Crise Hídrica & Mercado de Seguros

01, Set. 2021

Crise hídrica aquece demanda por seguros e também por pedidos de indenizações

Fonte: Sonho Seguro

A crise hídrica que ameaça o fornecimento de energia elétrica neste ano e em 2022 traz desafios para o país e para as seguradoras, que enfrentam um aumento no pedido de indenizações e de renegociações de contratos que foram garantidos por seguro. Uma delas é o aumento de demanda para o seguro garantia, em todas os ciclos do setor, que começa na apresentação de propostas para disputas nos leilões até a entrega da energia ao comprador. Para falar um pouco deste segmento, o blog Sonho Seguro conversou com João Di Girolamo, responsável pelo seguro garantia no Brasil da Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros.

Quais as coberturas ofertadas para o setor de energia, em todos os ciclos, desde o contrato de concessão até o cliente final, incluindo mercado aberto de venda de energia.

A oferta de seguro garantia dentro do mercado de energia é bem ampla e pode se iniciar mesmo antes de haver um projeto, já que o empreendedor de energia deve buscar mitigar os riscos em todas as suas respectivas fases, desde o desenvolvimento, construção e manutenção dos ativos após a operação. Na fase de desenvolvimento do projeto, o empreendedor normalmente contrata empresas especializadas para desenvolver relatórios e serviços inerentes ao seu desenvolvimento como obtenção de licenciamento ambiental, medição de ventos, aferição de radiação, desembaraço fundiário, entre outros. Nesse momento, nasce a necessidade da mitigação do risco da não performance desses tomadores prestadores de serviços, a qual serve o seguro garantia como ferramenta essencial, garantindo ao empreendedor a performance das empresas envolvidas, ou ainda o pagamento dos prejuízos causados pelo inadimplemento em seus contratos.

E quando se inicia o projeto?

Iniciada a fase de desenvolvimento do projeto e, tendo o empreendedor obtido os documentos mínimos necessários ao início de processo de obtenção de outorga junto à Aneel, este normalmente recorre às seguradoras do mercado de garantia para obter as primeiras garantias requeridas no processo de estudo de inventário ou outorga. O empreendedor também pode obter uma outorga de um empreendimento de energia através dos leilões promovidos pela Aneel, seja para empreendimentos de geração das diversas fontes de energia, ou ainda para o sistema de transmissão. Nessa fase, o empreendedor deve garantir à Aneel o fiel cumprimento das obrigações contraídas no processo licitatório, sendo possível, portanto, a aplicação do seguro garantia de licitante, que tem por objeto garantir que o tomador (empreendedor) honre com sua proposta apresentada na licitação e assine o contrato de concessão e o contrato de comercialização de energia.

Neste momento entra o Perfomance Bond?

Sim. A segunda garantia necessária ao processo licitatório no mercado de energia é a garantia de Performance Bond (Executante Construtor), onde a Seguradora garante à Aneel que o tomador executará o projeto de acordo com os termos e prazos estabelecidos no edital, sob pena de aplicação de multas e consequentemente a execução da garantia. Após a assinatura do contrato de concessão e de comercialização de energia, o empreendedor busca contratar empresas especializadas na construção e fornecimentos de equipamentos do projeto para o qual foi adjudicado, nascendo nova necessidade de mitigação de risco de performance ou de pagamento dessa nova relação contratual, a qual o seguro garantia também se destaca como uma ferramenta eficaz. Aqui é necessário ressaltar que o seguro garantia poderá ser aplicado em toda a cadeia de fornecedores e prestadores de serviço que um projeto no setor de energia necessite.

E o Completion Bond?

Os projetos de energia geralmente são intensivos na necessidade de capital de terceiros, onde se destaca a obtenção de recursos financeiros através de instituição bancários, fundo de investimentos, debêntures de infraestrutura e outras formas de captação disponível no mercado de capitais, nesse sentido, alguns desses agentes buscam mitigadores financeiros, seja para honrar o pagamento dos recursos disponibilizados, seja ainda para ter a certeza da aplicação do recurso no ativo. Neste sentido, as garantias de completion bond se destacam como modalidade do seguro garantia que cumprem perfeitamente o papel de mitigador para os agentes financiadores, garantindo que o projeto financiado seja concluído dentro dos valores e prazos projetados.

Entre elas, tem uma que está se destacando, não é?

As garantias destacadas até o momento estão relacionadas ou são inerentes ao desenvolvimento e construção dos projetos de geração e transmissão de energia, entretanto, há um mercado mais amplo, qual seja o mercado de comercialização de energia, ao qual garantias de pagamento normalmente são transacionadas. O mercado livre de comercialização de energia, regido pelas normas da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia), vem cada vez mais se destacando no mercado de seguro garantia, seja para o mercado de consumidor final, ou ainda para as comercializadoras de energia, que transacionam grandes volumes de energia, gerando novas oportunidades para o mercado segurador. As garantias mais comuns nesse mercado de comercialização, são aquelas inerentes ao consumo final (principalmente indústria) ou das comercializadoras, portanto, elas garantem ao vendedor da energia (Segurado) que o comprador (Tomador) honrará os compromissos de pagamentos previstos no contrato de compra e venda de energia, mais conhecido como do inglês como PPA (Power Purchase Agreement).

Este segmento representa quanto no mercado de garantia?

Não há certeza das informações de mercado, visto que a Susep não oferece esse nível de detalhamento em seus relatórios. No entanto, com base no Plano Decenal de Energia, os projetos no setor demandariam algo em torno de R$ 456 bilhões em investimentos até 2029. Conclui-se que existem grandes oportunidades e ainda um mercado pouco explorado, principalmente na parte de comercialização de energia.

Com a pandemia, há muitos pedidos de acionamento do seguro por atrasos em obras e aumento dos custos. Como está esta situação?

Temos vivenciado um aumento de sinistralidade no mercado em geral, em muitos casos em função dos impactos da COVID. Os custos de insumos relacionados à construção, desde materiais mais básicos, como o cimento, a até produtos relacionados a commodities, como o aço e cobre, também foram fatores que refletiram diretamente no CAPEX dos projetos, trazendo dificuldade financeiras aos tomadores, principalmente para construtoras que detinham contratos na modalidade EPC com os empreendedores. Já no mercado de comercialização de energia, muitos consumidores precisaram renegociar seus contratos com os seus fornecedores, já que não estavam utilizando o volume de energia contratado, gerando algumas expectativas de sinistros que, na maioria dos casos, foram administrados entre as partes (Tomador, Segurado e Seguradora).

Quais os desafios a serem vencidos com a retomada dos investimentos?

Em primeiro lugar, a retomada dos investimentos provavelmente será liderada pelo mercado de capitais através de estruturas antes pouco avaliadas pelas seguradoras. O grande desafio será aliar uma fase de adaptação do mercado de seguro garantia, ditado pela e mudança profunda em marcos regulatórios no setor de seguros, com a nova matriz de financiamento privada dos projetos. Em segundo lugar, tais mudanças regulatórias certamente alcançarão os produtos voltados para o setor público também e adaptações com a agência reguladora do setor de energia provavelmente serão discutidas, como já feito no passado. Além disso, outro principal desafio será a retomada de obras de grande vulto pelas seguradoras, sendo que tal dinâmica também poderá ser aplicada a projetos no setor de energia, quando houver participação pública em sua contratação. Já para o setor de comercialização, enxergamos cada vez mais os balcões e as comercializadoras de energia como uma boa oportunidade de desenvolvimento do seguro garantia. Destacamos a inserção do desenvolvimento tecnológico para oferecer soluções em grandes volumes que são transacionadas nesse mercado.

Transformação digital: Caminho sem volta

Fonte: CQCS

A edição número 43 da revista da Aconseg-RJ traz uma reportagem especial mostrando como as seguradoras e operadoras parceiras estão se preparando para esta nova era.

TD traz uma mudança ampla, em que a tecnologia assume papel central na estrutura operacional das empresas. O mercado segurador já embarcou na tendência, saiba como na publicação.

Para dar suporte a estas mudanças, a Universidade Aconseg já capacitou 5.378 profissionais, em quatro anos, em mais de dez áreas de conhecimento. Um verdadeiro passaporte educacional rumo às novas exigências de transformações rápidas e crescimento igualmente acelerado.

O Rio de Janeiro vem recebendo investimentos generosos de grandes grupos comerciais. Estudos da Prefeitura da capital prometem uma reestruturação urbanística do Centro da cidade, transformando a área num polo residencial importante que irá renovar o fôlego da região, com impactos na atividade seguradora.

Veja também como carros voadores e a crise hídrica podem fomentar a demanda por seguro no Brasil e se transformarem em nichos para as assessorias, que lideram a comercialização de Auto no estado, e empregam mão de obra capacitada para garantir um atendimento de qualidade e confiança, que vem provocando até crescimento do volume de negócios nas seguradoras parceiras, conforme registrado nas páginas da revista.

Tudo isso e muito mais nessa penúltima edição do ano de 2021, que mostrou que em matéria de respostas rápidas e adequação aos imprevistos as assessorias, seus corretores e colaboradores também são nota dez.

Pandemia ajudou na valorização da saúde privada, diz presidente da Bradesco Saúde

Para Manoel Peres, não deve ocorrer queda significativa na demanda por planos médicos. Casos de covid diminuem na rede privada

Fonte: Valor Econômico

O presidente da Bradesco Saúde, Manoel Peres, disse que houve uma queda no número de casos de covid-19, no Rio e em São Paulo, no sistema privado de saúde. Vimos uma estabilização nas duas semanas atrás e nessa semana vimos queda no número de casos, disse o executivo, durante Live do Valor, da última sexta-feira (27). A experiência com segurados da Bradesco Saúde, bem como em todo o segmento de saúde privada, é diferente da realidade da rede pública, destacou o executivo.

Durante a Live, que abordou os impactos da pandemia e os seguros de saúde, o executivo observou que há no mercado algumas análises indicando queda na demanda por planos de saúde após o fim da pandemia. A visão de Peres, entretanto, é que esse movimento não deve acontecer. O que temos percebido é que setor tem sido resiliente. No começo da pandemia, em função dos efeitos econômicos, nós estimávamos uma queda no número de segurados, e isso não aconteceu. O setor foi resiliente e as pessoas sentiram necessidade de estar protegidas, disse. Peres ponderou que, mesmo diante de uma piora no cenário econômico, as pessoas tenderiam a se esforçar para manter o plano. Se tiver queda, não será significativa, disse.

O executivo ainda foi questionado sobre os reajustes nos planos, que chegaram a ser negativos no ano passado por causa da pandemia. Ele explicou que a queda veio diante de aniversários de contratos entre dezembro e março, período de queda na demanda de procedimentos. Antes, os reajustes ficaram abaixo do IPCA. Mas todos estão gerando agora, neste momento, [correção] acima do IPCA, pelo menos 1,5 vezes a 2 vezes o IPCA. É a nossa estimativa, disse.

Sintomas prolongados da covid-19 são desafio

Segundo Peres, a empresa cobriu um total de R$ 4,5 bilhões em contas relacionadas à covid-19. O valor engloba, sobretudo, internações e testes PCR, gastos que prosseguem com a pandemia em andamento. Temos um volume expressivo de recursos na cobertura dos segurados relativo à covid-19, disse ele, apontando mais de 80 mil internações.

O grupo arcou com 1,4 milhão de exames de PCR. Um dos desafios à frente é o sintoma prolongado de pacientes que tiveram covid-19. Entre 10% a 20% dos pacientes que tiveram covid-19 estão apresentando sintomas prolongados, como cansaço, fadiga, distúrbio de sono, afirmou o executivo. Ele ponderou que esses sintomas não representam um custo unitário elevado ao setor, uma vez que demandam tratamentos simples, como fisioterapias.

Segundo Peres, esse cenário deve afetar entre um e dois pontos a sinistralidade por um período maior. Lembrando que a sinistralidade por causa das internações de covid-19 foi afetada em mais de 10 pontos, disse. O executivo destacou ainda que a taxa de sinistralidade do setor deve continuar elevada no segundo semestre por causa da pandemia. Ainda há casos de covid. Temos volume de internação elevada, praticamente semelhante à fase inicial da pandemia, disse.

Procedimentos eletivos normalizados

Depois de uma paralisação nos procedimentos eletivos por causa da pandemia, o atendimento agora se normalizou, afirmou Peres. O estoque de não realizados é muito baixo nesse momento, disse. No primeiro trimestre, depois que tivemos a vacinação dos médicos, eles passaram a chamar os pacientes para que eles viessem fazer os procedimentos. Não temos estoque de procedimentos eletivos não realizados, com raríssimas exceções, ressaltou Peres, para quem a pandemia ajudou na valorização do serviço privado de saúde no país.

Questionado sobre o crescimento de empresas como Rede D’or e Dasa no país, há um forte movimento de consolidação em diversos segmentos, incluindo no de saúde, Peres diz não vê problema nisso. Não enxergamos como ameaça. Temos um nível de interdependência muito relevante. Então é tão importante para a Rede D’or que nós estejamos saudáveis, como é para nós que eles estejam saudáveis, comentou. Eles não operam plano de saúde, não conhecem as reservas necessárias. E não operamos serviço hospitalar na operadora. Não é razoável que alguém que presta serviço aceite correr risco com uma carteira de saúde, complementou Peres.

Sistema elétrico avisa, resta saber entender

Fonte: Monitor Mercantil

Em maio, após um período de chuvas abaixo da média, o ex-secretário de Energia do Rio de Janeiro Wagner Victer alertava para a crise no período da seca, na qual o Brasil está agora. O cenário só não é gravíssimo em função da baixa atividade econômica, fruto da pandemia. Caso contrário, já teríamos uma situação tão preocupante quanto a do período prévio ao apagão ocorrido durante o Governo FHC, analisa o ex-conselheiro do CNPE.

O sistema energético brasileiro sempre dá anúncios prévios que devem ser compreendidos e efetivamente enfrentados, pois os seus impactos, caso não sejam adotados, são crescentes, alerta. Victer lista algumas medidas emergenciais:

Volta do Horário de Verão, suspenso há 2 anos. A redução de consumo fica na casa de 0,6% a 0,8%, com queda de 4% a 4,5% no horário de pico;

Acelerar a entrada das termelétricas já contratadas nos leilões anteriores. Acredito que, somente de leilões passados (2015, 2016, 2017 e 2018), devemos ter algo acima de 4 mil MW de potência ainda em fase de construção;

Diante da impossibilidade da ampliação drástica do aumento de oferta, não só pelo custo, mas por eventuais limitações de insumos, começar a atuar e repensar, no que aliás me parece que já está sendo orientado, para a questão da demanda.

A população brasileira está envelhecendo e mesmo assim a sociedade não é dos mais velhos. Segundo projeções do IBGE, o Brasil pode chegar a ter 19 milhões de pessoas com mais de 80 anos em 2060. A Mediator Pesquisa realizou, entre julho e agosto, um estudo qualitativo sobre idadismo. Idosos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro foram entrevistados para avaliar como eles enxergam temas como mercado de trabalho, saúde, tecnologia, convivência com os filhos, consumo e lazer.

A maioria deseja uma inclusão livre de estigmas. A comunicação de produtos da terceira idade, embora tenha melhorado, é um espelho de como o velho é estereotipado. O principal aspecto é engajar os jovens, sintonizá-los a este desejo de igualdade.

Aneel cria bandeira tarifária de escassez hídrica, e conta de luz ficará ainda mais cara

Cobrança extra passou de R$ 9,49 para R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos. Especialistas discutem data para uma conta de luz mais suave no bolso

Fonte: InfoMoney

A conta de luz vai ficar mais cara, mais uma vez. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia anunciaram nesta terça-feira (31) a criação de uma nova bandeira tarifária, chamada de bandeira de escassez hídrica.

Essa bandeira está acima da bandeira vermelha patamar 2, que vigorou nos últimos meses e era até então a bandeira mais crítica adotada pela Aneel. A Aneel afirmou na reunião desta terça que as bandeiras são definidas olhando doze meses para frente, e creditou a criação da nova bandeira à crise hídrica brasileira e à necessidade de importar energia elétrica.

Com a bandeira de escassez hídrica, a cobrança extra passará para R$ 14,20 a partir deste setembro. O valor é aplicado a cada 100 quilowatts-hora consumidos (kWh), e valerá entre setembro deste ano e abril de 2022. A cobrança anterior, da bandeira vermelha patamar 2, era de R$ 9,49. É uma alta de 49,63% na cobrança extra. A Aneel estima que o impacto final na conta de luz será de 6,78%.

Todos os consumidores do mercado cativo das distribuidoras pagarão a nova cobrança. A exceção são os consumidores do estado de Roraima e os consumidores que usufruem da tarifa social, uma tarifa subsidiada que atinge 12 milhões de brasileiros.

O que são as bandeiras tarifárias?

A Aneel adota o sistema de bandeiras na conta de luz desde 2015, como forma de equilibrar os custos de produção de energia elétrica. As bandeiras indicam se as condições estão favoráveis para a geração de energia (bandeira verde) ou se existem custos adicionais (bandeira amarela e bandeiras vermelhas patamar 1 e 2).

Nas bandeiras amarela e vermelhas, existe uma cobrança adicional a cada 100 quilowatts-hora consumidos (kWh) na conta de luz dos consumidores pessoa física e pequenas empresas. Consumidores que estão no mercado livre de energia não participam do sistema de bandeiras.

O sistema de bandeiras ficou suspenso entre maio e novembro de 2020, como forma de aliviar o bolso dos consumidores durante a primeira onda da pandemia do novo coronavírus. Em dezembro de 2020, voltou a bandeira vermelha patamar 2 (uma tentativa de conter a inflação no ano de 2020). Entre janeiro e abril de 2021, a bandeira foi reduzida para a amarela. Em maio, foi a vez da bandeira vermelha.

Não apenas a bandeira ficou mais crítica, mas a cobrança extra também subiu. Na bandeira vermelha patamar 2, a cobrança era de R$ 4,50 a cada 100 kWh consumidos em 2016. O preço foi aumentando até bater os R$ 9,49 em julho deste ano. Como vimos, a cobrança passou para R$ 14,20 nesta terça-feira, com a instituição do novo patamar de bandeira de escassez hídrica.

André Braz, economista e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), afirma que o combustível e a energia elétrica serão componentes que ocuparão maior espaço na inflação em 2021. Apenas em agosto deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, avançou 0,89% ante julho, acima da alta de 0,82% esperada por economistas consultados pela Refinitiv e o maior resultado para um mês de agosto desde 2002.

Apenas a energia elétrica teve aumento de 5% no mesmo mês, crescimento 5,6 vezes maior do que a inflação geral. A energia elétrica subiu 20% em 12 meses, sem contar essa nova decisão da Aneel, diz Braz. Segundo o economista, a energia elétrica compromete cerca de 4,6% do orçamento familiar. Nas famílias mais pobres, o comprometimento de renda é de 6,5% a 7%.

Por que a conta está cada vez mais cara?

Especialistas estimavam que o aumento anunciado pela Aneel deixaria a cobrança extra em um intervalo entre R$ 11 a R$ 20 a cada 100 kWh consumidos. Já a própria Aneel propunha um cenário limite de R$ 25.

As bandeiras e as cobranças extras são uma forma de compensar os custos de produção da energia elétrica, que aumentaram nos últimos tempos. Pedro Rio, cofundador da startup do mercado livre de energia Clarke, explica que o apagão pelo qual o país passou em 2001 fez com que usinas termelétricas fossem criadas como fontes de reserva energética. As termelétricas evitam a perda do fornecimento no caso de uma seca, mas produzem uma energia mais cara e poluente. As bandeiras tarifárias aproximam o custo marginal de operação com o custo de venda, diz o empreendedor.

O país enfrenta sua pior estiagem dos últimos 91 anos, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Essa crise hídrica forçou a adoção de termelétricas, que produzem uma energia mais cara e mais poluente do que hidrelétricas. O Brasil também teve de aumentar sua importação de energia de países vizinhos, alternativa mais cara do que a produção nacional.

Tanto nas termelétricas quanto na importação, o megawatt custa mais de R$ 2 mil. Em comparação, o megawatt no mercado regulado de energia costuma custar R$ 400 em tarifa de energia. As distribuidoras assumem parte desse prejuízo, e outra parte é repassada por meio das bandeiras, diz Rio. Isso porque hoje o nosso consumo ainda não está em níveis pré-pandemia. Se estivesse, teríamos risco de um novo apagão.

Como a conta de luz deve ficar no futuro?

Tudo indica que a conta de luz deverá continuar pressionando o IPCA-15 nos próximos meses. Tanto Braz quanto Rio estimam que a pressão se estenda pelo resto deste ano e contamine 2022. A própria Aneel confirmou essa análise, com a bandeira de escassez hídrica indo até abril de 2022.

Vai começar um aumento gradual de chuvas nos próximos meses, mas é preciso chover perto dos reservatórios para que a produção de energia fique mais barata, diz Braz. No mercado livre de energia vemos preços que refletem a demanda de curto prazo. Vemos preços acima dos vistos no mercado regulado, algo incomum, para todo o ano de 2022. Não vemos uma luz no final do túnel enquanto não houver impacto das chuvas, concorda Rio.

O que consumidores, empresas e o governo podem fazer?

Consumidores pessoas físicas e pessoas jurídicas de pequeno porte têm pouco a fazer: é preciso reduzir o consumo. Temos de nos conscientizar de que água e energia são recursos escassos, e que os investimentos não têm a mesma velocidade do esgotamento desses recursos, diz Braz.

Outra saída são políticas públicas de alívio financeiro. Essa é uma medida que ajuda na disciplina das pessoas. Apenas pedir economia não é suficiente, analisa o economista.

Também nesta terça-feira, a Aneel anunciou um programa de incentivo à redução voluntária do consumo. O programa tem uma meta de 15% de redução no consumo, com um mínimo de 10%. Haverá um prêmio ao consumidor regulado, com abatimento de R$ 50 por 100 kWh reduzidos, até um limite de 20% de redução. O programa irá de setembro até dezembro de 2021.

A Aneel fez uma simulação: uma pessoa que consumia 100 kWh no mês pagava R$ 64 quando vigorava a bandeira vermelha patamar 2. Com a bandeira de escassez hídrica, essa mesma conta subirá para R$ 74. Se essa pessoa agora consumir 80 kWh, terá uma redução de 20% em seu consumo. O valor cairá de R$ 74 para R$ 59 sem nenhum bônus. Com o programa de incentivo, há um bônus de R$ 10 e a conta cai para R$ 49.

Mais uma alternativa é a transição para o mercado livre de energia, fora do universo de consumidores regulados. Estabelecimentos com contas de luz que superam os R$ 100 mil mensais podem comprar energias convencionais e renováveis em um mercado com contratos menores e pautados em oferta e demanda. No caso de compra exclusiva de fontes renováveis, a conta mensal pode partir de R$ 10 mil.

Existem projetos de lei que querem levar esse mercado para consumidores menores, mas essa é a categoria beneficiada pela transição por enquanto. Na energia incentivada [exclusiva de fontes renováveis], a média é de R$ 285 a cada 100 kWh consumidos, ante os cerca de R$ 400 do mercado regulado. Lembrando que não existe o sistema de bandeiras no mercado livre de energia, diz Rio.

Já o governo deveria intensificar o trabalho de diversificação das fontes energéticas. Braz e Rio concordam que a energia eólica e a solar cresceram sua participação desde a crise energética brasileira de 2001, mas que essas fatias ainda estão longe das ideais.

Tivemos bons movimentos de modernização da energia no país nos últimos dez anos, ainda que lentos. Multiplicamos nossa capacidade de energia eólica e solar, e também criamos termelétricas como uma fonte segura de energia, mas cara e poluente. A solução é continuar investindo em energia eólica e solar e ir substituindo a energia térmica por energia de biomassa. É uma fonte renovável mas firme, que permite acionamento automático em caso de secas, diz Rio.

Devemos pensar gradualmente em maior investimento em matrizes energéticas, com uma agenda que não seja interrompida dependendo do governo vigente. Podemos explorar a exposição solar enorme da América Latina, e aproveitarmos nosso litoral para a energia eólica. Temos conhecimento e tecnologia suficientes para aproveitar mais tais recursos e, como consequência, baratear os custos da energia. Todo país precisa de eletricidade para continuar crescendo, e as fontes renováveis permitem que esse crescimento seja mais sustentável, completa Braz.

RAÍZEN: CADE fecha questão sobre o Terminal Madre de Deus

Fonte: Kincaid

O Cade aprovou a alienação, pela Vibra Energia (ex-BR Distribuidora), de 50% do imóvel e das benfeitorias do imóvel que compõem o complexo denominado pool de Madre de Deus para a Raízen. Desta forma, caso a operação seja aprovada pela ANP, a joint venture entre Cosan e Shell passará a deter 100% do pool de Madre de Deus.

O despacho com a aprovação foi publicado no Diário Oficial da União de sexta-feira última. Em resumo, o conselho decidiu que a operação não trará problemas concorrenciais porque , além da Raízen já ser efetivamente a maior usuária do pool, os volumes ali movimentados pela Vibra Energia são pouco representativos em relação ao total movimentado no estado da Bahia, segundo o parecer elaborado pelo Cade e enviado no último dia 26. Em 2020, o pool Madre de Deus comercializou cerca de 1,6 milhão de m³ de combustíveis líquidos, entre um total de 5,6 milhões de m³ comercializados no estado da Bahia.

Mesmo se a Raízen absorvesse todo o movimento atualmente utilizado pela Vibra Energia, o poder de mercado da companhia não seria alterado, argumenta o Cade. Ademais, entende-se que a operação não deverá afetar a dinâmica concorrencial, haja vista que foi informado que a BR Distribuidora/Vibra Energia continuará contando com outras bases de distribuição na Bahia (sejam elas próprias, compartilhadas ou contratadas de terceiros) que lhe atendem, finaliza o parecer do conselho.

O pool de Madre de Deus é uma base compartilhada, utilizada para o recebimento, armazenagem e expedição de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis. A base está situada no distrito de Socorro, no município de São Francisco do Conde, na Bahia, e faz parte da logística do terminal Madre de Deus, que é integrado à refinaria Rlam.

Formalmente, o pool é compartilhado entre a BR Distribuidora e a Raízen desde 2009. Porém, a gestão, a administração e a utilização do ativo é realizada primordialmente pela Raízen, conforme determinou a Resolução ANP nº 784/2019, que regulamenta as estruturas de bases de distribuição de combustíveis compartilhadas.

A operação representa, para a Vibra Energia, a oportunidade de realocação de recursos financeiros de forma mais eficiente, sem qualquer impacto em seu market share, haja vista a possibilidade de distribuição por outras bases localizadas na Bahia. Já para a Raízen, trata-se de uma oportunidade de adquirir a propriedade unitária da base sobre a qual já detém a administração e o uso da quase totalidade de sua capacidade de tancagem, permitindo realizar uma gestão mais eficiente das instalações, alinhada à sua estratégia empresarial na região.

Eletrobras pagará à União R$ 23,2 bilhões por novos contratos de usinas

A Eletrobras, estatal com enfoque em geração e transmissão de energia, pagará R$ 23,3 bilhões à União pelos novos contratos de concessão de suas 22 usinas hidrelétricas.

O valor será pago à vista ao Tesouro, assim que for concluída a privatização da estatal, prevista para o primeiro trimestre de 2022. A decisão foi tomada no âmbito do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão que reúne diversos ministérios e que é presidido pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

Já a parcela que a Eletrobras pagará para abater parte dos custos da conta de luz dos consumidores será de R$ 29,9 bilhões. Os recursos serão pagos ao longo de 25 anos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que banca subsídios e descontos tarifários para grupos de interesse e que ajuda a encarecer as tarifas.

Mas em 2022, ano em que o presidente Jair Bolsonaro pretende disputar a reeleição, a companhia vai antecipar um valor de R$ 5 bilhões à CDE. De acordo com o MME, o repasse será feito em até 30 dias após a assinatura dos novos contratos de concessão e terá o objetivo de fazer frente a uma possível pressão tarifária em vista das condições apresentadas pelos reservatórios das hidrelétricas perante a escassez hídrica vivenciada atualmente pelo País.

Com o valor a maior pago em 2022, a CDE receberá apenas R$ 526 milhões em 2023; R$ 1,0652 bilhão em 2024; R$ 1,578 bilhão em 2025; e R$ 2,104 bilhões em 2026. A partir de 2027, serão R$ 2,6309 bilhões anuais até 2047. Os valores serão atualizados pelo IPCA, a partir da data-base em 1º de janeiro de 2022.

Ao todo, considerando os repasses à União e à CDE, o valor adicionado dos novos contratos de concessão das 22 hidrelétricas da Eletrobras será de R$ 62,5 bilhões. Com os novos contratos, que serão formalizados a partir do pagamento da outorga, a Eletrobras poderá vender a energia de suas usinas, hoje no regime de cotas, suficiente apenas para custos de operação e manutenção, a preços livres. Essa descotização será feito ao longo de cinco anos, começando com 20% da energia em 2023 até chegar a 100% em 2027.

Fonte: Estadão 

ONU: desastres climáticos quintuplicaram nos últimos 50 anos

Fonte: AFP

Os desastres climáticos quintuplicaram nos últimos 50 anos e provocaram danos importantes, mas os avanços nos sistemas de alerta permitiram reduzir o número de mortes, informou a ONU em um relatório divulgado nesta quarta-feira (1).

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) da ONU estudou a frequência, mortalidade e as perdas econômicas provocadas por desastres vinculados a fenômenos meteorológicos extremos entre 1970 e 2019.

O número de fenômenos extremos está aumentando. Devido à mudança climática, estes serão mais frequentes e severos em muitas partes do mundo, afirmou em um comunicado o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

Mais de 11.000 desastres atribuídos aos fenômenos extremos foram registrados no mundo desde 1970. Os cálculos apontam que provocaram mais de dois milhões de mortes e danos materiais que superam 3,64 trilhões de dólares.

De acordo com a OMM é possível afirmar que, em média, aconteceu um desastre vinculado ao clima a cada dia dos últimos 50 anos, o que provocou as mortes de 115 pessoas e perdas materiais de 202 milhões de dólares por dia.

A organização explica que mais de 91% das mortes aconteceram em países em desenvolvimento.

As secas foram responsáveis pelas tragédias mais graves em termos de vidas humanas durante o período, com quase 650.000 vítimas fatais, enquanto as tempestades deixaram mais 577.000 falecidos.

As inundações mataram 59.000 pessoas nos últimos 50 anos e as temperaturas extremas provocaram quase 56.000 óbitos, segundo o relatório.

Ao mesmo tempo, o documento afirma que, apesar do aumento dos fenômenos climáticos extremos, o número de mortes provocada por estes registrou queda considerável.

O balanço passou de mais de 50.000 mortes por ano na década de 1970 a menos de 20.000 em 2010, indicou a OMM.

Isto significa que, enquanto as décadas de 1970 e 1980 registraram a média de 170 mortes diárias vinculadas a fenômenos climáticos, o número caiu para 90 na década de 1990 e para 40 na década de 2010.

Taalas destacou que os avanços nos sistemas de alerta e gestão permitiram reduzir as mortes.

Simplesmente estamos melhor preparados que nunca para salvar vidas, disse.

Ao mesmo tempo, a OMM advertiu que ainda resta muito por fazer porque apenas metade dos 193 países membros da organização têm sistemas de alerta.

Também alertou para a necessidade de melhorar as redes de observação meteorológica em países da África, em certas áreas da América Latina e nas ilhas do Pacífico e Caribe.

Mami Mizutori, diretora do escritório da ONU para a redução dos riscos de catástrofes, celebrou no comunicado as vidas que foram salvas graças aos sistemas de alerta.

Mas advertiu que o número de pessoas expostas a riscos aumenta devido ao crescimento da população em áreas que podem sofrer catástrofes e a uma intensidade e frequência crescentes dos fenômenos.

E embora os sistemas de alerta precoce salvem vidas, não conseguem proteger das consequências econômicas provocadas pelos desastres.

De fato, as perdas registradas entre 2010 e 2019 alcançam 383 milhões de dólares por dia, sete vezes a mais que os US$ 49 milhões diários registrados nos anos 1970.

Sete dos 10 desastres mais caros dos últimos 50 anos aconteceram depois de 2005, três deles em 2017: os furacões Harvey, com danos de quase 97 bilhões de dólares, Maria (US$ 70 bilhões) e Irma (quase 60 bilhões de dólares de danos).

Alento no Mercado: Demanda da China por petróleo se recupera

Fonte: Reuters

A demanda da China por petróleo no mercado spot (à vista) parece estar se recuperando após quase cinco meses de compras mais lentas, causadas por uma escassez de cotas de importação, pela redução dos amplos estoques acumulados pelo país e por lockdowns relacionados à Covid-19, que afetaram o consumo local de combustíveis.

As redução nas compras da China, maior importadora de petróleo do mundo, a partir de abril e uma queda nos índices de refino do país, que atingiram o menor patamar em 14 meses em julho, chegaram a derrubar os preços do petróleo da África Ocidental e do Brasil para mínimas de vários meses.

Mas operadores e analistas afirmam que agora os importadores chineses estão aumentando o ritmo de compras e pagando prêmios mais elevados para garantir ofertas a partir de novembro, à medida que os lockdowns são flexibilizados no país.

Uma recuperação sustentada na demanda chinesa pode apertar o cenário de oferta e dar suporte aos preços internacionais do petróleo.

Traders esperam que Pequim conclua em breve uma investigação sobre a revenda de cotas de importação e evasão fiscal por importadores, algo que gerou incerteza no mercado. Um quarto lote de cotas também deverá ser emitido em setembro ou outubro, o que pode reacender a demanda das refinarias independentes, que respondem por um quinto das importações chinesas.

COMÉRCIO SE RECUPERA

Operadores nos mercados da Ásia e Europa disseram à Reuters que compradores chinesas adquiriram recentemente grades de petróleo do Brasil e Angola a prêmios mais elevados do que em meses anteriores, enquanto as consultas de refinarias independentes aumentaram.

Isso ajudou os mercados chineses a se animarem depois de terem permanecido em um silêncio mortal por vários meses, disse um trader de uma fornecedora ocidental.

Brasil vive inflação de escassez pela 1ª vez desde Plano Real, dizem economistas

Falta de semicondutores afeta a produção industrial, principalmente a indústria automotiva

Fonte: CNN Brasil

O IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) de 0,89% registrado em agosto foi o pior para mês nos últimos 18 anos. Economistas entendem que o resultado revela um cenário inédito: pela primeira vez desde a adoção do Plano Real, o Brasil enfrenta inflação motivada por escassez. Geralmente, o aumento de circulação do dinheiro ocorre pelo excesso de demanda, que impulsiona os preços.

O problema é mais percebido especificamente na indústria automotiva, onde os prazos para entrega de carros novos ultrapassa 120 dias. Isto tem aquecido, por consequência, o mercado de usados. Para reduzir os atrasos, veículos têm chegado ao mercado sem acessórios.

Acesse as edições mais recentes das publicações do mercado:

Revista Apólice: https://www.revistaapolice.com.br/2021/05/edicao-265/

Revista Cobertura:  https://www.revistacobertura.com.br/revistas/revista-cobertura/revista-cobertura-edicao-231/#2

Revista Segurador Brasil: https://issuu.com/revistaseguradorbrasil/docs/segurador_166_

Revista Seguro Total: https://revistasegurototal.com.br/2021/06/14/mercados-de-vida-e-previdencia-apresentam-crescimento/

Revista Insurance Corp: http://insurancecorp.com.br/pt/content/pdf/ic_ed36_2021.pdf

Caderno de Seguros: https://cnseg.org.br/publicacoes/revista-de-seguros-n-916.html

Revista Brasil Energia: https://editorabrasilenergia.com.br/wp-content/uploads/sites/1/flips/129726/Bia469v3/2/index.html

Relatório 2020 da CNseg (destaca os seus projetos e ações em ano desafiador): https://cnseg.org.br/noticias/relatorio-2020-da-cnseg-destaca-os-seus-projetos-e-acoes-em-ano-desafiador.html

2021 / CNseg: O Setor de Seguros Brasileiro: https://cnseg.org.br/publicacoes/o-setor-de-seguros-brasileiro-folder-2021.html