas planejadas para Macaé, surgiu do empresário Hugo Crespo, do Grupo Vale Azul. A estratégia do GVA é desenvolver projetos de infraestrutura que superam sua capacidade de investimento. Assim, ele se associa a parceiros de grande porte e, quando o projeto está maduro e na fase de decisão de investimento, o grupo vende sua participação. O GVA começou a desenvolver térmicas e licenciá-las em 2008.

Além das térmicas do GVA e de Marlim Azul, o Estado do Rio de Janeiro já licenciou usinas da EDF, Eneva, MHPS e GPE.

Acesse as edições mais recentes das publicações do mercado:

Revista Apólice: https://www.revistaapolice.com.br/2021/05/edicao-265/

Revista Cobertura:  https://www.revistacobertura.com.br/revistas/revista-cobertura/revista-cobertura-edicao-231/#2

Revista Segurador Brasil: https://issuu.com/revistaseguradorbrasil/docs/segurador_166_

Revista Seguro Total: https://revistasegurototal.com.br/2021/06/14/mercados-de-vida-e-previdencia-apresentam-crescimento/

Revista Insurance Corp: http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed36_2021.pdf

Caderno de Seguros: https://cnseg.org.br/publicacoes/revista-de-seguros-n-916.html

Revista Brasil Energia: https://editorabrasilenergia.com.br/wp-content/uploads/sites/1/flips/129726/Bia469v3/2/index.html

Relatório 2020 da CNseg (destaca os seus projetos e ações em ano desafiador): https://cnseg.org.br/noticias/relatorio-2020-da-cnseg-destaca-os-seus-projetos-e-acoes-em-ano-desafiador.html

2021 / CNseg: O Setor de Seguros Brasileiro: https://cnseg.org.br/publicacoes/o-setor-de-seguros-brasileiro-folder-2021.html

Curso Extensão de Responsabilidade Civil da ENS

O Curso de Extensão ENS em parceria com a AIDA, tem como objetivo proporcionar o conhecimento das modalidades de seguros do ramo de Responsabilidade Civil, as normas legais que o regulam, a formação do contrato e todas as obrigações e os direitos dele decorrentes, como coberturas, exclusões e diversos temas conexos e diretamente relacionados. Para maiores informações e inscrições acesse: https://www.ens.edu.br/.../cursos-de-extensao-aulas-ao...