A democratização dos seguros é fundamental para a economia do país

30, Nov. 2021

A democratização dos seguros é fundamental para a economia do país

Revista Cobertura

Por Dhaval Chadha, founder da Justos 

O seguro é uma das invenções mais geniais da economia moderna: juntar os recursos do coletivo para evitar catástrofes do indivíduo. Transferência de riscos de pessoas e seus bens às seguradoras e assim proteger às pessoas e deixar elas viverem sem medo. Esse é o papel do seguro para a sociedade. Em sua definição mais simples, o seguro é um acordo contratual entre contratante e contratada, no qual uma é responsável pelo pagamento das parcelas e a outra assume os riscos de pagar uma indenização em caso de danos. O seguro permite que o risco seja transferido a empresas especializadas no seu gerenciamento, possibilitando que indivíduos, empresas e governos desenvolvam projetos mais arriscados. 

Além do seguro fornecer segurança e proteção contra grandes riscos, a importância do setor para a economia é gigante. O seguro torna a poupança (capital parado) em investimento; reduz perdas; garante tratamento médico e compensação por lesões; possibilita investimentos e inovações protegendo o downside (movimento negativo em um ativo, um mercado ou até na economia como um todo); aumento do crédito, pois as credoras sentem mais segurança quando tem garantias; complementa o investimento em serviços sociais; traz estabilidade e eficiência ao sistema bancário, nos mercados de capital e nas taxas de juros; na criação de empregos, recuperação da economia e crescimento do PIB. Com R$8 trilhões sob gestão e representando, em média, 6% do PIB brasileiro, a participação do setor ainda é pequena quando comparada a países como Coreia do Sul, Holanda e Reino Unido, que ultrapassam os 12%. 

O mercado é altamente competitivo e diversificado: em 2019, por exemplo, havia mais de 122 seguradoras, 15 Cias de capitalização, um mil operadoras de saúde suplementar, 94 mil corretoras de seguros ativos dentro de 90 ramos de seguros classificados pela Susep (Superintendência de Seguros Privados), agrupados em 16 grupos. Os dados indicam que o mercado de seguros oferece ampla escala de produtos e serviços contribuindo para o cotidiano da população.

Como demonstração da importância do seguro para a economia do país e para a população, podemos usar um exemplo de uma pessoa que guardou dinheiro durante dois anos para comprar um carro e uma geladeira. Quando adquiriu o veículo, decidiu que não iria fazer um seguro, pois acreditava ser um custo desnecessário e caro. Ao sair da loja, sofreu uma colisão, causando “perda total”. Então, essa pessoa perdeu o seu patrimônio integralmente. Agora, além de usar o dinheiro da geladeira, precisará de mais tempo e mais economias para comprar outro veículo. Como reflexo na economia do país, se ela comprasse um carro e uma geladeira estimularia a cadeia produtiva de ambos os produtos. Se tivesse contratado um seguro, seria indenizada e teria a possibilidade de comprar o veículo e a geladeira ao mesmo tempo. 

Nos últimos anos, os brasileiros da classe C passaram a consumir cada vez mais o seguro de automóveis. Entre os principais motivos da democratização do mercado de seguros no Brasil está a preocupação com a segurança. Segundo os dados do Governo Federal, entre 2015 e 2019, foram roubados mais de um milhão de veículos. Somente em 2017 foram 276.389. O volume de roubo e furto de veículos, principalmente nos grandes centros urbanos, vem alertando o brasileiro da necessidade de proteger seus bens. 

Um outro grande impulso pela democratização do setor se deu com o surgimento das insurtechs, startups de seguros, que chegaram ao país automatizando operações e modernizando processos quando comparados às seguradoras tradicionais, com uma distribuição mais rápida, fácil e acessível, além de produtos personalizados para os consumidores. Com a flexibilização da regulação de seguros no país e a criação de um “sandbox” regulatório pela Susep para que empresas criem e testem projetos inovadores em condições favoráveis com tempo determinado, as insurtechs ganham cada vez mais relevância no cenário nacional, aumentando a competitividade e levando mais possibilidades para o consumidor final. 

Além de inovação, essas startups valorizam a desmistificação do “segurês”, que são os jargões usados pelos players tradicionais do mercado, com palavras como “sinistros”, “apólices”, entre outros. É importante que a linguagem ao falar sobre o tema seja acessível e informal, para que o público se sinta mais próximo do produto e também mais confortável ao fazer a aquisição. 

Para que o mercado continue aquecido e que essa democratização continue acontecendo é necessário continuar investindo em tecnologia e comunicação para que a população brasileira se conscientize de dois pontos: a importância de se ter um seguro e que esse serviço está cada vez mais acessível, já que nunca houve tantas opções para quem deseja contratar um. 


‘Open finance’ pode multiplicar tamanho do mercado de seguros 

Largada para criar ambiente que combina ecossistemas de compartilhamento de dados financeiros e de seguros será em dezembro

Por Sérgio Tauhata — De São Paulo - Valor Econômico - Finanças 

O “open finance” vai mudar o mundo dos seguros. Esse novo ambiente, que combina os sistemas de compartilhamento de dados bancários (o “open banking”) ede coberturas (o “open insurance”), traz grande potencial de inclusão tanto financeira quanto nos seguros, além de impulsionar novos modelos de negócios que vão adicionar dezenas de bilhões de reais a esses mercados. O cenário foi desenhado pelos especialistas que participaram ontem de um debate on-line da Fundação Getulio Vargas (FGV) sobre o impacto econômico do open insurance. 

O diretor da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Eduardo Fraga, enxerga no compartilhamento e uso maciço de dados o caminho para uma maior abertura e concorrência no universo securitário. “Para fazer a precificação de uma carteira, a seguradora inclui uma margem de riscos, devido à incerteza dos riscos cobertos”, explicou. “Mas, quando tem uma quantidade maior de dados, essa margem pode diminuir porque é um fator relacionado à incerteza. E essa queda é mais forte para pessoas de baixa renda.” 

Fraga citou como exemplo a experiência chinesa de uma plataforma que levou produtos de seguro a milhões de novos consumidores. Conforme o dirigente, a insurtech asiática usa dados de rating de crédito, além de verificar condições preexistentes, para precificar um seguro que cobre doenças graves. “Em virtude da tecnologia e do uso intensivo de dados tem sido possível que esse tipo de cobertura de doenças graves seja entregue a pessoas de baixa renda ao custo de centavos de dólar, para coberturas de até US$ 40 mil dólares.”

Na visão do diretor da Susep, houve uma massificação desses produtos, distribuídos para mais de 100 milhões de clientes. “E a plataforma já tem planos de alcançar 300 milhões de beneficiários. Imagine isso numa plataforma aberta, como o open insurance.” 

O CEO da BMG Seguros, Jorge Sant’Anna, enfatizou a importância da combinação entre informações presentes no open banking, como aquelas relacionadas ao Pix e outras formas de pagamento, como cartões, com o open insurance. “É muito importante mencionar que a mudança nos pagamentos feita pelo BC, com a criação do Pix, é um grande habilitador no mercado de seguros”, disse. 

Na avaliação do executivo, ainda que a concorrência maior possa levar a uma queda de preços dos produtos, o aumento do público consumidor mais do que compensará esse impacto. 

Segundo estimativas da BMG Seguros, a taxa de penetração do seguro auto em relação à frota de veículos pode saltar dos atuais 30% para 50% com o open insurance. “Se chego a 50% de penetração no auto, há um aumento em R$ 22 bilhões no volume de prêmios, e isso mesmo se os preços dos seguros do gênero caírem pela metade.” 

O diretor de regulação do Banco Central, Otávio Damaso, afirmou no evento ver o papel do regulador como um habilitador das condições para que o próprio mercado implemente inovações. “Diria que o BC não está à frente, mas deixando a avenida aberta para o sistema inovar”, ponderou.

De acordo com Damaso, o open banking surgiu como uma forma de quebrar a assimetria em relação ao uso das informações, que, até um passado recente, “ficavam paradas dentro das instituições financeiras”. O dirigente reforçou que, por exemplo, quem detém instrumento de pagamento consegue saber como, onde, quanto e quando o cliente gasta. “A instituição vai entender o hábito de consumo pelos dados de pagamento.”

O diretor da autoridade monetária pontuou ainda existir outra importante fonte de dados. “Quem tem [sistema de] mensageria começa a colher outras informações valiosas, como interesses, hobbies, hábitos de comportamento e posicionamentos.” 

Conforme Damaso, o primeiro passo para a implementação o open finance será dado em dezembro. “Em meados do fim do ano a gente conclui a quarta fase [do open banking], que será o primeiro movimento do open finance.” O diretor da Susep, Vinicius Brandi, acrescentou que a fase um do open insurance será implementada ao mesmo tempo, em dezembro, “de uma maneira coordenada com o início da fase quatro do open banking”.

 

Ministério do Turismo aprova Política de Gestão de Risco

Por Victor Maciel - Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo 

Membros do Comitê de Governança, Riscos e Controles (CGRC) do Ministério do Turismo aprovaram nesta segunda-feira (29.11), por unanimidade, a Política de Gestão de Riscos do MTur. Com o documento, a Pasta contará com normas que regulamentam as atividades de governança e de gestão que impactam diretamente na concepção, implementação, monitoramento e melhoria de políticas públicas relacionadas ao turismo e à cultura. Ainda durante a reunião foi aprovado, também, o Apetite a Risco, índice que mede o nível de risco que será aceitável para atingir os objetivos identificados. 

O ministro do Turismo substituto, Marcos Jose Pereira, destacou a importância destas aprovações para a garantia e transparência do uso do recurso público. “É o início de uma caminhada nesta mudança de paradigma do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial da Cultura. Este planejamento é extremamente necessário para que tenhamos políticas públicas sólidas e que tenhamos resultados críveis, que nós consigamos entregar ao fim da gestão produtos que sejam mensuráveis e dar um retorno à população do uso daquele recurso público que fizemos”, disse.

Entre os objetivos a serem alcançados pela Pasta, junto à política aprovada, estão: o fomento de uma gestão proativa e a integridade do órgão, aperfeiçoamento do controle interno, produção de informações confiáveis que auxiliem a tomada de decisões, entre outros. Para isso, o Ministério do Turismo observará os ambientes internos e externos, o acompanhamento de riscos, a fixação de parâmetros e a definição de instrumentos de medição de desempenho da gestão de riscos. 

Ainda durante o encontro, os membros do comitê aprovaram o Apetite a Risco do Ministério do Turismo. O documento trata do aceite da Pasta em gerenciar riscos, identificados e categorizados em níveis de aceitação e tolerância pré-estabelecidos na resolução. Com isso, os gestores deverão incluir o fator de risco e avaliar se uma ação é compatível com o apetite ao risco do órgão, até onde é possível ir, se há orçamento e demais recursos disponíveis para tratar ou assumir determinado risco.

COMITÊ – Instituído pela Portaria nº753, de 10 de novembro de 2020, o Comitê de Governança, Riscos e Controles (CGRC) tem o objetivo de adotar medidas para a sistematização de práticas relacionadas à gestão de riscos, controles internos e governança no Ministério do Turismo. Dentre suas competências, a promoção de práticas e princípios de conduta e padrões de comportamento; garantia da aderência às regulamentações, leis, códigos, normas e padrões, com vistas à condução das políticas e à prestação de serviços de interesse público; integração dos agentes responsáveis por essas ações. 


CNseg: PEC dos Precatórios no Senado e PIB do 3º tri centralizam atenções do mercado

A projeção mediana para o PIB em 2021 recuou de 4,80% para 4,78%, permanecendo abaixo do crescimento do que já teríamos garantido pelo carregamento estatístico

Por Denise Bueno - Sonho Seguro

O Brasil tem pela frente uma semana cheia de acontecimentos que vão influenciar nas projeções dos indicadores macroeconômicos, que seguem tendência negativa nas últimas semanas, com alta das projeções de inflação e juros e queda das expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). 

Pedro Simões, do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras, destaca em sua análise do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 29, a projeção de inflação em 2021, que subiu pela 34ª semana consecutiva, de 10,12% para 10,15%. Para 2022, também houve elevação, de 4,96% para 5,00%.  “Além de termos encostado pela primeira vez no teto da meta para o ano que vem, permanecem desancoradas das metas em 2023 e 2024″, diz ele. Apesar disso, o ponto-médio das expectativas para a taxa Selic foi mantido em 9,25% ao fim de 2021 e em 11,25% ao final de 2022. “A atividade já em desaceleração tende a exigir um aumento menor dos juros básicos”, afirma. 

A projeção mediana para o PIB em 2021 recuou de 4,80% para 4,78%, permanecendo abaixo do crescimento do que já seria garantido pelo carregamento estatístico derivado do desempenho do PIB no primeiro semestre do ano. Isto é, a mediana do mercado embute projeções de queda do PIB no segundo semestre, cujos primeiros dados oficiais, referentes ao terceiro trimestre, serão divulgados pelo IBGE nesta semana.

 Nesta semana, além das notícias sobre a pandemia, com novas medidas restritivas como lockdown em algumas cidades e regiões, a agenda está carregada com temas importantes como a PEC dos Precatórios no Senado, MP do Auxílio Brasil e divulgação do PIB do terceiro trimestre na quinta-feira. “Continua a batalha para aprovar a PEC dos precatórios, já há duas semanas em negociações no Senado. Trata-se de matéria de extrema importância para o governo, que pode mexer com as expectativas”, comenta o economista. 

Leia a íntegra do boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas semanal feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg, no portal da CNseg.


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