Pujança: Seguros & Previdência

23, Ago. 2021

Seguros e previdência alcançam R$ 90 bilhões em aportes e prêmios no 1º semestre

Montante se refere às receitas dos dois produtos (seguro de pessoas e previdência privada aberta), no acumulado de janeiro a junho de 2021

Fonte: FenaPrevi

Mesmo diante de um cenário desafiador com os desdobramentos da pandemia que impediram maiores avanços na economia, nos primeiros seis meses de 2021 os mercados de previdência privada aberta e de seguro de pessoas seguiram crescendo e, somados, apresentaram resultado de R$ 90 bilhões em receitas.

O montante, destrinchado, se refere a R$ 65,6 bilhões em contribuições nos planos de previdência aberta, com alta de 26,6% em relação ao ano anterior, mais R$ 24,4 bilhões em prêmios garantidos pelos ramos de seguros de pessoas, valor 16,3% maior do que o mesmo período de 2020. Em reservas, o segmento de previdência privada aberta administra R$ 1,037 trilhão, atualmente.

Os dados são do último levantamento realizado pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). Apesar da curva ascendente, a publicação também revela alguns impactos causados pela pandemia. Um deles é o aumento dos resgates de previdência privada no semestre de R$ 49,2 bilhões, 22,2% acima do registrado em 2020.

Ainda na leitura deste primeiro semestre, outro dado relevante é o volume de sinistros pagos no mesmo período (de R$ 9,41 bilhões, 77,1% maior que ano passado). Especificamente nos ramos Vida Individual e Prestamista, as indenizações quase dobraram (90%) em relação a 2020, indicando a relevância dos produtos aos segurados neste momento de adversidades.

Segmentos apresentam recuperação

Os números indicaram ainda o aumento de prêmios em algumas modalidades nos resultados do semestre, quando comparados a 2020. É o caso dos seguros Funeral (R$ 491 milhões, com alta de 29,9%), Educacional (R$ 23 milhões, aumento de 28%) e o de Doenças Graves/Terminais, que soma R$ 664 milhões e acréscimo de 27,4%.

Os ramos Vida, individual e coletivo, permaneceram como os de maior representatividade: R$ 10,9 bilhões e 19,1% de crescimento nos prêmios, o maior resultado dos últimos 5 anos. Somente o Vida Individual arrecadou R$ 4,52 bi, registrando 34% de alta; já o Prestamista acumulou R$ 7,74 bilhões e teve alta de 18,1%. A modalidade foi fortemente afetada pelas restrições da pandemia, mas segue em recuperação desde o 2º semestre de 2020.

Por outro lado, a dificuldade de retomada do turismo no Brasil e no mundo impactou o desempenho do seguro Viagem, que apresentou queda de 30,7% em relação ao 1º semestre do ano anterior e captou R$ 110 milhões em todo o período.

Análise mensal

Na leitura mensal (junho 2021), houve R$ 12,8 bilhões em aportes em previdência privada e R$ 8.2 bilhões em resgates, respectivamente 19% e 54% maiores que 2020. Já a diferença entre as contribuições e retiradas (captação líquida) foi de R$ 4,5 bilhões, 16% menor na comparação dos dois períodos.

Nos seguros de pessoas, em junho, houve R$ 4,37 bilhões em prêmios e R$ 1,8 bilhão em pagamento de indenizações. A evolução percentual dos valores é de 23,1% e 85,9% quando confrontados os primeiros seis meses de 2021 e 2020.

Clientes de seguradoras preferem canais de contato humano

NPS Prism aponta a importância do papel do corretor e dos bancos na aquisição de novos produtos e serviços

Fonte: Sonho Seguro

Por meio do NPS Prism, a Bain & Company mediu os principais canais usados pelos clientes das principais seguradoras do Brasil e concluiu que os contatos humanos, em especial corretor e banco, ainda possuem grande relevância e aparecem como canal principal para 60% dos respondentes. Isso se dá porque a experiência do cliente ainda é, de modo geral, melhor através do corretor do que em canais digitais, conforme medido pela classificação de NPS, comenta Luiza Mattos, sócia da Bain & Company, em nota divulgada à imprensa.

Segundo o levantamento, o NPS do atendimento de um corretor foi até 22 pontos melhor que o da Central de Atendimento e entre 12 e 18 pontos mais alto quando comparado ao atendimento completamente digital.

O levantamento também apontou a importância de manter o cliente satisfeito em um mesmo canal, uma vez que a mudança do digital para o humano deixa o cliente menos satisfeito com a experiência. No seguro auto, por exemplo, clientes que iniciam seus episódios em canais digitais reduzem seu NPS em 15 pontos, em média, ao serem forçados a migrar para um atendimento humano.

Os níveis de satisfação do cliente variam de acordo com o tipo de episódio. Aquisição, por exemplo, ainda são dependentes do corretores, que são o canal inicial de 52% dos clientes. Enquanto gerenciamento de pagamento e acompanhamento de sinistro possuem maior penetração de canais digitais (53%), seguido de central de atendimento (38%).

A entrada de players digitais no setor de seguros tem impactado também os canais, conforme novas empresas de seguros para auto, vida e previdência totalmente digitais surgem no mercado. Isso confirma que a indústria de seguros está atrás dos demais ramos de serviços financeiros em digitalização e grandes players precisam estar atentos para o movimento atual de serviços remotos, completa Mattos.

CNA discute importância do seguro rural para o agro

Fonte: CQCS

O seguro rural é uma das principais ferramentas de gestão de risco para o produtor e uma prioridade para a CNA, afirmou o diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, na live Café com Seguro: Uma foto atualizada do Seguro Agrícola no Brasil e seus desafios, na última quarta (18).

O evento foi promovido pela Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e contou também com a participação de Joaquim César Neto, presidente da Comissão de Seguros Rurais da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e com Pedro Loyola, diretor do Departamento de Gestão de Riscos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O seguro é uma prioridade do nosso presidente e temos feito diversas ações e colocado os desafios para criar essa cultura entre os produtores rurais, afirmou Lucchi.

O diretor citou algumas ações da Confederação para desenvolver uma base sólida sobre seguro rural no Brasil, como diálogos com entidades de outros países, eventos em parceria com o Mapa e a criação do guia do seguro rural.

Na visão dos produtores o seguro rural ainda é muito novo no Brasil, por isso temos trabalhado para que essa ferramenta se consolide no País. O Monitor do Seguro Rural, por exemplo, é um ambiente bem estruturado que temos coletado várias sugestões e tem servido também para levar informações para os produtores.

De acordo com Bruno Lucchi, nos últimos anos, foi possível verificar uma percepção diferente do produtor em relação ao seguro rural.

Estamos no caminho certo. Avançamos muito nesses três últimos anos na direção de construir um ambiente sólido de seguro rural no Brasil e mostrar ao produtor que vai ser diferente em relação há anos anteriores, em que ele fazia a contratação e depois não tinha a subvenção.

Lucchi ressaltou que o desafio é grande, principalmente em relação à informação chegar ao produtor rural, e defendeu o uso da tecnologia e de um banco de dados para se construir produtos personalizados para os produtores, assim como orientação e capacitação continuada para eles sobre o tema.

O Sistema CNA está elaborando um curso em parceria com entidades do setor para capacitar produtores, corretores e um módulo para peritos. A tecnologia associada ao banco de dados são dois pontos prioritários que precisam ser trabalhados pelo setor para melhorar os produtos e reduzir custos.

O diretor destacou que o desafio ainda é grande, principalmente para disseminar o seguro rural para outras culturas. No entanto, ele diz que a resistência do produtor está diminuindo. Isso não é fácil, mas vejo que hoje há um ambiente favorável do governo, das seguradoras e dos produtores.

Pedro Loyola, do Mapa, disse que o seguro rural é uma prioridade para a ministra Tereza Cristina e que, nos últimos anos, houve resultados expressivos nas contratações.

Seguro é tentativa e erro. Estamos buscando amadurecimento nesse setor, mas já conseguimos passar de R$ 12 bilhões de capital seguro para R$ 45 bilhões, e de 60 mil apólices para quase 200 mil.

Ele ressaltou que as contratações ainda estão concentradas nas cadeias da soja, milho verão, milho safrinha, trigo, uva e maçã.

O potencial do Brasil é enorme e estamos buscando a previsibilidade orçamentária e financeira porque não dá para ter mais contingenciamento, senão vamos perder seguradoras, produtores e a credibilidade do programa (de subvenção ao prêmio do seguro rural).

Joaquim César Neto, da FenSeg, destacou a importância do diálogo entre as seguradoras e os produtores para que as instituições conheçam a realidade desse produtor e possam desenvolver produtos para suas necessidades, além de atender a tempo eventuais sinistros e indenizá-lo.

A recuperação do comércio mundial

Fonte: Estadão

É forte a recuperação do comércio mundial. O Barômetro do Comércio de Mercadorias, calculado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) desde 2016, atingiu o nível recorde de 110,4 pontos em julho. A alta de mais de 20 pontos nesse indicador em um ano é interpretada pela OMC como indicação do vigor da retomada das trocas comerciais após o período de maior impacto da pandemia sobre a economia mundial. Mas mostra igualmente a intensidade com que a crise sanitária afetou o comércio mundial em 2020.

A evolução desse indicador, que fornece informações em tempo real do comércio internacional e antecipa os resultados efetivos das exportações mundiais, sugere, na interpretação da OMC, que o auge das trocas comerciais ainda não foi alcançado. Ou seja, nos próximos meses, o barômetro pode alcançar níveis mais altos.

Houve alta em todos os componentes do índice da OMC. Isso mostra que a recuperação está disseminada pelos vários segmentos do comércio internacional. Subiram, por exemplo, os índices de frete aéreo (que alcançou 114 pontos), de transporte de contêineres (110,8) e de matérias-primas (104,7). Esses segmentos registraram alta maior do que a do índice geral.

O índice de produção e vendas de automóveis igualmente subiu, mas mostrou desaceleração bastante sensível em julho. O resultado foi influenciado pelo declínio da produção em alguns países. A queda tem sido provocada pela falta de componentes, os semicondutores, no mercado mundial, o que tem forçado a paralisação de linhas de montagens de diferentes empresas e países. O índice de componentes eletrônicos foi o único dos que integram o barômetro a registrar queda em julho.

Essa escassez de semicondutores pode ser o sinal de que a recuperação do comércio mundial, embora ainda vigorosa, pode estar perdendo força, de modo que, após atingir seu auge em breve, o barômetro da OMC deve começar a cair.

Mesmo assim, a OMC não vê inconsistências em sua mais recente projeção, de que o comércio mundial de mercadorias deverá crescer 8% em volume neste ano, na comparação com os resultados de 2020. No primeiro trimestre do ano, o aumento foi de 5,7% na comparação com 2020, o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2011.

Em quase 30 anos, Brasil perde 15% de superfície de água, diz estudo

Fonte: TribunaRS

De acordo com estudo inédito do MapBiomas, o Brasil está secando. O levantamento, parte da série Brasil Revelado: 1985-2020, mostra que existe uma tendência de redução da superfície de água em oito das doze regiões hidrográficas e em todos os biomas do país. O Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de subtração, 57%. Foram analisadas imagens de satélite de todo o território nacional entre 1985 e 2020. A plataforma é uma iniciativa multi-institucional que envolve universidades, organizações independentes e empresas de tecnologia.

Em 1991, a superfície coberta por água do Brasil era de 19,7 milhões de hectares. Já no ano passado, diminuiu para 16,6 milhões de hectares. Houve, portanto, uma redução de 15,7% no país. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a mais de uma vez e meia a superfície de água da região nordeste em 2020.

O estado com a maior perda absoluta e proporcional de superfície de água na série histórica de 35 anos foi o Mato Grosso do Sul, com redução de 57%. Se em 1985 o estado tinha mais de 1,3 milhão de hectares cobertos por água, em 2020 eram apenas pouco mais de 589 mil hectares: perda de 780 mil hectares no período. Em segundo lugar está o Mato Grosso, com menos 530 mil hectares, seguido por Minas Gerais, com um saldo negativo de 118 mil hectares.

Segundo a equipe de pesquisadores, mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros. Ao mesmo tempo, secas extremas e inundações associadas às mudanças climáticas aumentaram a pressão sobre os corpos hídricos e ecossistemas aquáticos.

É necessário, dizem os cientistas, implantar a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas. Caso contrário, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável, explica Carlos Souza, coordenador do grupo de trabalho de Água do MapBiomas.

Há vários casos que indicam os efeitos combinados do uso da terra e das mudanças climáticas. Um deles é o do Rio São Francisco, que corre por áreas de Cerrado e Caatinga. Os dados analisados mostram que houve uma redução de 10% em sua superfície de água nos últimos quinze anos. Em sua foz, as comunidades já sentem os efeitos, com a invasão do rio pelo mar. Outro rio que está perdendo vigor é o Negro, na Amazônia. Considerando o início e o final da série, perdeu mais de 360 mil hectares de superfície de água, uma diferença de 22%.

O município que mais pegou fogo entre 1985 e 2020, segundo o MapBiomas Fogo, e que mais perdeu água nesse período, pelo MapBiomas Água, foi Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Cáceres, o quinto que mais queimou no país, é o vice-líder em perda de superfície de água. Os ciclos de fogo e água estão interligados e se retroalimentam. Menos água deixa a terra e a matéria orgânica que se depositam sobre ela mais vulneráveis ao fogo. Mais fogo suprime a vegetação, que tem papel crucial para perenizar nascentes e mananciais, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Indústria concorda com Guedes e diz que é melhor não fazer reforma

Fonte: Folha SP

Representantes de setores que vinham apontando defeitos na reforma tributária concordaram com a afirmação do ministro Paulo Guedes, na sexta (20), de que melhor seria não fazer a reforma do que piorar o sistema atual.

A fala levantou a antiga bandeira para que seja feita, antes, a reforma administrativa.

Essa reforma, que não é tributária, mas apenas do Imposto de Renda, deve ser esquecida. Vamos fazer a reforma administrativa para saber o tamanho do estado e depois a tributária, diz Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, que reúne o setor farmacêutico.

Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP (construção), também diz que a ordem deveria ser invertida, para definir o custo do estado em condições mais enxutas antes de propor uma reforma que trate de todos os impostos e não apenas o IR.

É difícil concordar com modificações específicas sem saber como fica o todo. Talvez, se realizasse só pequenos ajustes pontuais, corrigindo distorções hoje existentes, fosse mais fácil prosseguir. Deixaria a reforma como um todo para ser debatida com tempo, sem açodamento, afirma.

Para Jafet, o substitutivo atual tende a aumentar as distorções, ao criar condições diferentes para diversos segmentos e para empresas de porte diferente.

Se for para piorar o que já está ruim, é melhor não fazer reforma tributária, diz José Augusto de Castro, da AEB (associação de comércio exterior).

Fernando Pimentel, da Abit (associação da indústria têxtil), diz que concorda com o ministro, mas pondera que piorar é relativo. Mudar para piorar não vale, mas dependendo da ótica de quem olha, pode ser que melhore, afirma.

José Ricardo Roriz, presidente da Abiplast (plásticos) e vice da Fiesp, discorda.

Não é porque a reforma está ruim do jeito que está sendo encaminhada que devemos abandonar. É a reforma que vai trazer crescimento, empregos de melhor qualidade e investimento. Se ela está ruim, tem que melhorar, e não abandonar, porque há 33 anos tentamos fazer uma reforma tributária, afirma Roriz.

Tempestade perfeita derruba cenário de crescimento econômico para 2022

Fonte: Estadão

Inflação e juros em alta, desemprego, dólar caro, crise hídrica, conflitos institucionais, atropelo nas votações de projetos do Congresso e novos riscos fiscais. A tempestade perfeita dos últimos dias obrigou economistas e investidores a reverem suas estimativas para o crescimento da economia no próximo ano para o mesmo patamar baixo comum nos anos pré-pandemia, abaixo de 2%.

Enquanto a população sente os efeitos da deterioração da economia no bolso e reclama da alta dos preços do gás de cozinha, da gasolina, da conta de luz e dos alimentos, o mercado parece estar caindo na real. Com todos esses problemas, o Brasil segue com risco de ter mais um crescimento estilo voo de galinha, depois da retomada mais rápida da crise econômica provocada pela pandemia da covid-19, sem aproveitar todo o potencial do ciclo de commodities (produtos básicos, como alimentos e minério de ferro) que bombou as exportações.

A aceleração da inflação está obrigando o Banco Central a ser mais duro na alta dos juros e esfriar a economia, comprometendo o crescimento do PIB em 2022. O cenário internacional também ficou menos favorável. No front doméstico, a crise política entre os poderes se acirra, elevando a percepção de risco de populismo eleitoral do presidente Jair Bolsonaro para recuperar a popularidade e chegar em 2022 com chances de se reeleger.

Podemos ter um momento melhor no curto prazo, um ano um pouco melhor, mas a perspectiva é de um País medíocre, diz o presidente do Insper, Marcos Lisboa, que se diz assustado com a tramitação dos projetos no Congresso: a reforma do Imposto de Renda e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de parcelamentos do precatórios, dívidas judiciais que a União é obrigada pela Justiça a quitar. A aprovação desses projetos é chave para Bolsonaro porque, sem eles, será mais difícil para o governo anunciar um benefício elevado do novo Bolsa Família para impulsionar a campanha eleitoral, sem mudar as regras fiscais.

Veja abaixo quais são os fatores que estão criando essa tempestade perfeita na economia:

1 / O desafio da inflação e dos juros

Não foi uma semana fácil para o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O comandante da política de juros no Brasil teve de fazer várias aparições públicas para transmitir confiança de que o BC vai controlar o processo de aceleração da inflação em meio à piora dos indicadores do mercado. Na sexta-feira, o dólar, por exemplo, chegou a atingir um patamar próximo de R$ 5,50, e acabou fechando em R$ 5,38.

Temos os instrumentos, podemos fazer o trabalho. Estamos comunicando ao mercado com mais transparência como usamos nossos instrumentos, disse Campos Neto, na quinta-feira, 19, com a mensagem de que fará tudo o que for possível e necessário para atingir a meta de inflação em 2022. Um trabalho também de coordenação das expectativas futuras da inflação, esforço que, como ele próprio admitiu, está sendo atrapalhado por um fiscal descontrolado.

Se o presidente Jair Bolsonaro contava com uma atividade econômica em recuperação e números mais robustos para pavimentar seu caminho à reeleição, esse cenário está cada vez mais distante. A espiral negativa é alimentada por ruídos políticos provocados pela percepção de que o presidente vai gastar mais para se reeleger, o que eleva a volatilidade do mercado e provoca a alta do dólar, que impacta ainda mais a inflação, renovando o círculo vicioso negativo.

O IPCA, índice oficial, fechou o mês passado em 0,96%, com alta acumulada de 8,99% em doze meses. E pior: as previsões do mercado não param de subir e apontavam, na última pesquisa Focus do BC, uma alta de 7,05% no final desse ano e de 3,90% em 2022. Projeções que devem subir ainda mais na pesquisa que será divulgada nesta segunda-feira pelo BC.

A inflação mais salgada puxou os juros para o patamar de 5,25% ao ano, e já se espera um aumento de mais 1 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. É uma medida para esfriar a atividade da economia e segurar a disseminação da elevação dos preços. A consequência é menos crescimento em 2022.

Há uma tempestade perfeita, diz Antonio Corrêa de Lacerda, presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) e professor do Programa de pós-graduação em Economia Política da PUC de São Paulo. Lacerda lembra que a divulgação do PIB no primeiro trimestre gerou euforia, mas, retirando o efeito estatístico, o crescimento não será muito diferente do padrão de 2017-2018-2019, ao redor de 1,5%.

A crise hídrica, que afeta os preços de alimentação e abastecimento de energia, chegou para complicar. A crise hidrológica tem um impacto grande sobre a capacidade de expansão do PIB, diz Fabio Terra, professor de economia da Universidade Federal do ABC (UFABC).

2 / O risco fiscal está de volta ao radar

A inflação mais alta prejudica a população, mas deu um refresco para as contas públicas. Fez aumentar a arrecadação e reduziu a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB). Essa melhora fiscal, porém, despertou ainda mais o ímpeto para gastos no governo Bolsonaro e nos seus aliados do Centrão.

Ao invés de melhorar a percepção da política da sustentabilidade das contas públicas, o resultado tem sido mais ruídos que aumentaram o risco fiscal. O temor que ronda as expectativas é a percepção de que a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, que vem sendo registrada nas pesquisas, vai levar o governo a adotar medidas mais populistas para buscar a sua reeleição, comprometendo regras fiscais, como o teto de gastos (a norma que limita o crescimento das despesas acima da inflação) e ligando o botão da contabilidade criativa.

Nas últimas três semanas, dois focos de tensão do lado fiscal contaminam as expectativas e têm gerado alta volatilidade no mercado: o projeto que altera o Imposto de Renda (IR) e a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que parcela em até dez anos o pagamento de parcela dos precatórios (dívidas que a União precisa quitar depois de decisões judiciais).

As preocupações com o projeto do IR são várias, a depender de quem ganha ou perde mais com a mudança, mas do lado das contas públicas o risco é de queda da arrecadação futura, com as vantagens que estão sendo dadas nessa reta final antes da votação. Além disso, a negociação do projeto, envolve custos adicionais, como o aumento da parcela de recursos da União que é transferida para as prefeituras via Fundo de Participação dos Municípios.

Já a PEC dos precatórios divide o mercado. A maior polêmica é o fato de poder levar o Congresso a retirar essas despesas (só em 2022 são R$ 89 bilhões) do teto de gastos para não comprometer o espaço no Orçamento para o novo Bolsa Família, rebatizado de Auxílio Brasil, para dar um benefício maior que R$ 300. O presidente alimentou o risco do mercado ao falar em subir o benefício para R$ 400.

A PEC dos precatórios envolve uma operação triangulada com dívidas que ataca de uma vez só duas regras: o teto e as metas fiscais. Ou seja, dribla normas de controle do gasto público e ainda distorce o resultado fiscal do governo central, avalia Leonardo Ribeiro, analista do Senado e conhecedor dos meandros da confusa legislação fiscal brasileira.

Não há como cumprir o teto de gastos, pagar os precatórios e manter os programas de governo ao mesmo tempo, diz. Esse triângulo se assemelha às pedaladas fiscais desenhadas pelo ex-secretário do Tesouro Arno Augustin, do governo Dilma.

3 / Ruídos políticos e crise institucional

Os ruídos políticos e a crise institucional entre os poderes também têm elevado a tensão, nos últimos dias, em meio à pressão do presidente Jair Bolsonaro sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal e ameaças de ruptura institucional.

Além de trazer o risco de afugentar os investidores, a crise política entre Executivo, Judiciário e Legislativo, amplificada pela briga do presidente pelo voto impresso, tem afetado também o mercado. Uma preocupação adicional é com a antecipação da campanha eleitoral e a sinalização do presidente Jair Bolsonaro de que vai acionar medidas de populismo fiscal para ganhar a eleição em 2022, como aumento de subsídios para a concessão de vale-gás e desoneração do diesel. A crise tem dividido o Senado e a Câmara e deve trazer mais dificuldades para que as votações de projetos em uma Casa se completem na outra.

Na sexta-feira, 20, a notícia da agência Associated Press de que o presidente teria falado abertamente sobre seu arrependimento de apoiar a autonomia do BC reforçou a preocupação. O ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, teve de sair a campo para garantir a autonomia do BC. O desconforto do presidente com a inflação, com o desemprego e com a queda de popularidade é cada vez maior, o que coloca pressão sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

A tensão política é bastante sentida no mercado e existe um sentimento de que ficou mais provável o cenário negativo do que positivo olhando para o futuro, diz o economista Gabriel Galípolo. Ele pondera, no entanto, que não consegue enxergar a ideia de que o mercado esteja fazendo uma ruptura com ideias que são representadas pelo governo Bolsonaro no campo econômico. Para ele, hoje a preocupação fiscal é mais uma questão de expectativas e apostas, especulando sobre o que vai ser o futuro, porque no quadro atual as contas públicas estão numa situação melhor, com déficit menor. Mas o ambiente político está muito conflagrado e isso colabora para uma tensão interna, que, somado ao cenário externo, azedou o mercado.

Na avaliação do professor da PUC de São Paulo Antônio Corrêa de Lacerda, o presidente Bolsonaro, em meio à pressão, cria factoides, sendo o mais recente o pedido de impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes. Bolsonaro prometeu entregar nos próximos dias outro pedido de afastamento tendo como alvo o ministro Luís Roberto Barroso, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TST). No campo econômico, claramente ele vai jogar todas as fichas num auxílio emergencial turbinado que seria uma combinação de Bolsa Família visando criar algum impacto eleitoral, avalia Lacerda.

4 / Commodities, China e Fed também são empecilho

Grande exportador de alimentos e minérios, o Brasil tem sido favorecido desde o ano passado com o boom dos preços das commodities (produtos básicos), que se seguiu ao processo de recuperação da economia global depois da pandemia. Agora, os ventos começam a ficar diferentes com impacto na economia, que já passa por problemas domésticos como inflação e juros altos e desemprego resistente e persistente.

A desaceleração da China acendeu o alerta para o Brasil. E, como mostrou reportagem do Estadão, o avanço da variante Delta da covid-19 também tem reduzido o otimismo dos economistas em relação à recuperação da atividade global neste ano. A nova cepa tem levado a China a fechar cidades, freando a retomada. O governo chinês vem retirando estímulos econômicos, o que acaba impactando os preços de commodities importantes para a atividade econômica brasileira, como o minério de ferro.

De repente, o que acontece no mundo deu uma virada e temos uma desaceleração da China e uma nebulosidade sobre o que o Banco Central dos Estados Unidos vai fazer na política de juros, diz o economista Fábio Terra, da Universidade Federal do ABC (UFABC). Tudo que o Fed (o banco central americano) decide é política monetária (no sentido de controlar a inflação) para eles, mas para a gente é política cambial (afeta o valor do real), diz Terra, para explicar a importância da conexão dos juros americanos com o comportamento do dólar no Brasil.

Para o economista, o mundo está muito ressabiado com a variante Delta, o que atrapalha o cenário externo. Isso sozinho nos atrapalharia bastante, só que ainda se soma aos problemas internos, como a crise hidrológica, diz.

Antônio Corrêa de Lacerda ressalta que a possível elevação da taxa de juros americana é sempre um problema para a economia global e para o Brasil. Para ele, a desaceleração do ritmo de crescimento chinês é uma má notícia para as exportações brasileiras, porque o Brasil é dependente das commodities.

Laboratório está prestes a atingir um marco na busca pela energia ilimitada

Fonte: BBCNews

Um instituto científico dos Estados Unidos está prestes a conquistar um grande avanço na pesquisa com a fusão nuclear.

A National Ignition Facility (NIF) em Livermore, Califórnia, usa um poderoso laser para aquecer e comprimir combustível de hidrogênio e está a um passo de alcançar uma fusão nuclear de enormes proporções.

A partir de um experimento realizado em agosto de 2021, o laboratório em breve alcançará a meta de ignição, quando a energia liberada pela fusão superará a liberada pelo laser.

A fusão é um tipo de energia nuclear diferente do processo de fissão, que é usado desde 1950 nos reatores de energia atômica. Na fusão, a energia é gerada a partir da união de átomos, enquanto na fissão ela é subproduto da divisão de átomos.

A fusão é o mesmo processo que acontece no Sol, e exige calor e pressão extremos, sendo muito mais difícil de controlar do que a fissão. Uma vez dominada, contudo, poderia fornecer uma fonte de energia limpa e ilimitada.

O processo não gera o lixo radioativo produzido pelos reatores de fissão, que é um dos principais obstáculos ao uso de energia nuclear atualmente, além do custo e das preocupação que a modalidade gera quanto à segurança e à proliferação de armas.

Recorde

Em um processo chamado de fusão nuclear com confinamento inercial, 192 raios de laser da instalação do NIF, a maior concentração de energia do mundo, são direcionados a uma cápsula do tamanho de um grão de pimenta.

Essa cápsula contém deutério e trítio, que são diferentes formas do elemento hidrogênio.

O procedimento comprime o combustível a 100 vezes a densidade do chumbo e o aquece a 100 milhões de graus Celsius, mais quente que o centro do sol. Essas condições ajudam a iniciar a fusão termonuclear.

Um experimento realizado em 8 de agosto rendeu 1,35 megajoules (MJ) de energia, cerca de 70% da energia do laser que chega à cápsula de combustível. Alcançar a ignição significa obter um rendimento de fusão superior aos 1,9 MJ aplicados pelo laser.

Este é um grande avanço para a pesquisa com a fusão e para toda a comunidade envolvida nisso, disse à BBC News Debbie Callahan, física do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, que abriga o NIF.

O experimento deste mês conseguiu um resultado oito vezes maior do que o recorde anterior (no início deste ano) e 25 vezes o rendimento de experimentos realizados em 2018.

O ritmo de avanços na produção de energia tem sido rápido, sugerindo que podemos alcançar em breve mais recordes, como superar a energia dos lasers que iniciam o processo, afirmou Jeremy Chittenden, codiretor do Centro para Estudos em Fusão Inercial no Imperial College London, na Inglaterra.

Cientistas do NIF também acreditam terem alcançado algo chamado de plasma ardente, onde as próprias reações de fusão dão calor para mais fusão. Isso é vital para tornar o processo autossustentável e com alto rendimento.

Acreditamos que nosso experimento chegou neste estágio, mas ainda estamos fazendo análises e simulações para ter certeza de que entendemos o resultado, explica Debbie Callahan.

Depois, os testes serão realizados novamente.

Isso é fundamental para a ciência experimental. Precisamos entender quão reproduzíveis são os resultados, e quão sensíveis são a pequenas mudanças, diz Callahn.

Depois, temos planos de melhorar o design deste sistema. Começaremos a trabalhar nisso no próximo ano.

Apesar dos enormes avanços, Chittenden disse que ainda há muito a superar.

Os megajoules de energia liberados no experimento são realmente impressionantes em termos de fusão, mas na prática isso é equivalente à energia necessária para ferver uma chaleira.

Energias de fusão muito mais altas podem ser alcançadas por meio da ignição se pudermos descobrir como manter o combustível unido por mais tempo, fazendo com que mais dele queime.

Outros investimentos na tecnologia

A construção da National Ignition Facility (NIF) nos Estados Unidos começou em 1997 e foi concluída em 2009. Os primeiros experimentos para testar a potência do laser começaram em outubro de 2010.

Outra função do NIF é monitorar a situação e segurança do estoque de armas nucleares dos Estados Unidos. Às vezes, os cientistas que precisam o usar o enorme laser para a fusão têm que dividir o tempo com experimentos voltados para segurança nacional.

Esse é um dos vários projetos pelo mundo voltados para a pesquisa com fusão. Um deles é a instalação ITER, orçada em bilhões de euros e atualmente em construção em Cadarache, França.

O ITER adotará uma abordagem diferente da fusão acionada por laser no NIF; a instalação no sul da França usará campos magnéticos para conter plasma quente, gás eletricamente carregado. Este conceito é conhecido como fusão por confinamento magnético.

Mas construir instalações de fusão comercialmente viáveis, capazes de fornecer energia em rede, exigirá outro salto gigante.

Transformar esse conceito em uma fonte renovável de energia elétrica é provavelmente um processo longo e envolverá a superação de desafios técnicos substanciais, como ser capaz de recriar este experimento várias vezes por segundo para produzir uma fonte estável de energia, ressalva Chittenden.

Como viver com a gasolina a R$ 7,00 e o álcool a R$ 6,00?

Fonte: Quatro Rodas

Várias restrições vão sendo impostas, a gasolina agora atinge um preço bastante considerável e, além do mais, a cada dia fica mais complicado consegui-la. Com isso, numa sociedade que realmente depende dos veículos motorizados, encontrar uma ou mais maneiras para se economizar combustível acaba se tornando o grande problema do momento.

No Rio e Janeiro, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre o preço máximo da gasolina por litro variou de R$ 7,05 a R$ 7,36 na última semana, de acordo com a pesquisa semanal de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Como viver com a gasolina a CR$ 7,00 dava dicas para fazer a combustível render ainda mais no tanque do carro, dizia o que não fazer e mostrava até mesmo como continuar viajando mesmo com os valores proibitivos nos postos, entre elas, usar as hoje praticamente inexistentes linhas ferroviárias interestaduais. Algumas dessas dicas ainda são válidas.

Abastecer era ainda mais caro e difícil

Na época, o Brasil vivia, há algum tempo, os efeitos da crise do petróleo, iniciada em 1973, quando conflitos no Oriente Médio resultaram no primeiro choque do petróleo, que elevou o preço do barril de pouco mais de US$ 2 para até US$ 12.

O Brasil, muito mais dependente do petróleo importado do que hoje, havia criou o Proálcool (Programa Nacional do Álcool) em 1975, mas o primeiro carro a álcool, o Fiat 147, só seria lançado em 1979.

Hoje, o álcool não é uma alternativa válida. O preço do litro do etanol passou dos R$ 6 em cinco estados: Acre, Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O maior valor encontrado pela ANP foi de R$ 6,89 no estado do Rio Grande do Sul.

O mais assustador é que aqueles 7 cruzeiros de 1977, corrigidos pelo índice IGP-DI (FGV), representam 14 reais de hoje.

Para piorar, o governo tentava dificultar a venda de combustível. As bombas dos postos não podiam funcionar o dia inteiro (só das 6h às 23h) ou aos domingos (o posto fechava às 19h de sábado e só abriria às 6h da segunda-feira) e feriados, e mesmo em rodovias a velocidade máxima era limitada a 80 km/h para aumentar a autonomia dos carros. Nos Estados Unidos, limitava-se a potência dos carros naquela época.

O Governo também criou os chamados cupons de recolhimento restituível. Antes de abastecer o carro, o motorista deveria passar no banco e comprar talões de cupons ao preço de de Cr$ 2,00/litro, que encareciam ainda mais o combustível.

Esses cupons nada mais eram do que empréstimos compulsórios ao governo, que só seriam restituídos após dois anos sem juros ou correção monetária. Parecia assustador mas, de acordo com a reportagem, muita gente viu um negócio nisso.

Quem precisava do dinheiro, vendia seus cupons na hora. O talão com 100 cupons comprado a Cr$ 200,00 depois era negociado a Cr$ 70,00: quem aguardasse os dois anos com eles em mãos teria rentabilidade de 72% ao ano ou 144% ao fim dos dois anos, à época, letras de câmbio e ações de primeira linha rendiam, em média, 38% a.a. O governo estimulava isso e havia empresas negociando diretamente com empresas de táxi e grupos de motoristas autônomos.

Os carros melhoraram muito

A injeção eletrônica só apareceria em um carro nacional 12 anos depois, com o lançamento do Gol GTI. Mas já em 1977 falava-se dos benefícios da injeção eletrônica na diminuição do consumo nos carros europeus.

Por aqui, restava destacar os benefícios da ignição eletrônica, que elimina o platinado e permite uma perfeita regulagem do motor, além de assegurar, em qualquer rotação, uma centelha amplamente eficiente, dizia a reportagem. Uma economia real de 5% já pode ser considerada como um bom resultado, completa o texto.

A presença da injeção eletrônica está presente em todos os carros vendidos no Brasil há 24 anos (quando a VW Kombi 1997 aboliu o carburador) e, para nossa sorte, isso tornou obsoletas algumas das dicas da época.

Com a injeção eletrônica ninguém precisa acertar a posição do distribuidor, pois o módulo do motor (ECU) vai controlar o avanço da ignição por conta própria, respeitando seus sensores. O vacuômetro deu lugar aos econômetros nos computadores de bordo, também capazes de mostrar o consumo em tempo real.

Você também não precisa se preocupar em aferir o velocímetro e os indicadores de troca de marcha apontam a hora certa de avançar ou reduzir a marcha mesmo quando o carro não tem conta-giros (um luxo nos anos 1970).

Há coisas que você nem imagina que evoluíram. Na época, a troca das velas era feita a cada 10.000 km, com regulagem aos 5.000 km sob pena de aumentar o consumo em 7%.

Hoje, velas convencionais chegam a durar 40.000 km (ou até o triplo disso, se de irídio) e as oficinas apenas verificam o estado dos eletrodos na maioria das revisões e quando o manual preconiza a troca, ela é feita de forma preventiva, geralmente ainda teria alguma vida útil.

Carros nem tão modernos assim já fazem os ajustes das lonas dos freios a tambor sozinhos. Naquela época, quando ainda havia freio a tambor no eixo dianteiro, não era assim: o motorista precisava se preocupar com a regulagem para assegurar que as lonas não estavam prendendo o carro, forçando o motor, e seu consumo. O gasto aumentaria em até 11%.

Parceiro nas partidas com o motor frio, o afogador também era cumplice na gastança de gasolina. Recomendava-se seu uso para enriquecer a mistura ar-combustível apenas quando fosse estritamente necessário.

Por fim, não custa lembrar que os filtros de ar do motor ainda não eram descartáveis, trocados sempre que fosse necessário. O serviço era de limpeza do filtro, que usava óleo do motor para prender as impurezas do ar. Para locais onde havia muita poeira as fabricantes chegavam a recomendar limpeza diária, sob pena de aumentar o consumo em 5%!

Mas a melhor recomendação parece ter sido dada por Julius Rock (de Todo Mundo Odeia o Chris): Deixar o carro na garagem, em determinadas circunstâncias, só traz lucros: não se gasta gasolina e um passeio a pé é sempre saudável.

A picaretagem sempre existiu

Não é preciso procurar muito para encontrar produtos que prometem uma redução de consumo milagrosa em sites. Os tais economizadores já existiam quatro décadas atrás cada qual propagando os resultados mais incríveis (como se as leis da física pudessem ser alteradas a bel prazer de cada inventor) dizia a reportagem.

De uma forma geral, tais inventos não têm o menor valor, caso contrário, seriam logo adquiridos por alguma fábrica que os incluiria em sua produção normal. Assim, esperar que um destes milagrosos inventos possa, ao custo de algumas centenas de cruzeiros, proporcionar 20 ou 30% de economia de gasolina significa estar claramente disposto a ser enganado, prosseguia o texto que não caducou passados 44 anos.

Nos tempos dos carburadores, havia diversos meios de empobrecer a mistura ar-combustível, o que provocava uma certa economia de combustível. Mas isso aumentava, e ainda aumenta, o desgaste do motor. Basicamente, porque leva a um aumento da temperatura na câmara de combustão, o que pode levar até mesmo à perfuração da cabeça do pistão.

Algumas modificações incluíam a injeção de água na câmara de combustão, o que hoje é feito em alguns pouquíssimos carros de competição. O objetivo era aumentar a taxa de compressão, o que, pela utilização de gasolina sem alta octanagem, também compromete o motor.

Hoje essas bugigangas não são oferecidas apenas como intervenções mecânicas, mas também eletrônicas. QUATRO RODAS testa esses dispositivos milagrosos constantemente, mas nunca encontrou um que, de fato, não passe de picaretagem.

As dicas que ainda devem ser seguidas

Encha os pneus

Essa dica é um clássico. Mesmo quando ainda não se falava dos atuais pneus verdes, com sílica em sua composição para diminuir a perda por atrito com o asfalto, o pneu era apontado como cumplice do alto consumo: fora da pressão correta, reduziriam a autonomia em até 16%.

Quatro décadas atrás recomendava-se a compra de um bom calibrador, pois os dos postos (aqueles com grandes relógios e que eram acionados por uma alavanca) raramente tinham precisão.

Para saber qual é o nível de calibragem ideal do seu carro e quando deve ser realizada a revisão do alinhamento, basta observar o manual do veículo, ou em adesivo no vão das portas ou portinhola do tanque. Mas saiba que dificilmente o fabricante recomendará um intervalo de verificação maior que o de um mês.

Evite acelerações e reduções desnecessárias

Enquanto houver motoristas, haverá diferença entre a forma como cada um dirige. É preciso saber que arrancadas violentas aumentam o consumo de combustível.

Frear sem necessidade também prejudica, pois você precisará acelerar novamente para recuperar o embalo. E não custa lembrar: jamais segure o carro com a embreagem nas subidas.

Nada de banguela

44 anos atrás, usar o ponto morto em descidas (a famosa banguela) poderia proporcionar alguma redução no consumo e era amplamente utilizado por caminhoneiros. Mas era desaconselhada pela reportagem por atuar negativamente na segurança: em qualquer situação de emergência, será difícil parar só com a aplicação dos freios. E, mesmo nos raros casos em que os freios dão conta do recado, a economia de gasolina não compensa o desgaste dos freios.

Com a injeção eletrônica, economiza-se mais descendo com o carro engrenado e sem acelerar, pois a injeção bloqueia o combustível ao motor evitando qualquer consumo de combustível.

Dirija sem pressa

Quanto maior a velocidade, maior a resistência do ar. Quanto maior a resistência, maior o consumo. Em velocidades menores, a diferença pode não ser tão grande, mas a dica se aplica bem a velocidades mais altas.

Ao dirigir a 120 km/h, por exemplo, consome-se até 50% a mais do que a 110 km/h, conforme teste de QUATRO RODAS. O que é bom ter em mente é que o ganho de tempo ao dirigir rápido é pequeno para o tanto que o consumo aumenta.

Desligue o motor do carro

Deixar o carro ligado quando parado pode representar um gasto de um a dois litros de combustível por hora, dependendo do tamanho do motor e, nos tempos atuais, do uso do ar-condicionado.

Por isso, recomenda-se que quando o carro ficar parado mais de um minuto, seja em um congestionamento, ou ao esperar alguém, ele seja desligado e ligado de novo (considerando que seja seguro fazê-lo).

Troque de marchas da maneira correta

A troca de marchas deve ser feita nos tempos certos, sem esticar exageradamente entre uma e outra troca, assim como errar o momento de reduzir a marcha.

As esticadas na troca de marcha são grandes vilãs do consumo de combustível, por isso os motoristas devem seguir as orientações do manual do veículo para saber a velocidade ideal das trocas de marchas. Ou os indicadores de troca de marcha.

O pé no acelerador é o melhor economizador de combustível. A aceleração deve ser sempre feita com suavidade e com o pisar mais leve possível. Em veículos com câmbio automático, deve-se evitar o kick-down que é a redução de uma marcha provocada ao apertar o pedal do acelerador até o final do seu curso.

Evite congestionamentos e trajetos com muitos semáforos

Em 1977 essa dica reforçava trajetos que passavam pelos centros das cidades brasileiras. Hoje não é raro ter encarar marchas baixas e paradas frequentes também nos bairros e tudo isso eleva o consumo de combustível.

Por isso, manter a velocidade do veículo o mais uniforme possível, evitando situações de trânsito intenso ou trajetos com muitos semáforos, pode ajudar na economia. E se não for possível evitar os congestionamentos, observe o trânsito, de forma que se pare o mínimo possível.

O que você ainda pode fazer para deixar seu carro mais econômico

Compre carros mais eficientes

Para reduzir o consumo de combustível de forma mais significativa nada melhor do que comprar o carro com menor consumo possível. Você pode ser radical e trocar seu SUV por um hatch ou sedã, que tendem a ser mais leves e aerodinâmicos. Mas também há ganho se a troca for por, simplesmente, por um carro semelhante mais novo, com motor mais moderno.

Use o ar-condicionado com menos frequência

O ar-condicionado é uma comodidade moderna e pode ser responsável por cerca de 20% de aumento no consumo de combustível. Usar filme protetor solar, estacionar o carro na sombra para depois não precisar ligar o ar na maior potência e desligar o ar alguns minutos antes de alcançar o destino são algumas dicas para usar menos ar-condicionado, mesmo no verão.

Reduza o peso do veículo

Lembre-se que a física é implacável e a equação força = massa x aceleração tem efeito no dia a dia. Quanto menor a massa, menor o consumo, portanto, quanto menor o carro, maior a economia. Se você não vai comprar um carro menor e mais leve, deixe seu carro mais leve.

Não é para tirar os bancos e acabamentos, nem o estepe. Mas convém remover qualquer peso inútil de dentro do carro e deixar de usar ele como armário. Limpar barro do assoalho do carro também tem efeito. Um peso extra de cerca de 40 quilos pode reduzir o consumo em até 2%.

Deixe o carro mais aerodinâmico

Não está usando o bagageiro ou o suporte de bicicleta? Remova-o. Quanto mais aerodinâmico seu carro for, menor a resistência de ar e maior a economia de combustível. Manter as janelas e o teto solar fechados também ajuda. Em altas velocidades, inclusive, ligar o ar-condicionado pode gerar um menor consumo de combustível do que abrir as janelas.

Escolha bem o posto

Ninguém quer pagar por gasolina e receber uma mistura com muito mais álcool que gasolina, ou pagar por álcool (que também está bem caro) e cheio de água na mistura. Postos com má aparência, de marcas desconhecidas e com valores absurdamente baixos podem ser furadas.

Atente se um posto é bastante frequentado por frotistas e taxistas. Esse pode ser um indicativo de preços baixos e qualidade. Outra dica é não abastecer o carro no primeiro posto de combustível encontrado dentro de uma longa distância, como em uma estrada, ou no último posto antes de outra rodovia ou via expressa. Com poucas opções na região, esses postos podem ter um valor mais elevado por serem a última saída para muitos motoristas.

São Paulo tem chuva de cinzas neste domingo

Fonte: VEJA São Paulo

Moradores de diferentes zonas, bairros e distritos da capital paulista, incluindo Bela Vista, Santa Cecília, Ipiranga, Imirim, Mooca, Perdizes, Mandaqui, Sacomã, e Vila Mariana, têm relatado nas redes sociais que suas casas receberam uma chuva de fuligem neste domingo (22). Pela manhã, já haviam internautas reclamando do fenômeno e indagando se ele teria relação com o incêndio da área de mata próxima ao Parque Estadual do Juquery, em Franco da Rocha, que dista 50 quilômetros da cidade de São Paulo.

Na última atualização feita pelo Corpo de Bombeiros, foi divulgado que combatem as chamas noventa profissionais, com auxílio de sete viaturas. Até o momento, não há informações oficiais sobre a causa do incêndio. Contudo, moradores dos arredores afirmam ter sido um balão que caiu na região.

Tempestade tropical deixa milhares de americanos sem energia

Fonte: IstoÉ

Mais de 100 mil pessoas no nordeste dos Estados Unidos estavam sem luz neste domingo, após a passagem da tempestade tropical Henri, informou um site especializado, enquanto o presidente Joe Biden pedia cautela diante do risco de inundações.

Mais de 70 mil pessoas no estado de Rhode Island, 30 mil em Connecticut e 10 mil em Massachusetts foram afetadas pelo apagão de hoje, segundo o site poweroutage.us.

A tempestade tropical tocou o solo americano em Rhode Island às 12h15 locais, segundo o serviço meteorológico nacional. Em seu boletim das 21h GMT, o Centro Nacional de Furacões (NHC) informou que Henri registrava ventos máximos de 65 km/h.

É importante monitorar a situação e estarem preparados em casa e na vizinhança. Certifiquem-se de contar com suprimentos, incluindo remédios, alimentos, água e rádios a bateria em caso de cortes de energia prolongados, advertiu o presidente Biden durante entrevista coletiva no fim da tarde.

Henri, que foi rebaixado de furacão a tempestade tropical nesta manhã, deve se deslocar mais lentamente nas próximas horas, observou o NHC, acrescentando que o fenômeno climático poderia se estagnar perto do limite entre os estados de Nova York e Connecticut esta noite.

O nordeste dos Estados Unidos não costuma ser afetado por tempestades desse tipo, que tendem a atingir com mais frequência os estados mais ao sul.

Conforme a superfície dos oceanos se aquece, os furacões se tornam mais poderosos, explicam os cientistas. Portanto, representam um risco cada vez mais importante para as comunidades costeiras.

Apesar de o governador de Rhode Island, Dan McKee, ter dito que houve grandes enchentes em algumas áreas, reações iniciais de moradores parecem indicar que a tempestade não foi tão forte quanto o esperado.

Fomos salvos, disse à AFP James Kiker, morador de Newport, na manhã deste domingo, assinalando que observou poucos danos em sua vizinhança.

CIST | Curso | Introdução ao Transporte Nacional

Clube Internacional de Seguro de Transportes - CIST , entre os dias 23 e 26 de agosto, promoverá mais um curso de curta duração de 8 horas, 100% online. Desta vez, o tema será curso Introdução ao Transporte Nacional, ministrado por Domingos Pozzetti.

Formado em Engenharia Química pela Escola de Engenharia Mauá, Pós Graduação na Universidade Presbiteriana Mackenzie e MBA Executivo no Insper, experiência de 20 anos no Mercado de Seguros, especialista em Seguros de Transportes com atuação como Corretor, Broker de Resseguros e Segurador, atualmente dirigindo a Berkley Brasil Seguro, professor do curso de Transporte Nacional.

Conteúdo:

Introdução ao Seguro de Transporte / Números do Mercado / Matriz de Transporte Brasileira - Importância do modal Rodoviário / Código Civil / Lei do Motorista / Hierarquia da Apólice / Garantias Básica, Adicionais e Especiais / Identificação de Necessidades / Preenchimento do Questionário / Papel do Corretor na instrução do processo / Cartas de DDR / Apólice Estipuladas / Análise de Risco / Gerenciamento de Riscos / Aviso e Regulação de Sinistros.

Serviço: Data: 23 a 26 de agosto de 2021 / Horário: 19h00 às 21h00

Investimento: R$ 180,000 para sócio e de R$ 300 para não sócio.

Mais informações: secretaria@cist.org.br / #Conhecimento e #networking qualificado.

Acesse as edições mais recentes das publicações do mercado:

Revista Apólice: https://www.revistaapolice.com.br/2021/05/edicao-265/

Revista Cobertura:  https://www.revistacobertura.com.br/revistas/revista-cobertura/revista-cobertura-edicao-231/#2

Revista Segurador Brasil: https://issuu.com/revistaseguradorbrasil/docs/segurador_166_

Revista Seguro Total: https://revistasegurototal.com.br/2021/06/14/mercados-de-vida-e-previdencia-apresentam-crescimento/

Revista Insurance Corp: http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed36_2021.pdf

Caderno de Seguros: https://cnseg.org.br/publicacoes/revista-de-seguros-n-916.html

Revista Brasil Energia: https://editorabrasilenergia.com.br/wp-content/uploads/sites/1/flips/129726/Bia469v3/2/index.html

Relatório 2020 da CNseg (destaca os seus projetos e ações em ano desafiador): https://cnseg.org.br/noticias/relatorio-2020-da-cnseg-destaca-os-seus-projetos-e-acoes-em-ano-desafiador.html

2021 / CNseg: O Setor de Seguros Brasileiro: https://cnseg.org.br/publicacoes/o-setor-de-seguros-brasileiro-folder-2021.html

Curso Extensão de Responsabilidade Civil da ENS

O Curso de Extensão ENS em parceria com a AIDA, tem como objetivo proporcionar o conhecimento das modalidades de seguros do ramo de Responsabilidade Civil, as normas legais que o regulam, a formação do contrato e todas as obrigações e os direitos dele decorrentes, como coberturas, exclusões e diversos temas conexos e diretamente relacionados. Para maiores informações e inscrições acesse: https://www.ens.edu.br/.../cursos-de-extensao-aulas-ao...